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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Política Monetária

Notícia da edição impressa de 26/10/2017. Alterada em 25/10 às 21h53min

BC reduz taxa Selic em 0,75 ponto percentual

Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiram, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto percentual, de 8,25% para 7,50% ao ano. O corte, anunciado nesta quarta-feira pela instituição, foi o nono consecutivo. O movimento colocou a Selic no nível mais baixo em mais de quatro anos, desde abril de 2013, ainda no governo de Dilma Rousseff, quando também estava em 7,50%.
Com o corte de 0,75 ponto da Selic, o Banco Central iniciou o processo de desaceleração do ritmo do atual ciclo monetário, como vinha sinalizando em suas comunicações. Nos quatro encontros anteriores, o BC havia aplicado uma redução de 1 ponto percentual na taxa básica.
A decisão desta quarta-feira era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 78 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 76 esperavam corte de 0,75 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira. Apenas uma casa projetava corte de 1,00 ponto e outra estimava redução de 0,50 ponto.
No comunicado que acompanhou a decisão, a instituição afirmou que a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível com o processo de flexibilização monetária.
O Copom avaliou que, para a próxima reunião - nos dias 5 e 6 de dezembro -, caso o cenário básico evolua conforme esperado, será "adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária".
No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro -, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2017 de 3,2% para 3,3%. No caso de 2018, a expectativa continuou em 4,3%. Para 2019, o Copom manteve a projeção de inflação em 4,2%, conforme o último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado em setembro.

Com juro menor, poupança bate ganho da maioria dos fundos

A queda da taxa básica de juros para 7,5% ao ano tornou a poupança mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, em especial aqueles com taxa de administração elevadas, de acordo com simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A Anefac estima o rendimento mensal da poupança em 0,43% com a Selic a 7,5% ao ano.
Pelas contas da associação, a caderneta perde para fundos com taxa de administração de até 0,5% ao ano, qualquer que seja o prazo de resgate considerado. A caderneta ganha de fundos com taxa de 1% se os recursos forem sacados em até seis meses e empata se o dinheiro for resgatado entre seis meses e um ano. Acima disso, perde.
A poupança perde também para fundos com taxa de administração de 1,5% se o resgate for feito em mais de dois anos. Em prazos inferiores, a caderneta ganha. Já fundos com taxas acima de 2% ao ano perdem para a caderneta, em qualquer prazo considerado.
 

Bancos seguem decisão e anunciam queda nas principais linhas

O Banco do Brasil (BB) seguiu a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e também cortou os juros. As novas taxas entram em vigor a partir da próxima segunda-feira, dia 30. "Estamos num momento vital para retomada da economia e a redução dos juros pela sétima vez neste ano reforça esta tendência. Corte de juros, inflação sob controle e indicadores de mercado de trabalho aumentam a confiança de investidores e dos consumidores", avalia o presidente do BB, Paulo Caffarelli, em nota.
Na pessoa física, uma das linhas que passarão a ter juros menores é a de crédito de livre aplicação com garantia de imóvel (home equity), cujas taxas serão reduzidas de 1,69% ao mês para 1,44% ao mês, na faixa mínima, e de 2,10% para 1,90% ao mês, no patamar máximo.
Para veículos novos e seminovos, a taxa mínima passa para 0,99% ao mês e a máxima para 2,23% ao mês, ante 1,19% e 2,33% ao mês cobrados até então. Para veículos com até cinco anos de uso, as novas taxas estarão entre 1,29% ao mês e 2,73% ao mês, ante 1,39% ao mês e 2,83% ao mês, válidas para operações contratadas via canal mobile.
O Banco do Brasil também reduzirá os juros para quatro linhas da pessoa jurídica. As taxas mínimas para as linhas do BB Crédito Veículo passarão de 1,49% ao mês para 1,39% ao mês, na faixa mínima, enquanto as máximas sairão de 3,26% para 3,16% ao mês.
Nas linhas de recebíveis, os juros serão reduzidos em 0,06 p.p. (taxa nominal para 30 dias). Na linha desconto de cheque, as taxas passarão para 1,08% ao mês (mínima) e 4,46% ao mês (máxima), ante os 1,14% ao mês e 4,52% ao mês cobrados atualmente.
O Itaú Unibanco também vai repassar o corte integral de 0,75 ponto percentual na Selic para os juros de suas linhas de crédito para pessoas física e jurídica. As novas taxas passam a valer a partir do dia 1 de novembro.
De acordo com nota do banco à imprensa, haverá redução nas taxas do empréstimo pessoal para pessoas físicas. Já para as micro e pequenas empresas, o corte será nos juros nas linhas de capital de giro e cheque especial. Para veículos, o banco informa que já vem reduzindo ao longo do ano a taxa de financiamento, convergindo com a queda da Selic. "As taxas cobradas variam de acordo com o perfil e histórico de relacionamento de cada cliente com o banco", acrescenta o Itaú, em nota.
O Bradesco igualmente vai repassar o corte da taxa Selic nas suas principais linhas de crédito para pessoa física e jurídica. O anúncio do banco ocorre após o Copom cortar os juros básicos do País de 8,25% ao ano para 7,50% ao ano.

Para Fiergs, momento viabiliza decisão; trabalhadores querem mais cortes

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry, entende que foi acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de reduzir a taxa Selic de 8,25% para 7,5% ao ano, uma vez que o ambiente macroeconômico continua viabilizando o corte nos juros. "Porém, o cenário fiscal demanda cautela. Para que esse processo continue de maneira sustentada, é muito importante que se efetuem os ajustes fiscais necessários, como a reforma da Previdência, alterando assim a dinâmica explosiva da dívida pública", afirma.
Segundo Petry, o balanço de riscos inflacionários continua favorável à trajetória de redução na taxa de juros. O presidente da Fiergs cita o IPCA acumulado em 12 meses, que atingiu 2,54% em setembro, mantendo-se abaixo do limite de tolerância inferior da meta pelo terceiro mês consecutivo. Além disso, as expectativas de inflação para o final de 2017 se reduziram consideravelmente, para 3,06%. Há também previsão de crescimento entre 0,5% e 0,7% da economia brasileira em 2017, refletindo a confiança em uma melhora mais consistente.
Já o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, esperava um corte mais profundo. "Ao manter a política de conta-gotas, o governo acerta no remédio ao reduzir a taxa Selic, mas erra na dose ao cortar muito pouco. Mais uma vez o Copom frustra os trabalhadores, que precisam desesperadamente de mais ousadia. Afinal, 13 milhões de pessoas estão desempregadas", disse Paulinho da Força.
"Os trabalhadores almejam por uma queda drástica na taxa de juros. A taxa Selic continua extremamente proibitiva, e o Brasil perde outra chance de apostar no setor produtivo devido ao excesso de gradualismo e conservadorismo de quem dirige a economia no País. É sempre importante lembrar que menos juros representam mais empregos."
"Sabemos que, com esta política, o crescimento da economia ocorrerá devagar e o surgimento de empregos também", afirma a nota da Força Sindical.
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