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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de setembro de 2017. Atualizado às 21h20.

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Direito de Família

Notícia da edição impressa de 26/09/2017. Alterada em 25/09 às 18h21min

Atendimento jurídico-psicológico possibilita melhor resolução de conflitos

Laura Franco, especial
Foi em janeiro desse ano que a advogada especialista em Direito de Família e Sucessões Karina Azen, e a psicóloga especialista em Terapia de Família e Casais Patrícia Scheeran deram início ao projeto discutido entre elas durante seis meses. Hoje, já em andamento, as especialistas buscam popularizar o atendimento definido como jurídico-psicológico.
O atendimento, de modo geral, busca dar suporte e compreensão jurídico-psicológica para ocorrências do âmbito conjugal, parental e familiar. A intenção é resolver conflitos familiares usando os princípios da mediação e conciliação, ou seja, priorizando a resolução de forma extrajudicial, um caminho cada vez mais seguido pela advocacia.
O processo começa através de um atendimento inicial, que pode ser desde demanda de inventário e divórcio, até guarda e pensão. "É a partir daí que se percebe o pano de fundo emocional, encaminhando para a Patrícia", explica Karina. Patrícia garante que não se trata de uma terapia, mas de uma "consultoria psicológica", personalizada e de acordo com a necessidade de cada cliente. Além disso, reforça que o trabalho pode ser feito também pelo psicólogo do cliente, ou da família. No entanto, avalia que o atendimento conjunto com a advogada parceira tem gerado bons resultados.
Resolvidas as questões emocionais, Karina verifica se o desejo inicial segue o mesmo, pois, no auge de alguma emoção, principalmente a raiva, ou a tristeza, se procura a Justiça como instrumento de vingança. "Ao mostrar que o conflito pode ser resolvido de outra maneira, os conceitos de justiça começam a mudar", revela. O processo, segundo ela, principalmente no Direito de Família, se feito às pressas e por impulso, pode gerar um resultado ruim.
Além disso, Karina pontua as decisões judiciais, que muitas vezes são massificadas para aquele conflito, ao invés de analisar o caso individualmente, com suas particularidades. "A ideia é que as pessoas façam um trabalho jurídico, mas que consigam separar o que é o jurídico e o que é emocional". O Judiciário já avalia que não tem capacidade de dar resposta emocional. Um exemplo disso é a Emenda Constitucional 66, de 2010, que acabou com a causa subjetiva, ou seja, a culpa no processo de divórcio.
Para possibilitar esse atendimento, o trabalho tem como fundamento o uso de estratégias de mediação, negociação e práticas colaborativas. Assim se desassocia a imagem do advogado como litigante, para percebê-lo como um auxiliador na resolução do conflito. Esses métodos, segundo a advogada, são mais baratos do que parecem, porque, muitas vezes, não se há gasto com processos, que tiveram seus custos elevados em 500% em um ano e meio. Para o profissional o retorno não deixa de ser positivo, já que a cobrança é feita a partir dos honorários e, segundo Karina, processos litigiosos demandam mais trabalho, resultando em maior preço.
A relação "transdisciplinar" entre as profissionais, como conceituam a atuação, gerou um ganho inclusive na carreira de cada uma delas. Patrícia avalia que Karina lhe proporcionou uma nova visão sobre o Direito, possibilitando maior atenção ao desenvolvimento de seu atendimento psicológico. "É basicamente sobre ficar mais atenta ao relato dos meus pacientes e ajudá-los a pensar no manejo e encaminhar para o advogado".
Os próximos passos do projeto visam uma expansão do atendimento, por meio de uma consultoria para outros escritórios. O serviço deve ser oferecido para todos os profissionais de Direito, atuantes ou não na área do Direito de Família. "A ideia é assessorar não só juridicamente, mas trazer a questão emocional também. A Karina não ficaria responsável pelos clientes, mas faria uma consultoria para o caso", explica Patrícia. O projeto ainda está em desenvolvimento e deve ser divulgado em evento para os profissionais.
 
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