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Porto Alegre, quarta-feira, 04 de outubro de 2017. Atualizado às 15h05.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

Alterada em 04/10 às 15h08min

Bolsas da Europa fecham majoritariamente em queda sob tensão com Catalunha

Os mercados acionários europeus fecharam no vermelho nesta quarta-feira, 4, liderados pela queda de quase 3% da bolsa de Madri, com um sentimento de maior apreensão em torno da situação política na Catalunha. Indicadores macroeconômicos e notícias corporativas também estiveram no radar dos investidores, com destaque para o setor automobilístico.
O índice pan-europeu Stoxx-600 fechou em baixa de 0,12% (-0,45 ponto), aos 390,27 pontos.
A tensão política na Espanha voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira, sendo o principal driver para investidores, fazendo com que uma busca por segurança ocorresse nos mercados de ações e de bônus na Europa. Na terça-feira, o rei Felipe fez um pronunciamento onde condenou líderes catalães por lutarem pela separação da região no mesmo dia em que o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou, em entrevista à BBC, que irá declarar independência da Espanha "no fim desta semana ou no início da próxima" em resposta ao resultado de um plebiscito realizado no último domingo, cujo resultado indicou 90% de votos a favor da secessão.
O governo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, considerou a votação ilegal e ordenou às forças de segurança que contivessem o evento, o que gerou mais de 800 feridos no domingo Na terça-feira, 3, a Catalunha, que representa cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, realizou também uma greve geral. "A política espanhola está agindo como um obstáculo para a leitura positiva dos recordes das bolsas em Wall Street. A determinação de autoridades da Catalunha de anunciar a independência da Espanha pegou os mercados desprevenidos", afirmou o diretor de pesquisa do London Capital Group, Jasper Lawler, em nota a clientes. "Dada a sua turbulenta história e fortes laços com a economia, os vendedores irão atacar os bancos espanhóis durante qualquer instabilidade política envolvendo a Catalunha."
Não à toa, o segmento bancário do Stoxx-600 foi um dos mais atingidos, fechando em baixa de 1,23%. Entre os bancos, destacaram-se os recuos de 4,96% do CaixaBank e de 5,69% do Banco de Sabadell. Além deles, o BBVA perdeu 3,61% e o Santander caiu 3,83%. O índice Ibex-35, da bolsa de Madri, cedeu 2,85%, aos 9.964,90 pontos, perdendo o nível dos 10 mil pontos e fechando no menor nível desde 14 de março. No mercado de bônus, o risco político fez os papéis espanhóis de 10 anos serem fortemente vendidos, com o yield saltando para 1,771%. Na ponta oposta, a busca por segurança pressionou o rendimento dos Bunds alemães de 10 anos, que caiu para 0,456%. O spread entre os juros dos bônus alemão e espanhol subiu para 133 pontos-base.
As ações da Oryzon Genomics saltaram 12,85% depois que a companhia anunciou que mudaria sua sede de Barcelona para Madri depois do plebiscito catalão sobre a independência da Espanha.
Para José Raimundo Faria Junior, da Wagner Investimentos, o temor relacionado a uma declaração de independência da Catalunha é o de que uma "onda separatista surja com força em vários países europeus", entre eles a própria Espanha, a Itália e a França. Na bolsa de Milão, esse temor foi fortemente sentido, com o índice FTSE-Mib em baixa de 1,44%, aos 22.456,38 pontos, pressionado, principalmente por bancos como o Unicredit (-2,63%) e o Intesa Sanpaolo (-1,68%). Já em Paris, o índice CAC-40 cedeu 0,08%, aos 5.363,23 pontos, com recuos de 0,42% e de 1,77% do Crédit Agricole e do BNP Paribas, respectivamente.
Também pesou sobre o setor bancário da zona do euro como um todo novas regras do Banco Central Europeu (BCE) para que os bancos cubram os empréstimos inadimplentes em dois anos, enquanto a parcela segura deve ser coberta após sete anos no mais tardar.
Com a apreensão política, a agenda de indicadores macroeconômicos europeus do dia ficou em segundo plano. A agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, informou que as vendas no varejo da zona do euro enfrentaram queda de 0,5% na passagem de julho para agosto, no maior recuo mensal desde março de 2016. Analistas, no entanto, previam alta de 0,4% no período. Além disso, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da região, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 55,7 em agosto para 56,7 no mês passado, no maior nível em quatro meses.
Na Alemanha, o PMI composto apresentou avanço de 55,8 em agosto para 57,7 em setembro, no maior nível em 77 meses. O forte resultado fez com que o mercado acionário alemão se mantivesse em alta, apesar do movimento limitado devido à crise na Espanha. O avanço no índice DAX, de 0,53%, para 12.970,52 pontos, teve como combustível os ganhos nos mercados europeus do dia anterior, quando a bolsa de Frankfurt permaneceu fechada devido a um feriado alemão. Além disso, montadoras apoiaram a alta, baseadas nos fortes resultados de vendas em setembro nos Estados Unidos. BMW subiu 2,69%, Daimler teve expansão de 1,21% e Volkswagen avançou 2,29%.
Em solo britânico, investidores continuaram a acompanhar a conferência anual do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May. De acordo com ela, o Reino Unido está pronto para "qualquer eventualidade" nas negociações da saída do país da União Europeia (Brexit). O PMI do setor de serviços britânicos teve alta de 53,2 para 53,6 de agosto para setembro. O resultado ficou acima das projeções dos analistas e levou a libra a ganhar fôlego depois de dias operando com tendência de baixa. O índice FTSE-100 fechou em queda de 0,01%, aos 7.467,58 pontos.
Já na bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 fechou em baixa de 0,99%, aos 5.385,92 pontos.
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