Porto Alegre, sexta-feira, 16 de outubro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 16 de outubro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

OPINIÃO

- Publicada em 16h25min, 27/09/2017. Atualizada em 17h06min, 15/10/2020.

Valorização e reconhecimento do trabalho médico

Fernando Weber Matos
A população, sofrida e angustiada diante da desassistência de saúde, que se agrava cada vez mais, e da desinformação que impera no setor, muitas vezes vê na figura do médico um dos principais responsáveis pela crise no setor. Poucos se dão conta que todo o sistema de saúde depende de decisões oriundas dos gabinetes climatizados de Brasília.
A população, sofrida e angustiada diante da desassistência de saúde, que se agrava cada vez mais, e da desinformação que impera no setor, muitas vezes vê na figura do médico um dos principais responsáveis pela crise no setor. Poucos se dão conta que todo o sistema de saúde depende de decisões oriundas dos gabinetes climatizados de Brasília.
Mas quem está mais próximo, mais acessível, acaba sendo responsabilizado, o que é compreensível. Afinal, é o médico quem está na linha de frente, olho no olho com o paciente, muitas vezes sem as mínimas condições de trabalho, a começar pela falta de material, equipamentos, estrutura física e, o que também é muito importante e pouco considerado pelos gestores: segurança ausente ou insuficiente.
O que a população não sabe, talvez nem suspeite, é que o médico, assim como os outros trabalhadores da saúde pública e o próprio paciente, também é vítima desse descaso permanente com a saúde, prioridade somente nas eleições.
Os governos não destinam os recursos necessários para atender a uma demanda crescente no SUS - o aumento do desemprego fez com que milhares de pessoas abandonassem seus planos privados de saúde - e, para piorar, há sérios problemas de gestão.
Então, para desviar o foco da verdadeira causa dessa crise na saúde, os governos usam de artifícios e medidas paliativas, como a criação do programa Mais Médicos, que, até o começo deste ano, havia tragado mais de R$ 5,7 bilhões, segundo dados do Ministério da Saúde.
Dentro dessa mesma linha eleitoreira, o governo anterior criou as UPAs, verdadeiros elefantes brancos que os municípios receberam e que não conseguem manter. Por isso, a maior parte das unidades permanece fechada ou sequer saiu do papel.
Já o governo atual, através do ministro Ricardo Barros, direcionou seus ataques aos médicos, diante da incapacidade para dar uma resposta aos anseios da sociedade, que há anos clama por um atendimento digno de saúde, mas só encontra como resposta discursos e promessas. Em julho deste ano, o ministro da Saúde pegou pesado ao afirmar que os médicos da saúde pública "fingem que trabalham", uma acusação tão desprovida de realidade que, uma semana depois, ele a retirou, também em função da reação forte dos Conselhos de Medicina.
O que o ministro não diz, não reconhece, é que, se dependesse dos médicos, não haveria pacientes amontados nos corredores das emergências ou até mesmo jogados no chão, enquanto esperam por um leito. E o ministro, que tem plena consciência da realidade, ainda vem a público declarar que não faltam hospitais e leitos no Brasil. Mais uma declaração infeliz.
Afrontados e angustiados, os médicos se redobram para prestar atendimento, que está longe de ser o ideal num quadro de dor e desespero como esse, infelizmente cada vez mais comum. Contribui, e muito, para esse drama que parece não ter fim o desvio das verbas que deveriam ser destinadas à saúde, e que acabaram tendo outro fim. Recentemente, a senadora Ana Amélia Lemos (PP) destacou que a Controladoria-Geral da União constatou desvios superiores a R$ 5 bilhões na saúde pública no período de 2012 a 2015 (27,3% do total de irregularidades em toda a administração federal). Quantas vidas poderiam ser salvas se essa cifra chegasse ao seu verdadeiro e legítimo destinatário?
Assim, esse caos na saúde não passa pelos médicos. Se ainda existe assistência de saúde nos postos, nas unidades básicas e nos hospitais públicos, deve-se muito aos médicos. Sem condições adequadas de trabalho, remuneração atrasada e contratos precários, os médicos brasileiros buscam fazer a sua parte com ética e abnegação sempre, como neste 18 de outubro.
Foi pensando nisso que o Cremers deflagrou forte campanha publicitária com o objetivo de neutralizar a imagem negativa do médico, construída nos últimos tempos, buscando valorizar e destacar a relevância de sua atividade e sua importância para a sociedade.
Feliz Dia do Médico! É o que deseja o Conselho de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul a todos os médicos que honram e dignificam esta nobre profissão.
Presidente do Cremers
Comentários CORRIGIR TEXTO