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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 24/10/2017. Alterada em 23/10 às 20h44min

O problema da arte

Nei Rafael Filho
Vinte e quatro anos após a decoração da Capela Sistina, o Papa Paulo III encomendou a Michelangelo novo afresco. Buonarotti trabalhou sozinho e escolheu tema do Juízo Final (1536/1541). Na abertura, diante da maior tensão apocalíptica jamais concebida, o Papa atirou-se ao chão, clamando: "Deus, perdoa os meus pecados quando o Juízo chegar". Aparentemente a obra foi menos impactante à da cena do Gênesis, pelo fato de os cardeais de Julio II, o "Papa Guerreiro" e mecenas do florentino, exigirem ao pintor e escultor Michelangelo cobrir as vergonhas de Adão, nu em pelo. A capela foi fechada até a emenda ser feita. O artista esbravejava, clamando aos céus, última instância, porque o homem da Renascença era superior ao do espírito grego.
Édouard Manet, no século XIX, tinha 31 anos quando enfureceu a elite e sociedade parisiense com novos nus. Almoço na Relva e Olímpia, ambas as pinturas são de 1863, provocou censura e o jornalista do L'Aurore, ao cobrir a primeira mostra das telas, publicara: "Manet quer apenas impressionar". A matéria editorial inaugurou termo a ser dado a uma escola de Arte, o Impressionismo. Vieram outros, A Execução de Maximiliano e o retrato de Emile Zolá, romancista em defesa do capitão Dreyfus de conspiração na célebre carta J'acuse.
O serviço da Arte é de ação subjetiva. Há opinião divergente, a exemplo do escritor Isaac Singer, Nobel de Literatura de 1978, segundo o qual a pessoa sente do mesmo modo perante a compreensão dos sentidos. A neurologia os estuda e fomos evoluídos nas cinco sensações. Ao que parece, visão e paladar esgrimam por supremacia. Não à toa, os excessos do apelo visual ou do sabor e fórmula gastronômica, a ponto de a arte de cozinhar, hoje, ser ciência. Porquanto, a novidade no campo artístico sobressalta ao revermos o nu, a violência, o mito e o proibido, matérias da interpretação do fato da realidade imediata trazido à baila por observadores, nada mais que isso.
Advogado
 
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