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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de setembro de 2017. Atualizado às 00h01.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

28/09/2017 - 23h37min. Alterada em 29/09 às 00h02min

Brasil é um dos países mais desiguais, no mundo', diz Piketty

Piketty defendeu o aumento de imposto sobre renda e herança dos mais ricos

Piketty defendeu o aumento de imposto sobre renda e herança dos mais ricos


LUIZ MUNHOZ / FRONTEIRAS DO PENSAMENTO/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
O público que lotou o Auditório Araújo Vianna, na noite dessa quinta-feira em Porto Alegre, ouviu o economista francês Thomas Piketty advertir: "O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Se não o mais desigual". E ainda repetir o que já havia dito na sessão do Fronteiras do Pensamento em São Paulo, que esperava que as elites brasileiras fossem mais inteligentes que as europeias para tomar medidas para reduzir as desigualdades de renda, já que houve muita resistência em nações mais ricas, no princípio do século passado para aceitar maior tributação sobre renda e heranças.
Para o francês, este caminho ajudou a reduzir os desequilíbrios e a desenvolver as economias. O foco dos estudos do francês e que fizeram a fama do seu best-seller O Capital no século XXI, de 2013, é a trajetória da renda e suas consequências. O conferencista do Fronteiras do Pensamento, apesar de admitir que não conhece tão a fundo a estrutura de renda no Brasil e nem querer dizer o que deve ser feito, alertou para a necessidade de mexer na desproporção de renda entre os mais ricos e os mais pobres.
Ele arrancou aplausos, e até um "Fora Temer" tímido da plateia, ao salientar que, entre 2001 e 2015, embora sem nomear governos, houve redução de desigualdades, mesmo que pequena. "Numa época em que países como os Estados Unidos estavam indo em caminho oposto", destacando como causas os aumentos do salário-mínimo e o Bolsa Família. "A classe mais pobre teve crescimento de renda, considerando (o crescimento) baixo, mas ainda assim um sinal de distribuição." Já os 1% mais ricos chegaram a 27% da renda total, emendou. 
Para o economista, as saídas do Brasil passam por políticas que aumentem a renda dos mais pobres e façam reforma tributária, que é uma das fontes da concentração de riqueza. "O sistema tem muitos impostos indiretos, que pesam para a renda mais baixa, e o imposto progressivo (de renda) e sobre herança são limitados", apontou o conferencista. O tema do imposto progressivo e sobre herança deve ganhar publicação sobre o Brasil, avisou Piketty.
Ao confrontar o imposto progressivo que é praticado nos Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra, o autor observou que houve resistências das elites, mas se chegou à tributação de 80% até 90% da renda mais alta. "Isso aparentemente não destruiu o capitalismo, pelo menos não percebemos isso", desafiou o francês. O imposto sobre herança é de 30% a 40% nessas nações. "Não digo que 30% a 40% deveria ser um número mágico, mas 3% a 4% (como é no Brasil) é muito baixo." 
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