Porto Alegre, sexta-feira, 16 de outubro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 16 de outubro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

DIABETES

- Publicada em 11h19min, 27/09/2017. Atualizada em 16h39min, 15/10/2020.

Aumentam os casos da doença entre crianças e jovens

Suzana diz que tratamento de quem desenvolveu diabetes na infância é mais complexo

Suzana diz que tratamento de quem desenvolveu diabetes na infância é mais complexo


CLAITON DORNELLES /JC
A obesidade está provocando o surgimento cada vez mais precoce do diabetes tipo 2 em adolescentes e crianças. Os casos, que antes eram raros nestas fases da vida, vêm crescendo nos últimos anos. Atualmente, o Instituto da Criança com Diabetes, do Hospital Conceição, atende a 80 casos com pacientes diagnosticados abaixo dos 18 anos. Esse número é considerado alto em proporção a outros hospitais que não têm ambulatório específico nesta especialidade.
A obesidade está provocando o surgimento cada vez mais precoce do diabetes tipo 2 em adolescentes e crianças. Os casos, que antes eram raros nestas fases da vida, vêm crescendo nos últimos anos. Atualmente, o Instituto da Criança com Diabetes, do Hospital Conceição, atende a 80 casos com pacientes diagnosticados abaixo dos 18 anos. Esse número é considerado alto em proporção a outros hospitais que não têm ambulatório específico nesta especialidade.
Já do diabetes tipo 1 são 3 mil pacientes tratados no instituto, e os casos estão se expandindo em menores de cinco anos. Os motivos ainda estão sendo estudados, e há suspeitas de que possam ter conexão com fatores ambientais. Há pesquisas em andamento, mas os motivos que desencadeiam a doença são muito diferentes em cada país. O diagnóstico precoce é uma das chaves para que o paciente não comece o tratamento em um quadro mais agudo. Emagrecimento, muita sede, aumento da urina são alguns dos sintomas apresentados pela doença.
Se o nome é o mesmo, diabetes, o tratamento é distinto. Enquanto no tipo 1 é uma doença autoimune, ligada à herança genética, em que os anticorpos do sistema de defesa destroem células do corpo que produzem insulina, o tipo 2 surge como consequência da obesidade.
Conforme a endocrinologista do Instituto da Criança com Diabetes Suzana Lavigne, é bem mais complexo o tratamento de quem desenvolveu a diabetes na infância, porque existem mais erros metabólicos e alimentares.
"No caso de crianças com o diabetes tipo 2, os prognósticos são assustadores, porque evolui muito mais rápido. Além disso, elas têm dificuldade de manter e atingir as metas que estabelecemos. Elas são mais hipertensas e dislipidêmicas, e deterioram o controle de forma rápida", relata a médica. Por todas estas razões, é um grupo que chama a atenção pela dificuldade de adesão ao tratamento, segundo a médica.
Enquanto a cura não chega, para agravar o quadro do tipo 2, as ferramentas utilizadas são restritas, pois as medicações existentes são aprovadas apenas para adultos. "Fazer estudo de medicação em crianças é complexo. Isso não é permitido pelos órgãos de fiscalização. É necessário, primeiro, testar em adultos para, depois, usar em crianças", lembra a endocrinologista. Por isso, a recomendação aos pacientes passa a ser insulina, dieta e exercício.
Suzana conta que o desafio nos casos do diabetes tipo 2 infantil passa pela mudança de hábitos de toda a família. Na sua experiência este processo vai além da dieta alimentar, pois é preciso incluir a atividade física também. "Se não gerenciar, a família não consegue nem tentar minimizar o impacto da doença", alerta.

Uma patologia crônica e silenciosa

Exercícios e alimentação correta ajudam a baixar taxas de glicemia
Exercícios e alimentação correta ajudam a baixar taxas de glicemia
FREEPICK/DIVULGAÇÃO/JC
A piora na qualidade de vida, principalmente o trio má alimentação, sedentarismo e obesidade, está fazendo com que pessoas jovens desenvolvam a diabetes precocemente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença será a sétima causa de morte até 2030.
Segundo a instituição, o número de adultos diabéticos no mundo quadruplicou desde 1980. No Brasil, a estimativa é que existam mais de 13 milhões de pessoas com o problema, o que representa 6,9% da população.
Crônica e silenciosa, a diabete inicial não apresenta sintomas, e pelo menos metade dos pacientes diagnosticados não sabe que tem a doença. Os sinais aparecem quando o quadro já está mais avançado e podem ser sede excessiva, fraqueza e vontade constante de urinar.
A orientação dos médicos é que, a partir dos 40 anos, as pessoas façam exames de rotina para detectar esse e outros problemas de saúde. A diabetes é uma doença no qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz.
A endocrinologista e chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Mãe de Deus, Melissa Barcellos Azevedo, explica que o fator genético também é um grande risco para desenvolver a diabetes. No entanto, já é possível perceber gerações de famílias apresentando a doença cada vez mais cedo. "Antigamente, as pessoas se tornavam diabéticas em função da idade e do fator genético. Porém o que realmente determina é como, ao longo da vida, se administram os hábitos alimentares e a questão do peso", afirma.
Assim como outras doenças, a prevenção ainda é o melhor remédio. Melissa diz que é fundamental manter o peso o mais próximo do ideal possível, sempre respeitando as características físicas e clínicas de cada um. "Não se deve exceder em alimentos ricos em carboidratos, açúcar e gordura, pois eles aumentam a produção de glicose e dificultam a ação da insulina", explica.
Exercícios físicos regulares ajudam a baixar as taxas de glicemia. Quando se gasta mais energia, o organismo usa o açúcar do sangue em velocidade maior.
A endocrinologista alerta ainda para a diabetes gestacional. Segundo Melissa, a mulher que apresenta a doença durante a gravidez fica com uma predisposição elevada para se tornar diabética para o resto da vida. "A gestante está em um período em que ocorrem várias transformações hormonais, e uma das principais envolve a circulação de insulina. Se a mulher está acima do peso e tem um histórico familiar, é mais suscetível a desenvolver o problema", diz.
 

FIQUE ATENTO SE VOCÊ TEM

  • Diagnóstico de pré-diabetes - diminuição da tolerância à glicose ou glicose de jejum alterada
  • Pressão alta
  • Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue
  • Sobrepeso e, principalmente, se a gordura estiver concentrada em volta da cintura
  • Pai ou irmão com diabetes
  • Alguma outra condição de saúde que pode estar associada ao diabetes, como a doença renal crônica
  • Teve bebê com peso superior a quatro quilos ou  diabetes gestacional
  • Síndrome de ovários policísticos
  • Diagnóstico de alguns distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão ou transtorno bipolar
  • Apneia do sono
  • Recebeu prescrição de medicamentos da classe dos glicocorticoides
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes
Comentários CORRIGIR TEXTO