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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Política

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justiça

Notícia da edição impressa de 19/10/2017. Alterada em 18/10 às 21h42min

Senador Aécio Neves não tem condições de presidir o PSDB, avalia Tasso Jereissati

Presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) defendeu, ontem, a renúncia do senador Aécio Neves (PSDB-MG) da presidência do partido. A declaração ocorre um dia após o Senado barrar, por 44 votos a 26, a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que impôs o afastamento do mandato e o recolhimento domiciliar noturno ao senador mineiro.
"Eu acho que é (caso de renúncia). Porque agora ele não tem condições, dentro das circunstâncias que está, de ficar como presidente do partido. E nós precisamos ter uma solução definitiva e não provisória", disse Jereissati.
Os ministros da Primeira Turma do STF decidiram afastar Aécio a partir das delações premiadas de executivos do Grupo J&F, que controla a JBS. Em conversa gravada pelo empresário e delator Joesley Batista, o tucano pediu R$ 2 milhões. O dinheiro foi entregue em espécie pelo então diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio Neves. A Polícia Federal filmou as entregas do montante, em parcelas de R$ 500 mil.
O senador nega que o dinheiro seja propina e diz que foi um pedido de empréstimo para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.
Mesmo afastado da presidência do partido, Aécio continuou a ter influência e conseguiu manter o PSDB na base aliada do governo do presidente Michel Temer (PMDB). O mineiro é um dos principais fiadores do apoio da sigla ao peemedebista.
Já Tasso Jereissati tem dado sinais de que pode ceder à ala que defende a ruptura com Temer, encabeçada pelos autointitulados cabeças-pretas, ala mais jovem de deputados tucanos.
Jereissati disse que ainda não havia conversado com Aécio sobre o assunto. Após chegar ao Senado, ele se reuniria com Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), também defensor da saída dos tucanos da base aliada.
Apesar de pregar a renúncia de Aécio Neves do comando do PSDB, Tasso Jereissati defendeu a votação que derrubou as medidas cautelares contra o colega de partido. Segundo o cearense, porém, a decisão foi "mal interpretada". "Ao meu entender, ela dá ao senador Aécio o que ele não teve até agora, que foi o direito de defesa", afirmou Tasso Jereissati.
Para ele, apesar de poder retomar o mandato parlamentar, os problemas do correligionário ainda não acabaram. "Agora, aqui no próprio Senado, ele vai ter o Conselho de Ética e vai ter que se defender. No STF, ele também vai ter o direito de apresentar a sua defesa", disse.
 

Tucano 'plantou ódio e está colhendo tempestade', diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, ontem, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), por ter "vendido ódio", "plantou ódio e está colhendo tempestade". Por decisão do Senado, na noite de terça-feira, Aécio retomou o mandato, do qual estava afastado, e deixou o recolhimento domiciliar noturno, medidas que haviam sido impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista na manhã de ontem para a Rádio Super Notícia, de Belo Horizonte, o petista disse que, nas campanhas presidenciais que disputou e perdeu (em 1989, 1994 e 1998), não vendeu "ódio como o Aécio (Neves) vendeu quando perdeu para a Dilma (Rousseff, em 2014)". "Vendi paz e amor."
Lula, que inicia, no próximo dia 23, a etapa mineira de sua caravana, voltou a afirmar que vai ser candidato novamente ao Planalto no ano que vem - "Só porque não querem" -, mas disse que está "nu" diante das investigações das quais é alvo no âmbito da Operação Lava Jato.
O petista também se disse vítima de um "pacto maquiavélico" entre Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário e imprensa para tirá-lo da disputa de 2018. O ex-presidente já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão no caso triplex do Guarujá. Réu em seis ações penais e denunciado em outros dois casos, o petista agora é alvo de seis procedimentos de investigação criminal abertos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em Curitiba, São Paulo e Brasília.
Lula disse estar hoje, politicamente, igual ou melhor do que antes. "Quem está pior é o pessoal da Lava Jato, que contou mentiras a meu respeito. A Polícia Federal da Lava Jato mentiu, o Ministério Público mentiu, e o juiz aceitou as mentiras e está me julgando, e está me condenando por coisa que ele próprio diz que eu não fiz. Então eles é que têm problemas para explicar para a opinião pública que eu não cometi crime que eles gostariam que eu tivesse cometido", afirmou.
O ex-presidente disse ainda que poderia ficar fora da disputa do ano que vem. "Já fui presidente, fui bem-sucedido, não tem nenhum presidente que terminou oito anos com 87% de bom e ótimo, com o Brasil crescendo 7,5%, e o varejo crescendo a quase 14%."

Maioria que votou pró-mineiro foi contra Delcídio do Amaral em 2015

A maioria dos senadores que votaram para revogar as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a Aécio Neves (PSDB-MG) teve entendimento diferente em 2015, quando o Senado decidiu manter a prisão de Delcídio do Amaral (então senador do PT-MS).
Dos 44 senadores que votaram pró-Aécio nesta terça-feira (17), 29 (66%) optaram, há dois anos, pela manutenção de decisão do Supremo que havia mandado prender Delcídio por obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Os parlamentares que mais votaram contra Delcídio e a favor de Aécio pertencem ao PMDB, sigla que teve 13 senadores que escolheram caminhos diferentes, como Marta Suplicy (SP), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO).
Na votação desta terça-feira, o partido liberou a sua bancada para votar como quisesse, mas, nos bastidores, o presidente Michel Temer (PMDB) atuou para ajudar o tucano.
Em seguida vem o PSDB com mais senadores que tiveram entendimento diferente em ambas as votações, como José Serra (SP) e Tasso Jereissati (CE). Parlamentares do PP, DEM, Pros, PSD e PR também se posicionaram de forma oposta em ambas as votações.
Por outro lado, cinco parlamentares do PT - como Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE) - e um do PDT que votaram pela prisão de Aécio nesta terça optaram contra a prisão de Delcídio em 2015.
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