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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de setembro de 2017. Atualizado às 00h18.

Jornal do Comércio

Economia

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Previdência

Notícia da edição impressa de 14/09/2017. Alterada em 13/09 às 21h34min

Petros inicia agenda para programa de recuperação

Equacionamento prevê que 77 mil pessoas, entre funcionários da ativa e aposentados, serão afetados

Equacionamento prevê que 77 mil pessoas, entre funcionários da ativa e aposentados, serão afetados


/VANDERLEI ALMEIDA/AFP/JC
Walter Mendes, presidente da fundação de seguridade social da Petrobras, a Petros, iniciou ontem uma agenda de comunicação com participantes para defender as condições do plano de equacionamento do déficit de R$ 22,6 bilhões, aprovado pelo conselho deliberativo da instituição. Em vídeo no site da Petros, Mendes afirma que possíveis desvios de recursos em maus investimentos são "casos graves", mas "não são as únicas e nem as principais causas do déficit do plano".
A Petros defende que os maus investimentos respondem por 60% do rombo, mas que nem toda perda é fruto de má-fé. "Realizamos e ainda vamos realizar várias comissões internas de apuração para averiguar eventuais irregularidades", disse Mendes, complementando, em seguida, que a atual diretoria atua para evitar novos episódios de corrupção, como os ocorridos em gestões passadas do fundo de pensão.
O presidente da fundação destacou ainda que alguns investimentos não deram o retorno esperado por conta da conjuntura econômica. "Ações caíram, títulos públicos perderam valor de mercado, ativos de crédito das empresas sofreram com inadimplência, os preços dos imóveis e aluguéis despencaram e os investimentos retrocederam. Essa conjuntura difícil atingiu não só a Petros, mas todo o mercado", afirmou.
No vídeo, ele também argumenta que compensações financeiras são típicas desse tipo de plano, de benefício definido, em que o valor recebido na aposentadoria é determinado no momento da adesão, antes mesmo do início das contribuições que vão formar o patrimônio. "Se o valor do benefício é definido, as contribuições precisam variar ao longo do tempo para fazer frente a essas mudanças, nas condições econômicas e sociais", afirmou o presidente da Petros.
A Petrobras e os participantes do maior plano de pensão dos empregados da estatal terão de injetar R$ 27,7 bilhões para cobrir o rombo. De acordo com plano de equacionamento aprovado pelo conselho deliberativo da Petros, a Petrobras entrará com R$ 12,8 bilhões, e a BR Distribuidora, com R$ 900 milhões.
Já os cerca de 77 mil participantes - entre empregados da ativa e aposentados - dividirão o restante, por meio da cobrança de parcelas mensais sobre seus vencimentos pelos próximos 18 anos.

Participantes vão à Justiça contra plano para cobrir rombo

A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) vai questionar na Justiça o plano de ajuste no principal fundo de pensão da estatal, que prevê aporte de R$ 27,7 bilhões de empregados e da estatal para cobrir o rombo acumulado entre 2013 e 2015.
Aprovado pelo conselho deliberativo da Petros, o plano estabelece, por 18 anos, contribuição extraordinária para os empregados e aposentados. Eles serão responsáveis por injetar R$ 18 bilhões no Plano Petros do Sistema Petrobras (PPSP), que tem 77 mil participantes.
A Petrobras e a BR Distribuidora contribuirão com o restante, caso a proposta seja aprovada pela Sest (Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais).
"Nos últimos 14 anos, as contas da Petros foram rejeitadas pelo conselho fiscal, mas depois aprovadas pelo conselho deliberativo, que é controlado pela Petrobras. E agora os trabalhadores pagam a conta", disse o presidente da Aepet, Fernando Siqueira.
A entidade convocou para o dia 25 uma reunião para definir a estratégia na Justiça, considerada "a mais dura batalha a ser enfrentada" pela categoria. Chamou para o evento, além dos participantes do plano, a OAB.
Entre 2013 e 2015, a PPSP acumulou déficit de R$ 25,6 bilhões, provocado por questões estruturais, como a mudança no perfil dos assistidos, e por perdas com investimentos. A Petros é acusada pelos participantes de ter cedido a pressões políticas para investir em negócios de interesse do governo PT, como a empresa de sondas Sete Brasil.
"Há também outros investimentos malfeitos, como os 70 identificados pela consultoria EY", acrescentou Siqueira, referindo-se a relatório no qual a consultoria identifica perdas com aportes em fundos com garantias insuficientes.
Siqueira, porém, lembra que, apenas na Sete Brasil, a Petros perdeu R$ 2 bilhões. Ele cita ainda decisão tomada pelo conselho deliberativo em 2008 para reduzir à metade dívida de
R$ 9,8 bilhões da Petrobras com o plano. "O participante não teve nenhum poder de decisão nesses casos." Ele admite a necessidade de ajuste no fundo, mas defende a cobrança de alíquotas menores.
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