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Porto Alegre, terça-feira, 24 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 25/10/2017. Alterada em 24/10 às 21h59min

Opinião econômica: Horizonte

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal


/VALTER CAMPANATO/abr/jc
Delfim Netto
Chama-se desenvolvimento econômico o aumento continuado de quantidade de bens e serviços à disposição da sociedade numa unidade convencional de tempo. Imagine uma tribo nômade de colhedores de alimentos, num espaço físico limitado que define como seu. O que é, para ela, o desenvolvimento econômico? É a quantidade de frutos que pode colher na produção natural espontânea no seu território de acordo com a variação climática (que impõe o nomadismo). Ela só pode crescer por dois caminhos: 1º) aumentando a eficiência da colheita ou 2º) descobrindo novas fontes comestíveis.
Um exemplo do aumento da eficiência é poder colher os frutos que não estão ao alcance da mão, inventando uma escada, por exemplo. Isso exige a imaginação de alguém do grupo e a aceitação que alguns membros da tribo se dediquem à sua construção em lugar de colher frutos. Quando estiver pronto, o que será a escada para o grupo? Um bem de produção, isso é, trabalho morto cristalizado num objeto que, quando usado pelo trabalho vivo, aumenta-lhe a produtividade. O aumento da quantidade de bens e serviços à disposição da sociedade (o desenvolvimento) é apenas o resultado físico do aumento permanente da produtividade do trabalho. Isso dará origem, com o passar do tempo, a uma divisão da sociedade: colhedores (consumo) e produtores de escada (investimento), com formidáveis consequências sociais e econômicas.
Pois bem. Pelo menos 15 mil anos nos separam dessa sociedade imaginada, mas a dinâmica do desenvolvimento é essencialmente a mesma. Ele é o apelido do aumento da produtividade do trabalho e continua a depender da quantidade e qualidade dos bens de produção alocados a cada trabalhador com capacidade para operá-lo. Na linguagem moderna, a quantidade de bens e serviços à disposição da sociedade é o Produto Interno Bruto (PIB), dividido entre bens de consumo e bens de investimento.
Se a produtividade de cada trabalhador depende da quantidade e qualidade do estoque de capital que lhe é alocado, o crescimento econômico exige que ele cresça (pelo investimento) mais do que a mão de obra empregada, ou seja, deve haver uma harmonia entre o consumo e o investimento. Esse é o problema não trivial a ser resolvido dentro de qualquer estrutura produtiva por quem detém o poder político na sociedade.
O que se espera, portanto, são as soluções concretas para nos tirar das trevas dos aspirantes à presidência em 2018. Até agora, infelizmente, só conhecemos ridículas bravatas e decepcionantes conversas para boi dormir de cada um dos pretendentes. Precisamos de alguma luz no horizonte.
Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura
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