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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de novembro de 2017.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Indústria Automotiva

Notícia da edição impressa de 23/11/2017. Alterada em 23/11 às 00h09min

Recuperação das montadoras puxa produção de fornecedores

Aumento da fabricação de motores para os veículos é um dos setores que estão em alta neste semestre

Aumento da fabricação de motores para os veículos é um dos setores que estão em alta neste semestre


/MERCEDES-BENZ/DIVULGAÇÃO/JC
Com a produção de veículos no País crescendo a um ritmo de 28,5% nos 10 primeiros meses do ano - apenas em outubro, o salto chegou a 42,2% ante igual mês de 2016 -, as montadoras de veículos vêm puxando a recuperação de outros segmentos industriais que, direta ou indiretamente, alimentam suas fábricas. Desde os fabricantes de autopeças até os produtores de borracha, plásticos, aço e alumínio, começam a respirar - uns mais, outros menos - depois de quase três anos de perdas contínuas na produção do setor.
No primeiro semestre, por exemplo, as vendas de alumínio ao setor automotivo foram as que mais cresceram, entre os vários segmentos atendidos. As encomendas somaram 97 mil toneladas, 13% mais que no mesmo período de 2016. O que fez o faturamento das fabricantes de alumínio avançar 15%, chegando a R$ 30 bilhões no semestre, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alumínio (Abal). A cadeia automotiva responde por 20% das receitas desses fabricantes, consumindo 16% do volume produzido.
"De uma maneira geral, o primeiro semestre não foi bom, e a única exceção foram as vendas ao setor automotivo, que é o que está puxando a lenta recuperação do setor", diz Milton Rêgo, presidente executivo da Abal. Na cadeia do aço, a recuperação das montadoras também puxou a demanda: de janeiro a setembro, a produção de aços planos cresceu 13%, chegando a 10,1 milhões de toneladas. O setor automotivo representa 18% do consumo do País, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Aço Brasil, que reúne as siderúrgicas. "É o terceiro setor mais importante para a indústria do aço, por isso, a recuperação da produção nas montadoras, impacta, mas não muito. O nosso maior mercado é a construção civil, que deve apresentar queda este ano de até 5%", queixa-se Lopes.
Os fabricantes de autopeças também começam a respirar. Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, que é o sindicato das empresas de autopeças, confirma uma recuperação expressiva na demanda por componentes a partir de maio. "As perspectivas são muito boas para o setor. Há uma melhora nos volumes de encomendas depois de abril. E isso deve se manter no próximo ano", acredita Ioschpe. Segundo o Sindipeças, em agosto, último dado disponível do setor, o nível de utilização da capacidade instalada nas fábricas atingiu 67%, voltando aos patamares de 2015. Em agosto de 2016, cerca de 48% das máquinas estavam paradas.
Outro dado que mostra a recuperação das autopeças é o número de postos de trabalho. Em agosto, ele cresceu, 63% no comparativo com agosto de 2016, e a expectativa do Sindipeças é que ao fim do ano tenha 164,5 mil pessoas empregadas no setor, alta de 1,5%. Para 2018, a estimativa é de que a folha de pagamento chegará a 172,8 mil funcionários, um crescimento de 5%.
Na Eaton Automotive, fabricante de sistemas de embreagem e transmissão, as perspectivas são positivas para o curto e médio prazo, principalmente para o produção de automóveis e comerciais leves. Para Antônio Galvão, presidente da companhia, a melhora do consumo impulsionada pelos indicadores econômicos proporcionará um crescimento entre 10% a 12% nas vendas e na produção no próximo ano. "É uma tendência de alta e isso traz investimentos das empresas por aqui. Com relação às exportações, a Argentina continuará demandando fortemente. Em licenciamentos, a melhoria na economia vai puxar o consumo no Brasil, já estamos vendo isso neste ano", salientou Galvão.
O presidente da Cummins, fabricante de motores, Luiz Pasquotto, disse que atingirá, em 2017, alta de 28% na produção em relação ao ano passado, quando fabricou 27 mil unidades. Em 2018, para o mercado interno, a Cummins projeta um crescimento entre 15% e 20%. O executivo leva em conta os indicadores econômicos, como inflação baixa, juros e inadimplência em queda, recuperação do emprego e o PIB. Ele avalia que as vendas de caminhões, este ano, serão semelhantes às do ano passado, cerca de 50 mil unidades. Mas a recuperação dos últimos meses garantirá o tão esperado crescimento em caminhões em 2018, e as vendas de pesados só não crescerão em 2017 por causa do primeiro trimestre muito fraco. A recuperação da indústria automotiva também já é sentida na arrecadação federal.

Volkswagen tem de ampliar fatia de mercado no Brasil, anuncia o presidente global

Em passagem "relâmpago" de dois dias pela Argentina e pelo Brasil, o presidente global da marca Volkswagen, Herbert Diess, afirmou que ainda não está satisfeito com os resultados no Brasil, apesar da recuperação da empresa no País no último ano. Atualmente com 12% do setor de automóveis e comerciais leves, a montadora alemã viu seu domínio cair a menos da metade de patamares históricos. "O mercado hoje está mais competitivo, não vamos voltar a 30%. Mas não estamos satisfeitos", disse Diess.
Os últimos anos foram desafiadores para a montadora alemã. Além de a empresa ter admitido a culpa em um escândalo global por burlar testes de emissões de poluentes de seus veículos a diesel, o que lhe rendeu multas bilionárias, a Volkswagen sofreu com a lentidão para se renovar - como resultado, sua linha de produtos ficou antiga e pouco atraente. No Brasil, o efeito foi tão forte que a montadora viu sua participação cair a menos de 7% em 2016.
Apesar da recuperação dos últimos 12 meses, o esforço de rejuvenescimento da marca e de produtos continua, afirma o presidente da Volkswagen Brasil e América do Sul, Pablo Di Si. Até 2020, afirma o executivo, estão previstos os lançamentos de 20 novos veículos, entre desenvolvimentos locais e ideias globais adaptadas à realidade da América do Sul. Até lá, os investimentos devem somar R$ 7 bilhões.
Dentro desse processo de renovação, começaram a ser feitas as entregas dos novos Polo, o "primo" mais compacto do Golf. Na semana passada, a montadora fez a apresentação do Virtus, que deverá ser lançado em janeiro de 2018.
Uma das questões em aberto na empresa, atualmente, é o destino do Gol, que está na linha da Volkswagen do Brasil desde o início dos anos 1980. O martelo sobre o modelo não está batido, segundo o presidente global da marca. "Não desistimos do Gol, mas nos programamos para dar uma solução de longo prazo para a carro em 2018."
Diante do resultado do mercado de automóveis neste ano - a Anfavea, associação do setor, aponta alta de 28,5% na produção de veículos até outubro - e das previsões de nova expansão para o ano que vem, Di Si descarta novas reduções de mão de obra no País (a empresa, nos últimos anos, cortou cerca de 30% de seu efetivo local).
O executivo também afirma que a mudança na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é "grande passo na direção correta", que deverá ajudar na produtividade brasileira. Para Diess, com o câmbio no patamar atual, o Brasil consegue viabilizar uma plataforma de exportações para a América do Sul. A montadora confirma que as vendas externas de veículos subiram 69% entre janeiro e outubro, na comparação com 2016.
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