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Porto Alegre, domingo, 29 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 30/10/2017. Alterada em 29/10 às 20h05min

O que poderíamos fazer e não fazemos?

Alice Schuch
A psicóloga argentina Clara Coria escreve que postergar o prazer com a intenção de responder a uma imagem idealizada do sacrifício é uma forma de "civilizada mutilação". Seria, segundo a autora, como colocar-se no freezer para uma melhor ocasião, que talvez não chegue a apresentar-se, porque algum "corte de luz" poderia arruinar as expectativas planejadas. Conta a autora que um marido chegou em casa trazendo camarões gigantes recém-pescados e queria comê-los no jantar, ela porém decidiu colocá-los no freezer para degustá-los em uma ocasião especial. Dias depois, enquanto estavam fora, houve um corte de energia, estragando todo aquele que seria "o manjar dos deuses". Toda vez que retardamos uma ação que nos convém, a consequência é uma perda pessoal, pois aquilo que poderíamos fazer e não fazemos, amanhã, não se sabe se poderá ser feito, temos um dia a mais de descaminho. Se estamos despertos, somos vida, mas, se dormimos, a vida são outros, e nós não existimos.
Lembra-nos o escritor inglês Aldous Huxley: "Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros, mas sempre e em quaisquer circunstâncias existimos a sós". Não raras vezes acolhemos dinâmicas não coincidentes com o nosso projeto, permitindo ingerências externas. Aceitamos transferências, desvios e, por isso, perdemos a meta da nossa pulsão. Significa permitir que sejam inseridas contracargas que impedem a consecução do fim que almejamos.
Se você não é tão perfeito quanto gostaria, vamos fazer o melhor possível: fidelidade a si mesmo significa coerência ao projeto pessoal, promovido por atividade específica. Tomar conta de si mesmo significa agir de modo permanente, regular e coordenado ao movimento vital do próprio projeto existencial no ambiente em que vivemos. Conforme a consultora de moda Costanza Pascolato, poder viver situações de merecido orgulho profissional ao dizer: "poxa, que legal, tem alguém que me reconhece e sabe o que eu faço!".
Pesquisadora do universo feminino
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