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Porto Alegre, domingo, 08 de outubro de 2017. Atualizado às 22h30.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 09/10/2017. Alterada em 08/10 às 21h10min

Juro baixo incentiva 'fuga' ao exterior

Títulos de outros países e investimentos como imóveis em Nova Iorque são alternativa aos interessados

Títulos de outros países e investimentos como imóveis em Nova Iorque são alternativa aos interessados


/DREW ANGERER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP/JC
A queda dos juros no Brasil tem levado cada vez mais investidores a olhar para fora das fronteiras em busca de retornos maiores e diversificação de risco. Sem deixar o País, é possível acessar um cardápio de produtos que inclui títulos de outros países e ações de setores com pouca representação na bolsa brasileira, como tecnologia.
"A redução dos juros força o investidor a repensar sua carteira e a comparar seu objetivo de longo prazo com o potencial de retorno que suas aplicações oferecem", afirma Rodrigo Araújo, diretor da gestora Blackrock no Brasil.
Os números da Anbima (associação das entidades do mercado) comprovam esse aumento. Fundos multimercados (que aplicam não só em renda fixa) com investimento no exterior viram sua captação crescer 23,4% nos 12 meses até agosto. No caso dos fundos de renda fixa com exposição a ativos estrangeiros, o aumento foi de 19,6%, e nos fundos de ações, de 14,3%.
Além do fator financeiro, os investidores brasileiros tentam reduzir a exposição ao risco político local, ainda mais com as incertezas sobre as eleições do ano que vem. "Maio deste ano foi um bom exemplo da importância de ter uma diversificação e de não ter todo o patrimônio em investimentos no Brasil", diz Jan Karsten, presidente da gestora GPS. Em 18 de maio, um dia após o vazamento da notícia da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, a bolsa despencou quase 9%, e o dólar disparou 8%.
Os fundos são o veículo mais acessível para quem quer incluir ativos estrangeiros nos seus investimentos. Produtos para pequenos investidores podem ter até 20% de investimento no exterior. Fundos voltados a investidores qualificados (com aplicações entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões) podem apostar até 40%. Pessoas com mais de R$ 10 milhões em investimentos não têm restrição.
Esses fundos compram cotas de fundos negociados em outros países. E é esse fator que faz com que o cardápio para o investidor brasileiro seja mais diversificado, afirma Enio Shinohara, que comanda a área de portfólios internacionais do BTG Pactual. "Um exemplo é o setor de tecnologia. Se pensarmos nesse segmento nos EUA e na China, estamos falando de empresas de porte grande, crescimento de receita e lucros extraordinários", diz.
Dá para comprar também ações de empresas ligadas ao mercado de luxo, como Cartier e Ferrari. "É um setor que não tem representatividade no mercado brasileiro."
Há ainda os chamados investimentos alternativos. "Tem a oportunidade de aplicar em imóveis residenciais na região de Nova Iorque, ou em um fundo que busca os próximos Ubers ou Airbnbs", afirma Shinohara.
Esses fundos costumam ter taxa de administração mais elevada que os conservadores e podem cobrar performance sobre o que superar seus indicadores de referência. A aplicação inicial é elevada, mas é possível acessar esses produtos com R$ 25 mil.

