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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Política

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Crise no Planalto

Notícia da edição impressa de 26/10/2017. Alterada em 25/10 às 23h24min

Câmara barra segunda denúncia contra Temer

Deputados da base governista articularam para garantir o quórum mínimo para a apreciação da matéria

Deputados da base governista articularam para garantir o quórum mínimo para a apreciação da matéria


/FABIO RODRIGUES POZZEMBOM/AGÊNCIA BRASIL/JC
A Câmara dos Deputados barrou ontem a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). Foram 251 votos a favor de Temer, e 233 votos contrários. Dois deputados se abstiveram e outros 25 estavam ausentes.
Eram necessários 342 votos contrários a Temer para que o Supremo Tribunal Federal fosse autorizado a analisar a acusação contra o presidente e dois de seus ministros, Eliseu Padilha (Casa Civil, PMDB) e Moreira Franco (Secretaria-Geral, PMDB).
Apesar de os governistas terem levado oito horas para reunir o número mínimo de deputados para abrir a sessão, o resultado repete o desfecho da análise da primeira denúncia da PGR, em agosto. Os dois casos - acusação de corrupção passiva na primeira e obstrução da Justiça e organização criminosa, na segunda - ficam congelados e só voltam a tramitar após o fim do mandato de Temer, em janeiro de 2019.
Embora o apoio a Temer tenha diminuído - foram 12 votos a menos do que na primeira denúncia, quando obteve 263 apoios -, o resultado encerra, pelo menos no âmbito do Congresso Nacional, o conturbado momento político iniciado em maio com a divulgação do áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista.
Com base nesta delação e em outros elementos colhidos nas investigações, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, assinou as duas denúncias que colocaram sob risco o mandato de Temer - ele chegou a ser aconselhado a renunciar no momento seguinte à revelação da conversa. Nos últimos dias, o governo movimentou a máquina pública federal para barrar a denúncia.
No varejo, Temer e seus ministros receberam centenas de deputados em encontros isolados e prometeram a aceleração da liberação de verbas para os redutos eleitorais dos parlamentares, loteamento de cargos federais e outras benesses públicas.
No atacado, o presidente atendeu, entre outros, a pleitos históricos da numerosa e poderosa bancada ruralista, que emplacou, entre outras medidas, regras que dificultam a demarcação de terras indígenas, facilitam renegociação de dívidas rurais, enfraquecem a proteção ambiental e o combate ao trabalho escravo.
Deputados aproveitaram para cobrar do governo a promessa de entregar cerca de 6.000 ambulâncias feita às vésperas da votação. De acordo com o presidente de um partido da base aliada, os veículos serão entregues a municípios por intermédio das legendas, mas até agora nada aconteceu.
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse à reportagem que aguarda que o Legislativo aprove um crédito de R$ 6 bilhões que serão utilizados para a aquisição das ambulâncias. "Tem nada a ver com a votação. Isso é uma programação normal, com critério técnico", afirmou.
Orientaram a favor de Temer PMDB, PP, PSD, PR, DEM, PTB, Pros, PSL, PRB, Solidariedade, Avante, PSC e PEN. Contra, PT, PSB, PDT, PCdoB, Podemos, PPS, PHS, PSOL e Rede. Ficaram em cima do muro, liberando as bancadas, o PV e o PSDB - este o principal aliado do PMDB no governo.
O partido rachou durante a crise. De um lado, o grupo de Aécio Neves, favorável a Temer, e de onde saiu o relatório favorável a ele. De outro, o de Geraldo Alckmin e Tasso Jereissati, além da maioria dos deputados mais jovens do PSDB.
Nos discursos de ontem, Temer foi acusado por vários deputados de comprar votos para permanecer no poder. "Não aceitamos que o presidente da República tenha que trocar votos por trabalho escravo no País", afirmou Alessandro Molon (Rede). "São movidos por dinheiro. São confessadamente movidos por dinheiro", disse Miro Teixeira (Rede).
Entre os defensores, discursou Wladimir Costa (SD-PA). "Para falar mal do presidente Temer tem que lavar a boca com soda cáustica. Os avanços estão aí", discursou o deputado, que se notabilizou ao afirmar durante a análise da primeira denúncia ter feito uma tatuagem de Temer em seu corpo - na verdade um desenho que sai com água e sabão.

