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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 31/10/2017. Alterada em 30/10 às 22h47min

Autocracia e juros

Steinbruch tem fama de desistir de negócios na última hora

Steinbruch tem fama de desistir de negócios na última hora


/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Em sua passagem por São Paulo, no início do mês, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que ocupou durante oito anos o cargo mais poderoso da Terra, respondeu a uma pergunta sobre o que achava ter sido o seu maior fracasso na vida pública. Disse que lamentava não ter sido capaz de aproximar as posições que se radicalizaram depois da grande crise de 2008.
Obama se referia, indiretamente, à eleição de seu sucessor, Donald Trump, que conquistou a Casa Branca na eleição de 2016 depois de uma campanha em que pregou um radicalismo político que havia muito não se via na América.
Curiosamente, no mesmo dia em que as declarações de Obama estavam nos jornais, a Folha publicou um estudo realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública cuja conclusão é a seguinte: os brasileiros têm alta propensão a apoiar teses autoritárias.
Essa constatação é trágica em um momento em que o Brasil começa a sair da crise econômica, mas entra na corrida eleitoral de 2018 com um número preocupante de propostas aventureiras e populistas que parecem ter apoio de um contingente razoável da sociedade.
Lamentavelmente, há uma tendência perigosa, em uma parcela da sociedade brasileira, a endossar propostas autoritárias tanto na política quanto na economia. Excessos vêm sendo cometidos em todas as áreas, na política, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, com apoio tácito ou explícito de forças sociais.
Deixo para os sociólogos a avaliação do radicalismo político. Quero me referir ao autoritarismo econômico, tão danoso quanto o político, ou mais.
Políticas conservadoras e autoritárias na área da economia estão claramente retardando a retomada do crescimento econômico no País. Bato, há muito tempo, na tecla de que a política monetária exageradamente conservadora está equivocada e venho sendo olhado com desdém por formuladores autoritários.
Felizmente, não estou só. Até economistas ortodoxos já dizem abertamente que a política de juros está errada. Errada porque, ainda sob o temor da volta ao tempo em que o País era assolado pelo velho dragão da inflação, exagerou-se na dose do remédio monetário.
Como disse um economista, não devemos ficar felizes porque a inflação, que vai fechar o ano em 3% ou menos, está abaixo da meta de 4,5%. É uma aberração - nunca consigo usar outra palavra para qualificar esse comportamento - estarmos com inflação de 3% ao ano e juros de 7,5%, mesmo depois da redução de 0,75 ponto percentual na semana passada.
Se a inflação está abaixo da meta, é sinal de que a política adotada para os juros está provocando recessão ou impedindo a volta de crescimento. Não há outra conclusão a ser tirada.
O crescimento econômico, é bom lembrar, pode aliviar os dois principais problemas enfrenta- dos atualmente pelo País. Pode reduzir o desemprego, que atinge 13 milhões de brasileiros, e pode também atenuar o desequilíbrio das contas públicas, porque vai ter impacto direto no aumento da receita do governo.
O fundamentalismo econômico, portanto, infelicita o País. Os formuladores dessa política precisam praticar a tolerância, outra virtude exaltada por Obama, e aceitar a ideia de que não são donos da verdade, principalmente quando suas decisões autocráticas travam o crescimento e retardam o desenvolvimento.
Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa
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