Abrir conta em outro país só vale para quem quer aplicar grande valor

BDRs de empresas de tecnologia, como Facebook, podem sair caros

BDRs de empresas de tecnologia, como Facebook, podem sair caros


LEON NEAL/LEON NEAL/AFP/JC
Quem quer aplicar em ativos no exterior pode ir além dos fundos. Uma outra alternativa para o investidor é abrir uma conta em banco ou corretora no exterior e aplicar por conta própria, mas é preciso ficar de olho nos custos. "Normalmente, os fundos são criados para investidores menores ou que não teriam condições de fazer uma remessa para fora ou abrir conta lá", afirma Jan Karsten, da gestora GPS. Manter essas contas pode custar US$ 2. mil por ano, valor pouco acessível ao pequeno investidor.
A questão tributária também pesa, complementa Joelson Sampaio, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas). "O investidor que quiser investir diretamente lá fora tem que estudar as regras de cada lugar, como se dá a incidência de impostos."
No Brasil, há ETFs (fundos que replicam índices de Bolsa) que espelham o indicador norte-americano S&P 500. É uma forma de acompanhar o desempenho do principal índice da bolsa norte-americana - no ano, a alta é de 10,6%. A taxa de administração é menor, em torno de 0,5% ao ano, explicada pela gestão passiva.
O investidor consegue comprar BDRs (ativos emitidos no Brasil com lastro em ações estrangeiras) de empresas de tecnologia, mas pode sair caro. Um BDR da Alphabet, dona do Google, valia R$ 125,80 na sexta-feira. O do Facebook saía por R$ 270,23.
A liquidez é um risco tanto para o BDR quanto para o ETF. Se precisar do dinheiro antes do tempo, o investidor pode ter que vender pelo valor negociado no dia.
No caso de aplicações conservadoras, os juros ainda em patamar elevado aqui quando comparados a outros países pesam a favor do Brasil. "O Brasil ainda é um dos poucos lugares do mundo com juros interessantes. Não existe outro país civilizado e com instituições que funcionem que pague juros maiores que o Brasil", afirma Enio Shinohara, do BTG Pactual. "Não há ainda demanda para título internacional pelo nosso nível de juros aqui", diz Luiz Felipe Santos, da BNP Paribas Asset Management.
Na Alemanha e no Japão, por exemplo, títulos soberanos (emitidos pelo governo) têm juros negativos. Ou seja, o investidor precisa pagar para manter esses papéis.
 

Cuidado com câmbio tem de ser prioridade para quem adquirir ativos estrangeiros

Variação da moeda estrangeira deve ser considerada nas aplicações

Variação da moeda estrangeira deve ser considerada nas aplicações


/KAREN BLEIER/AFP/JC
O investidor que estiver pensando em incluir ativos estrangeiros em seu portfólio precisa prestar atenção a alguns fatores, entre eles o risco cambial e a escolha da gestora do fundo, de acordo com especialistas. A variação da moeda estrangeira deve ser considerada antes de aplicar nesses ativos, diz Giuliano De Marchi, planejador financeiro da associação Planejar.
"A moeda é um risco quando se trata de investir globalmente. Você sai de sua moeda de origem, como o real, e pode ir para opções mais arriscadas ou mais fortes, como o dólar", ressalta. "Se o ativo se valorizar, mas o dólar explodir, você pode perder essa valorização."
A primeira opção deve ser buscar produtos que já tenham essa proteção cambial. Desta forma, o investidor só fica suscetível ao comportamento do ativo.
Luiz Felipe Santos, responsável pela área de produtos da BNP Paribas Asset Management, afirma que a busca por esse tipo de produto tem aumentado. "Você vê na indústria uma demanda crescente, porque o investidor não fica dependente da variação cambial. Ou ele aposta no câmbio, ou aposta em Bolsa de Valores dos Estados Unidos, por exemplo", ressalta.
A escolha da gestora também é importante. A avaliação de alguns especialistas é que casas com ramificações globais têm vantagem competitiva ante aquelas com atuação local. "A gestora tem que conhecer o mercado em que ela atua, com uma equipe dedicada a isso e uma estrutura que estude esse tipo de demanda, qual tipo de título é interessante, que ativo comprar no exterior", afirma Santos, da francesa BNP Paribas.
Antes de partir para o exterior, é interessante que o investidor conheça as opções do mercado global. "O investidor qualificado (que tem mais de R$ 1 milhão em aplicações) tem vantagens, mas quem possui menos dinheiro deveria manter a coisa simples", afirma Marcelo D'Agosto, consultor de investimentos. "Ele tem oportunidade de ganhos no Brasil sem precisar entrar no universo mundial, que são milhões de alternativas, tem várias moedas. Vale investir tempo para conhecer as alternativas no mercado local."
Mas quem quer começar a se expor a esses ativos deve destinar inicialmente somente pequena parte dos recursos, segundo o planejador Giuliano De Marchi. "É interessante colocar 5%, e depois ir aumentando. Por que não participar do lucro dessas empresas estrangeiras ou da recuperação da economia mundial?", diz.
"Sem dúvida nenhuma, vale a pena investir no exterior, seria muito egoísta pensar que todas as oportunidades estão aqui", ressalta. De acordo com De Marchi, o Brasil responde por 3% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, por 2% da renda fixa do mundo e 1% do mercado acionário global.
Para ele, a indústria brasileira é mal preparada para lidar com ativos internacionais. "A gente olha muito para a indústria local, nos acostumamos a ter o CDI (juros médios de empréstimos entre instituições financeiras) como parâmetro para tudo", critica o especialista.
"O brasileiro tem que estudar melhor. Tem um mundo de ações norte-americanas, de renda fixa europeia. É importante que o investidor comece a se educar para ter uma exposição saudável a esses ativos", afirma o planejador.
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