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Porto Alegre, domingo, 24 de setembro de 2017. Atualizado às 22h10.

Jornal do Comércio

Cultura

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cinema

Notícia da edição impressa de 25/09/2017. Alterada em 22/09 às 15h49min

Estrangeiros na disputa: conheça alguns adversários de Bingo na disputa pelo Oscar

Uma mulher fantástica está na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro

Uma mulher fantástica está na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro


PRIMEIRO PLANO/DIVULGAÇÃO/JC
Mesmo que consiga uma vaga entre os finalistas para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, a parada promete ser duríssima para o brasileiro Bingo - o rei das manhãs. Vêm do Chile e da Bulgária dois outros elogiados títulos que prometem esquentar a briga pela estatueta dourada de filme estrangeiro.
Escolhido para representar a Bulgária, Glory centra o foco em Tzanko Petrov (Stefan Denolyubov), um humilde trabalhador de uma empresa ferroviária estatal, e Julia Staykova (Margita Gosheva), diretora de comunicação do Ministério dos Transportes. Petrov passa os dias fazendo a manutenção dos trilhos até encontrar uma mala de dinheiro.
Imediatamente, entrega a quantia para a empresa, que decide transformá-lo em uma espécie de herói nacional, vendendo-o diante das câmeras como a personificação do trabalhador honesto. A estratégia midiática tem uma razão pouco nobre: tomado por denúncias de corrupção, o ministério procura melhorar a sua imagem diante da população. "Na Bulgária, o nível de absurdo na vida real é esmagador. Volta e meia a gente lê uma notícia e fala: Isso aqui daria um filme, vamos fazer", relata a dupla de cineastas, por e-mail.
Petrov é gago, tem dificuldade para se comunicar e se vê desnorteado no circo midiático em que abruptamente se encontra. Uma série de incidentes faz crescer a tensão entre o trabalhador e a diretora de comunicação, apresentada como uma mulher calculista. O conflito entre os dois se aprofunda até Glory se transformar numa história de suspense com gotas de humor negro, enquanto as entrelinhas falam de falhas humanas e injustiças sociais.
Assim como o filme anterior da dupla, A lição (2014), baseado numa reportagem sobre uma professora que havia roubado um banco, Glory recebeu elogios pelas atuações e pelo tom realistas, que renderam comparações aos irmãos Dardenne, cujos filmes também tratam da classe operária e de personagens em situações extremas.
"Nosso estilo é uma escolha pragmática", explicam Kristina e Valchanov. "Quando você trabalha com um orçamento pequeno, passa a evitar situações grandiosas. Além disso, o objetivo é deixar as cenas vivas e naturais, dando mais espaço aos atores para improvisar. A câmera tem que estar pronta para segui-los."
Corta para o Chile. É de lá que vem o celebrado Uma mulher fantástica, de Sebástian Lelio, também indicado pelo país para concorrer como filme estrangeiro. Controverso, o filme tem atraído um bom público aos cinemas. A trama é centrada na personagem Marina, vivida pela atriz transexual Daniela Vega (que, segundo a crítica, por pouco não levou o prêmio de interpretação feminina no último Festival de Berlim).
Na Berlinale, Lelio afirmou que o grande desafio foi fazer seu filme com uma trans. "Daniela (Vega) é conhecida no Chile como cantora lírica e, embora seja também atriz, parecia arriscado fazer dela a protagonista absoluta de um filme que depende muito do papel, e de quem o interpreta", relembra. "De qualquer maneira, não creio que teria sido viável fazer o filme de outra forma, com uma mulher ou mesmo um homem travestido. Seria um anacronismo estético, quem sabe uma aberração", destaca o diretor.
Desde que o projeto começou a tomar forma, Lelio e Daniela uniram-se num ponto. "Era absolutamente necessário que Marina provocasse empatia no público. A ideia desse filme é que, independentemente de discordâncias de gênero ou sexo, as pessoas terminassem torcendo por ela. Vivemos um mundo de aparência. É como as pessoas te veem, não como és", destaca o diretor.
Alguns momentos são cruciais no processo de descoberta de Marina. Porque, no fundo, ela é só uma mulher que está querendo fazer o luto pela morte do companheiro, Orlando. "Se fosse uma mulher, a oposição da família talvez fosse a mesma, porque envolve bens materiais, partilha. O fato de ser uma trans somente acirra o preconceito", conta o realizador.
Em Berlim, Daniela relatou em coletiva de imprensa que falta uma legislação de gênero no Chile. "O assunto agora entrou em pauta no Senado. Eu, por exemplo, não tenho uma identidade feminina. Meus documentos são de homem, e isso faz com que, a cada vez que tenha de mostrá-los, termine sofrendo algum constrangimento. A violência institucional é muito grande", finaliza ela.
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