Porto Alegre, sexta-feira, 20 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

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DOENÇAS AUTOIMUNES

Notícia da edição impressa de 18/10/2017. Alterada em 20/10 às 19h52min

Cerca de 65 mil pessoas têm lúpus no Brasil

Brenol diz que doença causa grande impacto em pacientes e familiares

Brenol diz que doença causa grande impacto em pacientes e familiares


MARCELO G. RIBEIRO/JC
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém atinge nove vezes mais mulheres que homens. Estima-se que cerca de 65 mil pessoas tenham a doença no Brasil. As principais vítimas são adultos jovens, entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e afro-descendentes.
O reumatologista Claiton Brenol, chefe do serviço de reumatologia do Hospital de Clínicas e coordenador do Serviço de Reumatologia do Mãe de Deus, diz que a enfermidade causa um grande impacto nos pacientes e familiares, pois grande parte é de mulheres jovens que estão em fases muito produtivas na sociedade, e que acabam tendo uma piora na qualidade de vida, tendo que conviver com uma doença que pode trazer dor, limitações nas suas atividades diárias e uso de medicamentos. "O apoio da família, do médico e de profissionais variados da saúde é fundamental", diz ele. O lúpus não tem cura, mas existem tratamentos que controlam bem a doença.
Ele é uma doença inflamatória crônica, de origem autoimune, e os sintomas podem surgir em diversos órgãos, de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas). São reconhecidos dois tipos principais de lúpus: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele, e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos. Ainda não se sabe a causa da doença, mas fatores genéticos, hormonais e ambientais têm participação. Por isso, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismos), passam a apresentar alterações imunológicas.
Segundo Brenol, os sintomas podem se apresentar de diversas formas, como cansaço, perda de apetite, desânimo, febre baixa, dor articular e manifestações de pele. Em situações mais graves, outros órgãos podem ser acometidos: rins, cérebro e pulmão, por exemplo. O reumatologista explica que o diagnóstico é confirmado por meio de exames de sangue e urina. Quando o exame fator antinuclear dá positivo, o diagnóstico é quase 100% específico.

Cuidados para as pessoas com a doença

  • Tratamento com remédios e acompanhamento médico
  • Evitar alimentos ricos em gorduras e o álcool (mas o uso de bebidas alcoólicas em pequena quantidade não interfere especificamente com a doença)
  • Repouso adequado
  • Evitar estresse
  • Atenção rigorosa com medidas de higiene (pelo risco potencial de infecções)
  • Pessoas com hipertensão ou problemas nos rins devem diminuir a quantidade de sal na dieta; e as com glicose elevada no sangue devem restringir o consumo de açúcar e alimentos ricos em carboidratos
  • Suspender o tabagismo
  • Medidas de proteção contra a irradiação solar
  • Fazer atividade física
 Fonte: Sociedade Brasileirade Reumatologia

Mulheres são as que mais sofrem com as enfermidades

Maioria dos registros de autoimunes está entre pacientes femininas
Maioria dos registros de doenças autoimunes são entre pacientes femininas, embora não haja explicação clara dos motivos
Mariana Carlesso/MARIANA CARLESSO/JC
A maioria das doenças autoimunes afeta mais as mulheres que os homens, e ainda não há uma explicação clara dos motivos. O reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Autoimunidade, Carlos Alberto von Mühlen, acredita que a parte hormonal seja preponderante, com o hormônio feminino estrógeno atuando como facilitador do surgimento de imunidade contra o próprio corpo. Segundo ele, na artrite reumatoide, a proporção é de três mulheres doentes para um homem. No lúpus, sobe de nove para um.
Nas crianças, aparecem a febre reumática, reumatismo associado às infecções por estreptococo da garganta, e as artrites juvenis. A febre reumática causa sopro no coração, lesões na pele, artrite, nódulos abaixo da pele, coreia (movimentos involuntários das extremidades) e febre elevada. Já as artrites juvenis podem se manifestar de várias formas, com inchaço das juntas e febre vespertina, manchas que vão e vêm na pele, ínguas pelo corpo, prostração, fraqueza e inflamações nos olhos.
As doenças autoimunes são aquelas em que o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do próprio corpo. Como as causas dessas doenças ainda são desconhecidas, os pesquisadores tentam estabelecer os mecanismos imunológicos básicos e a cascata de eventos que levam à inflamação, formação de anticorpos que erram o alvo (autoanticorpos) e que lesam os vários tecidos do corpo.
O reumatologista diz que há muita investigação sobre as bases genéticas, quais os genes envolvidos nas doenças e quais os que conferem maior suscetibilidade. "A epigenética também tem merecido atenção, ou seja, como o meio ambiente altera os genes de suscetibilidade, facilitando assim a autoimunidade", afirma ele, citando como exemplo a radiação ultravioleta do sol ou de lâmpadas fluorescentes, o cigarro e certos alimentos.
A boa notícia são os avanços no tratamento. Nos últimos anos, houve uma revolução com a introdução das drogas biológicas, consideradas verdadeiras balas mágicas que têm como alvo as moléculas envolvidas nas inflamações. "Isto fez com que houvesse menor necessidade de uso de corticoides e de remédios imunossupressores, imunomoduladores e quimioterápicos, com grandes vantagens para o sucesso dos tratamentos e, claro, com menos para-efeitos", afirma Mühlen.
Entre as doenças reumáticas mais comuns estão artrite reumatoide, psoríase, artrite psoriásica, lúpus eritematoso sistêmico, tireoidites crônicas com hipotireoidismo, diabetes mellitus tipo I (dependente de insulina), doença celíaca (intolerância imunológica ao glúten), esclerose múltipla, uveítes (inflamação interna dos olhos) e espondilite anquilosante.
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