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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 17h09.

Jornal do Comércio

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Saúde Pública

Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 03/09 às 21h19min

Motivo para abate de cervos ainda é incerto

Grupo fixou 24 cruzes para representar animais que já foram abatidos

Grupo fixou 24 cruzes para representar animais que já foram abatidos


JACKSON MÜLLER/DIVULGAÇÃO/JC
Suzy Scarton
A decisão que autorizou o abate de 20 cervos do parque Pampas Safari, em Gravataí, ainda causa questionamentos entre organizações ambientais e defensores de animais. O assunto foi trazido à pauta depois de denúncia da deputada estadual Regina Becker (Rede), que tornou pública a decisão de sacrificar cerca de 300 cervos exóticos devido à contaminação por tuberculose. No entanto, a deputada também trouxe à público laudos de testes realizados nos animais entre o segundo semestre de 2016 e janeiro deste ano, que não comprovaram a contaminação.
De um lado, o coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Paulo Wagner, argumenta que a deputada tem "se antecipado aos fatos sem ter pleno conhecimento de todos os dados". Ele explica que esses laudos passaram pelo Ibama, mas que a técnica utilizada para testar a presença da tuberculose não era adequada. "Não conseguiram confirmar que os animais eram negativos para a doença, portanto, não autorizamos a venda da carne para a comercialização", conta.
Uma vez que a legislação permite a venda e o consumo de carne cervídea, a decisão de abater os animais é prerrogativa do proprietário do parque. O Ibama, no entanto, concede autorização, uma vez que monitora as condições sob as quais o abate é realizado. "Quando não aceitamos os laudos negativos e pedimos que fossem refeitos, (os proprietários) desistiram de vender a carne e mandaram abater sem comercialização posterior", relata Wagner. O coordenador acredita que, caso o Ibama tivesse aceitado os laudos, todos os cervos já teriam sido abatidos. Ele também argumenta que esses documentos, que estavam na Inspetoria Veterinária de Gravataí, foram repassados à deputada Regina sem a devida autorização. "Por que não pegaram os laudos positivos? Estão lá também", questiona.
O coordenador também diz ter recebido um laudo da Secretaria Estadual da Saúde, por meio da Vigilância Sanitária, que confirmou que a bactéria que se encontra nos cervídeos é transmissível ao ser humano. "Estão dizendo que estamos mandando matar porque não queremos fazer mais nada. Me dê outro empreendedor que receba 300 cervos com suspeita de tuberculose", provoca.
Para evitar o abate, a deputada ingressou com ação judicial, acolhida pela Justiça gaúcha, que suspendeu a medida. O juiz João Ricardo dos Santos Costa determinou que os animais contaminados fossem isolados e que os cervos fossem separados por sexo, para evitar a procriação. A multa para descumprimento é de R$ 50 mil. A decisão tem caráter liminar e o Pampas Safari pode recorrer. "Nenhum animal consegue ser tratado, nem examinado, e continuam circulando lá dentro, inclusive os silvestres. O Ibama está de mãos atadas. E a deputada chamou para ela a responsabilidade pela definição do problema, e os órgãos ambientais vão cobrar isso", garante Wagner.
Por outro lado, o diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente de Gravataí, Jackson Müller, explica que, entre outubro de 2016 e janeiro deste ano, foram feitas avaliações em mais de 250 animais utilizando a injeção de tuberculina, proteína que causa resposta alérgica naqueles que já foram ou que estão contaminados pela doença. "O veterinário não identificou a tuberculose nesse plantel avaliado. O motivo principal alegado para o abate, que era a contaminação generalizada desses animais, não se verificou", diz.
Ele ainda questiona a autorização concedida pelos órgãos ambientais, que permitiu o sacrifício de pelo menos 20 cervos em frigorífico licenciado, com procedimento que não causa sofrimento ao animal. "Conversamos com o proprietário do frigorífico e ele, com experiência de mais de 20 anos no ramo, acredita que os animais não estavam doentes", relata.
Segundo Müller, novos laudos, a serem entregues nesta semana, devem comprovar a contaminação ou não dos animais que já foram abatidos. "O abate está sendo conduzido de forma nebulosa, escondida. Há uma dúvida quanto ao motivo para determinar o abate sem comunicar a Secretaria de Saúde local, ou mesmo o órgão municipal de meio ambiente", questiona. Até que a situação esteja devidamente esclarecida, a Fundação Municipal do Meio Ambiente vai manter a suspensão da retirada de animais do interior do parque.
No sábado, ativistas da causa animal e ambientalistas protestaram em frente à entrada do parque. O grupo levou balões brancos e cartazes, e colocou 24 cruzes em frente ao local, representando os animais já sacrificados - entre os 20 cervos, quatro eram fêmeas prenhes.
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