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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Trabalho

Notícia da edição impressa de 26/10/2017. Alterada em 25/10 às 21h30min

Nível de desemprego se mantém estável em Porto Alegre, aponta FEE

Indústria de transformação gerou 18 mil vagas, elevação de 6,4%

Indústria de transformação gerou 18 mil vagas, elevação de 6,4%


/CLAITON DORNELLES/JC
Adriana Lampert
Contrariando movimento de anos anteriores, quando ocorreu redução da força de trabalho em Porto Alegre e Região Metropolitana (principalmente entre jovens até 24 anos e indivíduos com mais de 60 anos), em setembro 47 mil pessoas voltaram ao mercado. Neste mesmo período foram gerados 42 mil novos empregos, com aumento da ocupação na indústria de transformação (mais 18 mil ocupados, ou 6,4%), na construção (mais 9 mil, ou 7,8%) e nos serviços (mais 18 mil, ou 2,0%).
Desse total, um contingente de 5 mil pessoas fez volume ao total de desempregados, representando aumento em relação ao mês de agosto de 2017, somando 193 mil pessoas procurando emprego em setembro. Na comparação entre os meses de setembro de 2016 e setembro de 2017, a taxa de desemprego total diminuiu de 11% para 10,3% da População Economicamente Ativa (PEA), e a taxa de desemprego aberto reduziu de 9,9% para 9,3%. Além disso, o contingente de desempregados diminuiu (-8,5%) nesse período, com menos 18 mil pessoas procurando trabalho.
As informações são da Pesquisa Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), divulgadas ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas). Segundo o relatório, em setembro a taxa de desemprego aberto também ficou praticamente estável, ao passar de 9,2% em agosto para 9,3% da PEA, enquanto o nível ocupacional aumentou (2,6%), sendo estimado um contingente de 1,67 milhão de ocupados.
"Houve uma redução no número de vagas no comércio e na reparação de veículos automotores e motocicletas (menos 3 mil ocupados, ou -0,9%)", pondera a economista e pesquisadora da FEE Cecília Hoff. Ela explica que a estabilidade da taxa de desemprego é resultado do aumento da ocupação ter sido inferior à expansão da força de trabalho. "Percebe-se uma recuperação da ocupação lado a lado com o crescimento da força de trabalho, mas ainda há redução de ambos na comparação anual", destaca Cecília. Segundo a pesquisadora, uma parcela "importante" da recuperação mensal se deve ao aumento do emprego na indústria de transformação, que gerou 18 mil vagas (aumento de 6,4%) em resposta à melhora nas exportações.
"Há indícios de recuperação da economia, mas o processo é longo e deve levar mais alguns anos para atingirmos os patamares de produção e emprego anteriores à crise", alerta. Cecília também observa que a taxa de desemprego aumentou para mulheres e jovens de 16 a 24 anos e acima de 40 anos e reduziu para homens e pessoas com idade entre 25 e 39 anos. Ainda de acordo com o estudo, a construção civil gerou mais 9 mil empregos (ou 7,8%) e os serviços mais 18 mil (2,0%). Deste total, 22 mil novas vagas (2,3%) atenderam ao setor privado, sendo que, destas, 16 mil contemplaram trabalhadores assalariados com carteira. "Também segue aumentando o contingente de empregados domésticos", observa Cecília. Em setembro foram abertas 11 mil vagas (11,2%) neste segmento.

Cresce total de assalariados na Região Metropolitana

Os dados da Pesquisa Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) demonstram que houve crescimento do total de assalariados (mais 18 mil, ou 1,6%), devido ao setor privado. No entanto, houve redução de vagas no setor público (menos 4 mil, ou -2,4%). No setor privado, também ocorreu aumento do emprego sem carteira (mais 6 mil, ou 7,8%). Entre os autônomos, o número de ocupados cresceu em 2 mil (0,8%).
"De julho para agosto de 2017, o rendimento médio real reduziu para o total de ocupados (-2,3%) e assalariados (-5,2%), e subiu para autônomos (1,1%)", indica Cecília Hoff. No mesmo período, a massa de rendimentos reais reduziu para os ocupados (-2,1%) e para os assalariados (-4,0%). Esses resultados são explicados pela redução do rendimento médio real, uma vez que o nível de ocupação permaneceu em estabilidade e o nível de emprego aumentou.
Contabilizando apenas Porto Alegre, a taxa de desemprego alcançou 8,9% da população economicamente ativa em setembro. O índice da Capital é menor em comparação ao mesmo período de 2016, quando era de 9,8%. Nas demais cidades da RMPA, o índice é maior, mas reduziu de 11,4% em setembro de 2016 para 11% no mesmo período de 2017. "Um fator negativo é que o tempo de procura por emprego continua sendo de cerca de 39 semanas", finaliza Cecília.
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