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Porto Alegre, segunda-feira, 18 de setembro de 2017. Atualizado às 22h47.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 19/09/2017. Alterada em 18/09 às 19h20min

Armadilha da renda média

Cláudio Farias
Em tempos de crise econômica, é comum abrir os jornais e verificar as autoridades políticas e governamentais saudando aumentos (por vezes pífios) do número de contratações com carteira assinada. Em hipótese alguma se deve desmerecer qualquer contratação, pois com ela certamente vem a melhoria da condição momentânea de vida dos cidadãos. No entanto, devemos questionar que tipo de emprego se está gerando e estimulando no Brasil.
Ocorre que, em nosso País, sofremos de um mal há muito tempo instalado, qual seja, a ausência de um plano de desenvolvimento nacional. Já tivemos, em momentos de nossa história, alguns esboços de planejamento de nação. No que tange à geração de emprego e renda, temos caído na "armadilha da renda média", ou seja, importa mais a geração de emprego, sem se preocupar com a qualificação dos salários. Com isso, boa parte dos empregos gerados no Brasil (quando ocorrem) são de ocupações de baixa sofisticação, caracterizados pelo pagamento de baixos salários. Tais ocupações, via de regra, estão relacionados aos setores primários e de serviços de baixa complexidade (com reduzida vinculação tecnológica).
Países considerados "desenvolvidos", em geral, preocupam-se em gerar e estimular empregos de alta complexidade e sofisticação, que trazem consigo os maiores salários. Empregos sofisticados, em geral, estão localizados nos setores de tecnologia. Trabalhadores desses setores acabam por "transbordar" seus altos salários para camadas menos sofisticadas da sociedade. É isso que faz a máquina de uma economia desenvolvida funcionar. Enquanto não nos livrarmos dessa armadilha "curto-prazista" de apenas gerar empregos, sem nos preocuparmos com a elevação da renda, vamos sempre ficar limitados ao crescimento marginal que estamos acostumados.
Professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul
 
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