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Porto Alegre, domingo, 22 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 23/10/2017. Alterada em 20/10 às 19h38min

Caderode projeta seu futuro

Heitor Pinto Filho

Heitor Pinto Filho


TATIANA CAVAGNOLLI/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
A fabricante de mobiliário corporativo Caderode, localizada em Flores da Cunha, define seu planejamento para os próximos anos. Com pouco mais de duas décadas de atividade, e sócios na faixa dos 50 anos de idade, a empresa está em processo de reformulação, visando a sucessão dos fundadores. Responsável pelo projeto, o diretor -geral Heitor Pinto Filho afirma que é preciso respeitar e entender a cultura da empresa para implantar a governança corporativa.
JC Empresas & Negócios - O que foi determinante para que uma empresa ainda jovem esteja encaminhada para a governança corporativa?
Heitor Pinto Filho - A Caderode nasceu com um dos sócios, Vanderlei Dondê, que começou com manutenção e terceirização de cadeiras no porão da casa dos pais. Depois desenvolveu linha própria e entrou no mercado com cadeiras para bingo. Na sequência, adquiriu uma empresa de mobiliário corporativo e aprimorou a linha. Com a expansão, convidou os irmãos para se tornarem sócios, situação que perdura até hoje. Como é um empresário aberto às transformações e vocacionado ao crescimento, Dondê avaliou que novos rumos deveriam ser tomados. Além disto, os sócios entenderam que uma empresa cresce em progressão matemática e a família em progressão geométrica. Assim, chega um momento em que a família cresce a ponto de faltar empresa para tanto familiar. Eles enxergaram esta possível dificuldade para o futuro e resolveram disciplinar a questão.
Empresas & Negócios - Em que estágio se encontra o processo?
Pinto Filho - Começou com a contratação de um conselheiro externo, que se aproximou da família e enxergou as necessidades. Costuramos um acordo de sócios, assinado em setembro, com validade de cinco anos, deixando claro o que se quer para a empresa, o papel do CEO e a constituição do Conselho de Administração, que talvez ocorra em 2018, dentre outras medidas. Hoje temos um Conselho Consultivo, formado pelos três sócios, CEO, diretor financeiro e conselheiro. No momento, uma consultoria está mapeando os processos de toda a empresa, mostrando como é e fazendo a crítica do que precisa mudar. Este trabalho começou em janeiro de 2017 e deve estar concluído em abril de 2018. Quando isto estiver pronto será a hora de contratar os executivos para cada área, pois estará claro o papel de cada.
Empresas & Negócios - Quais são os objetivos das mudanças?
Pinto Filho - Existe um planejamento estratégico de cinco anos, que é revisitado anualmente como forma de ajustar as ações em função do mercado. Mesmo conhecida mundialmente, a internacionalização é uma norteadora da política da Caderode. Não é só exportar, queremos que ela seja conhecida, o que já está acontecendo. Recebemos três comitivas de marcas europeias propondo parcerias, não apenas para vender produtos no Brasil, mas que possam transformar a Caderode em partner importante nos negócios mundiais.
Empresas & Negócios - Estas parcerias exigirão medidas que tornem a Caderode mais avançada tecnologicamente?
Pinto Filho - Já estamos fazendo isto. Recentemente fechamos acordo com designer italiano que criou e assinou uma linha de cadeiras, já lançada. Também compramos dois projetos de divisórias para escritórios: uma de 100 mm, assinada pelo designer italiano Lorenzo Negrello, que as desenvolveu 100% em alumínio, exclusivamente para a Caderode, com característica premium; outra, de 76 mm, de São Paulo, mais simples. Este é um projeto embrionário, criado há dois anos, mas que vem apresentando crescimento importante. Posso assegurar que já temos mobiliário similar aos europeus.
Empresas & Negócios - Como está sendo mudar a empresa num momento de crise?
Pinto Filho - Em 2014, a Caderode faturou R$ 100 milhões. No ano seguinte, o valor caiu cerca de 40% em termos reais. Tivemos de readequar a estrutura e reduzir o quadro de 230 para 110 funcionários. No ano passado, tivemos uma melhora de 12%, mesmo nível projetado para 2017, tanto que geramos 35 novos empregos. Mas alcançar patamares semelhantes a 2014 somente em 2019.
Empresas & Negócios - Mas existe visão positiva para 2018?
Pinto Filho - Nossa leitura é que o ano que vem ainda será difícil. Quem passar chegará forte em 2019. No próximo ano teremos eleições e Copa do Mundo. Historicamente, nossos anos têm 11 meses produtivos; em 2018, serão nove, talvez menos com segundo turno. O País para e fica esperando.
Empresas & Negócios - Como vê a retomada da economia?
Pinto Filho - A economia não gira por conta própria, ainda depende muito do governo. Nosso crescimento atual não é pela recuperação do mercado, mas porque estamos ocupando espaços de concorrentes que fecharam ou estão em recuperação judicial. São marcas com bons produtos, mas com estrutura financeira muita alavancada. Não é o caso da Caderode, que não tem endividamento.
Empresas & Negócios - Quais são os investimentos prioritários para sustentar o crescimento?
Pinto Filho - Estamos investindo no aluguel de um pavilhão de 5 mil m², ao lado do parque fabril, para dar sequência aos novos projetos. Investimos perto de R$ 500 mil em catálogos, elaborados na Itália e impressos no Brasil, para apresentar a nova imagem da empresa. Nos últimos anos, nossa receita tem vindo 70% do setor público e 30% do privado. Não gostamos disso, queremos inverter e voltar a como era no passado. O setor privado é mais sadio e rentabiliza mais. Queremos que o público cubra eventual ociosidade da fábrica. Temos hoje 30 pontos de venda no Brasil e dois no exterior. Apenas um é loja própria, os demais são de representantes. Estamos realizando reuniões com todos para mostrar a nova política comercial. Investimos R$ 200 mil em novo CRM, para relacionamento com os clientes, que entra em operação em novembro. Definimos que não vamos competir por preço, queremos conquistar os clientes pela qualidade e pelo diferencial do produto. Também pensamos em novos canais de venda, como e-commerce para alguns itens.
Empresas & Negócios - Como o exterior entra nas estratégias?
Pinto Filho - Nosso mercado preferencial é o Cone Sul, mas temos dificuldades em alguns produtos. Vender cadeiras é complicado, porque os mercados podem comprar facilmente da China. No mobiliário temos vantagens competitivas. Já exportamos para Cuba, Canadá, África, Bolívia, Uruguai, sempre por demanda. Mas pretendemos alavancar nossas exportações.
Empresas & Negócios - Qual a meta de faturamento para 2021?
Pinto Filho - Em 2021, queremos R$ 150 milhões, sem grandes investimentos, com o portfólio atual. Atualmente, as cadeiras representam 50% da receita; o mobiliário, 45%; e as divisórias, 5%. A partir de 2018, queremos elevar a participação das divisórias até chegar em 20%.
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