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LONGEVIDADE

- Publicada em 17h42min, 20/10/2017. Atualizada em 16h58min, 15/10/2020.

Gerontolescência, uma forma de envelhecer

Ideia é ajudar essa fatia da população com problemas de rendimentos

Ideia é ajudar essa fatia da população com problemas de rendimentos


MARCO QUINTANA/JC
O termo adolescência, usado pela primeira vez no final do século XIX, surgiu para descrever a fase de transição entre a infância e vida adulta. Hoje, uma nova fase surgiu: a gerontolescência. A diferença entre esses dois períodos é que a adolescência dura de quatro a cinco anos e a gerontolescência, de 20 a 30.
O termo adolescência, usado pela primeira vez no final do século XIX, surgiu para descrever a fase de transição entre a infância e vida adulta. Hoje, uma nova fase surgiu: a gerontolescência. A diferença entre esses dois períodos é que a adolescência dura de quatro a cinco anos e a gerontolescência, de 20 a 30.
"Esta geração que está vivendo a gerontolescência, período mais longo entre vida adulta e velhice, é uma geração que se sente confortável em se fazer ouvir e que está reinventando a forma como se vive e se percebe a velhice. Nunca se havia visto um grupo de pessoas perto dos 65 anos que fosse tão bem informado, tão rico e em tão boa saúde. Assim, sabemos que esta geração viverá uma velhice de forma diferente dos que a antecederam", afirma o geriatra João Senger.
Segundo o médico, envelhecer é, cada vez mais, um processo individual, com múltiplas oportunidades de desenvolvimento pessoal e de prolongamento da jovialidade, seja por meio do autocuidado ou por produtos e serviços de tratamentos estéticos.
"Os gerontolescentes estão à frente da tendência de desaposentadoria, que está mudando a forma como entendemos o trabalho e a aposentadoria. Ter como fim a aposentadoria, como início da parada de atividades, é decretar o fim da vida", observa.
Para a psicopedagoga Tanani Ledur, a autoestima é fundamental para viver mais e melhor. "Quem gosta de si sente-se confortável na presença de outras pessoas e interage em diversas ocasiões sociais", explica, comentando que os familiares devem estar atentos a mudanças de comportamento dos idosos, oferecendo ajuda e alternativas de diversão e cuidados básicos.
Mas, para chegar a essa fase da vida bem de saúde e mente, é preciso estar atento ao tripé: exercício físico, cuidados nutricionais e equilíbrio emocional. Manter-se ativo ajuda na prevenção e tratamento de várias patologias, como infarto, diabetes, depressão, entre outras.
Outro segredo para se viver mais e melhor é manter uma dieta longe das gorduras saturadas e colesterol (frituras, carne gorda, leite integral, bolachas industrializadas, sorvete, manteiga e nata), pouco sal e açúcar. Por outro lado, devem ser ingeridos legumes, verduras, frutas, cálcio e peixes.

Música para estimular o bem-estar

Ferramenta terapêutica auxilia no tratamento de doenças e estimula a memória e o convívio social
Ferramenta terapêutica auxilia no tratamento de doenças e estimula a memória e o convívio social
/CRISTINE FOERNGES/DIVULGAÇÃO/JC
Não importa o estilo, ritmo ou gosto, a música, além de promover relaxamento e bem- estar, é capaz de auxiliar no tratamento de algumas doenças e estimular a memória e o convívio social. Quando trabalhada em idosos, a musicoterapia proporciona melhora no humor e aumento da autoestima, afirma a bacharel em Regência Coral e musicoterapeuta do Sinfonia Hotel Residência, Liris Neumann.
De acordo com Liris, a técnica que utiliza a música como ferramenta terapêutica pode auxiliar na prevenção das mudanças psicológicas que ocorrem com a idade. "Nossos encontros são prazerosos, aproveitamos para cantar, brincar e utilizar a criatividade para improvisar", afirma.
Na musicoterapia, são utilizados os efeitos que a música pode produzir nos seres humanos, atuando como uma facilitadora da expressão humana, dos movimentos e dos sentimentos. "É a música sendo utilizada como aliada na preservação da memória e na melhora da qualidade de vida de idosos", observa.

O brasileiro está ficando mais velho

O brasileiro está vivendo mais, tanto que o País já tem a quinta maior população idosa do mundo, com cerca de 28 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. A expectativa de vida dos nascidos em 2015 aumentou e passou a ser de 75,5 anos. Em 2014, era de 75,2 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com as estimativas, em 2030, o número de brasileiros com 60 anos ou mais ultrapassará o de crianças de 0 a 14 anos de idade.
Em 2015, o estado com maior expectativa de vida foi Santa Catarina (78,7 anos). Logo em seguida aparecem Espírito Santo, Distrito Federal, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com valores acima de 77 anos. No outro extremo está o Maranhão, com a menor expectativa de vida ao nascer (70,3 anos).
As doenças crônicas não transmissíveis - como são chamados, por exemplo, infarto, AVC, diabetes e hipertensão - respondem por 72% das mortes no Brasil. A má alimentação, o sedentarismo e o consumo de cigarro e álcool colaboram para o aparecimento destas enfermidades, e exigem formas de organização do sistema para promover o cuidado e a prevenção.
Uma análise realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), mostra que um em cada três idosos brasileiros apresentava alguma limitação funcional. Destes, 80%, cerca de 6,5 milhões de idosos, conta com ajuda de familiares para realizar alguma atividade do cotidiano, como fazer compras e vestir-se, mas 360 mil não possuem esse apoio.
Com a população mais velha, um segmento que cresce é o de casas geriátricas. O Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) conta com o Departamento de Residenciais Geriátricos, que reúne 17 proprietários de empresas. O coordenador Thiago Lopes afirma que o objetivo do trabalho é fortalecer os laços, desmistificar o segmento e melhorar a qualidade dos serviços.
Para os familiares que buscam um lugar seguro para o idoso, Lopes orienta que observem bem o local antes de contratar o serviço. Entre os aspectos que devem ser levados em conta estão a estrutura física, acessibilidade, capacitação e quantidade de profissionais de saúde que fazem o atendimento, alvará do órgão responsável, área externa para pegar sol e como estão as pessoas que vivem na casa. "É importante agendar uma visita para conhecer o ambiente, mas também fazer uma visita surpresa", indica o coordenador.
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