Maioria da bancada gaúcha votou pelo afastamento

A maioria dos deputados federais da bancada do Rio Grande do Sul votou, no início da noite desta quarta-feira, a favor do encaminhamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB) e os ministros Moreira Franco (PMDB) e Eliseu Padilha (PMDB) pelos crimes de organização criminosa e obstrução à Justiça.
No total, 17 deputados votaram contra o arquivamento da denúncia e 13 votaram a favor. A deputada Yeda Crusius (PSDB) não compareceu à votação.
Na votação da primeira denúncia, por corrupção passiva, realizada no dia 2 de agosto, 18 deputados haviam votado contra o arquivamento, pelo afastamento do presidente Michel Temer e 13 votaram pelo arquivamento.
Na ocasião, o deputado Carlos Gomes (PRB) havia votado pelo afastamento do peemedebista. Desta vez, no entanto, o político se posicionou a favor do presidente.
17 VOTARAM NÃO
CONTRA O ARQUIVAMENTO DA DENÚNCIA CONTRA TEMER
  • Afonso Hamm (PP)
  • Afonso Motta (PDT)
  • Bohn Gass (PT)
  • Danrlei de Deus (PSD)
  • Heitor Schuch (PSB)
  • Henrique Fontana (PT)
  • Jerônimo Goergen (PP)
  • João Derly (Rede)
  • Jose Stédile (PSB)
  • Luis Carlos Heinze (PP)
  • Marco Maia (PT)
  • Marcon (PT)
  • Maria do Rosário (PT)
  • Onyx Lorenzoni (DEM)
  • Paulo Pimenta (PT)
  • Pepe Vargas (PT)
  • Pompeo de Mattos (PDT)
13 VOTARAM SIM
PELO ARQUIVAMENTO DA DENÚNCIA CONTRA TEMER
  • Alceu Moreira (PMDB)
  • Cajar Nardes (PR)
  • Carlos Gomes (PRB)
  • Covatti Filho (PP)
  • Darcísio Perondi (PMDB)
  • Giovani Cherini (PR)
  • Jones Martins (PMDB)
  • José Fogaça (PMDB)
  • José Otávio Germano (PP)
  • Mauro Pereira (PMDB)
  • Renato Molling (PP)
  • Ronaldo Nogueira (PTB)
  • Sérgio Moraes (PTB)
AUSENTE
  • Yeda Crusius (PSDB)
 

Após ser hospitalizado, presidente Michel Temer recebe alta médica

O presidente Michel Temer (PMDB), 77 anos, recebeu alta pouco antes das 20h desta quarta-feira. Ele foi internado no início da tarde e passou por um procedimento emergencial de desobstrução do canal da bexiga.
Temer estava no Palácio do Planalto desde as 9h, acompanhando a votação da denúncia que tramitava contra ele na Câmara. No final da manhã, enquanto despachava em seu gabinete, sentiu dores e dificuldade para urinar.
O presidente passou pelo serviço médico do próprio Planalto e, após avaliação preliminar, o plantonista que o atendeu decidiu levá-lo à coordenadoria de Saúde do Planalto. De lá, foi encaminhado ao Hospital do Exército, onde deu entrada às 12h50min.
Auxiliares do presidente dizem que ele chegou ao local de carro e entrou caminhando sozinho, sem auxílio. O Exército fez a segurança do hospital durante a estada de Temer e fechou a rua que dá acesso à frente da clínica.
Segundo nota divulgada à imprensa, o peemedebista foi submetido a uma "sondagem vesical de alívio por vídeo" - ou seja, um procedimento para esvaziamento da bexiga.
Questionado pela reportagem, o Planalto confirmou que o presidente foi sedado para a sondagem. De acordo com médicos ouvidos pela reportagem, a sedação é normal para a realização do procedimento.
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