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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de outubro de 2017. Atualizado às 12h31.

Jornal do Comércio

Cultura

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literatura

05/10/2017 - 08h29min. Alterada em 05/10 às 12h34min

Memórias e celebrações conduzem segunda noite de debates da Jornada

Tradição literária reuniu Bráulio Tavares, Cintia Moscovich, Nádia Battella Gotlib e Ricardo Silvestrin

Tradição literária reuniu Bráulio Tavares, Cintia Moscovich, Nádia Battella Gotlib e Ricardo Silvestrin


GELSOLI CASAGRANDE/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner, de Passo Fundo
A segunda noite de debates da Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo, foi de certa maneira uma surpresa para o público. A mesa Centauro, pedra, rosa e estrela: Scliar, Suassuna, Drummond, Clarice, na noite desta quarta-feira (4), não teve participação de Affonso Romano de Sant'Anna, para decepção de alguns fãs. O escritor e poeta mineiro cancelou a viagem por motivos de saúde. Em seu lugar, Bráulio Tavares, Cíntia Moscovich e Nádia Battella Gotlib tiveram a companhia de Ricardo Silvestrin, em um encontro marcado por memórias e celebrações.
Como o título do debate já sugere, o tema principal da atividade foi a obra dos escritores homenageados por esta edição da festa literária. Entretanto, curiosidades a respeito da trajetória do quarteto também entraram em pauta. Cíntia, por exemplo, revelou aspectos da vida pessoal de Scliar – de quem foi amiga. “Ele escolheu medicina porque morria de medo de perder os pais”, lembrou a autora, relacionando essa preocupação com a literatura: “Scliar tinha um desejo quase incontrolável de escrever que talvez corresponda a essa vontade de tentar corrigir as coisas erradas do mundo.”
Já Nádia foi descrita por Augusto Massi, um dos coordenadores dos debates, como a principal biógrafa de Clarice Lispector. A pesquisadora ressaltou o desbravamento da intimidade dos personagens como uma das marcas do trabalho da homenageada. “Ela vai até o fundo”, afirmou, minutos antes de ser instigada a falar sobre a trajetória das irmãs da escritora de A hora da estrela. Elisa e Tania também publicaram livros – o currículo da primeira tem 10 obras, mesmo que seu nome não seja tão conhecido quanto Clarice. Conforme Nádia, No exílio (1948), de Elisa, inclusive ajuda a narrar as origens da família Lispector.
Já Ricardo Silvestrin não parece ter sentido o peso de substituir Affonso Romano de Sant’Anna. Em sua participação, contou casos que destacam a personalidade de Drummond – dando destaque à relação do ícone com alguns admiradores. “Para Drummond, era inadmissível que alguém fosse escrever como ele”, apontou. ‘Vá criar sua própria poesia’, dizia, ‘A poesia é o que está para ser criado’.
Considerado um dos principais nomes da literatura de cordel da atualidade, Bráulio Tavares encarregou-se das considerações sobre Suassuna – sobre o qual tem trabalhos. O convidado lembra do canônico como uma “usina de dinamismo verbal” e um “showman”. As descrições vêm da vocação de Suassuna para a oralidade – mesmo que sua escrita fosse metódica – e pelo jeito enfático com que dava aulas antes da idade avançada comprometer esse seu lado. “O Romance d’A Pedra do Reino é provavelmente o livro da literatura brasileira com mais pontos de exclamação ao longo do texto. E ele falava assim, com força”, explicou Tavares.
Mas foi Cíntia, em encontro com a imprensa antes do debate, a primeira a arriscar uma conexão entre os quatro escritores que têm seus nomes no evento: "São uma espécie de pais fundadores, em uma nação tão jovem”, pontuou.
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