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Porto Alegre, domingo, 01 de outubro de 2017. Atualizado às 21h01.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 02/10/2017. Alterada em 29/09 às 19h03min

Estrela investe em pães congelados

JONATHAN HECKLER/JC
Guilherme Daroit
Entre os principais fabricantes de farinha do Brasil, o Grupo Estrela vem apostando fortemente, também, no segmento de pães congelados. Dos R$ 55 milhões investidos pela empresa cinquentenária nos últimos anos, cerca de R$ 30 milhões foram destinados a uma nova fábrica da Panfácil, braço do conglomerado voltado ao segmento. Inaugurada em julho de 2016, a planta, localizada ao lado da principal unidade do Moinho Estrela, é seis vezes maior do que a anterior, e já está preparada para uma futura duplicação.
Fundado em Estrela, cidade que lhe empresta o nome, o Grupo Estrela logo migrou para a Capital e, na década passada, para Canoas. A empresa familiar controla, além do Moinho Estrela e da Panfácil, também a Mesasul, que monta cestas básicas, e uma subsidiária de participações imobiliárias, conglomerado de 650 funcionários e que chegou aos R$ 300 milhões em faturamento no ano passado.
Membro da terceira geração, o diretor comercial de pães congelados do grupo, Bernardo Pretto, conta que o principal faturamento ainda é o do Moinho Estrela, mas que o novo segmento é o de maior potencial. "A capacidade de crescimento da Panfácil é a maior de todas, investimos entendendo que é onde temos mais espaço para crescer", argumenta.
Empresas & Negócios - Por que a aposta no congelado?
Bernardo Pretto - Começamos o projeto para a fábrica nova há quatro anos. Ou seguíamos com o processo semi-industrial, ou íamos para algo inédito no País, que era a linha completamente automatizada. Foi o que a gente fez, em parceria com indústrias francesas que desenvolveram máquinas com as características do pão brasileiro, o que envolveu bastante tempo de planejamento. E trouxemos à matriz, pela capacidade de receber farinha diretamente do moinho. Embora seis vezes maior do que a anterior, ela já foi toda construída para ser duplicada conforme a demanda nos próximos anos, pois confiamos no crescimento desse mercado.
Empresas & Negócios - O pão congelado é um mercado em expansão?
Pretto - É um mercado muito novo, de 19 anos no Brasil. Diferentemente do mercado de farinhas, já consolidado, o mercado de pão congelado cresce muito, dois dígitos anuais. E agora os grandes vendedores de pães, as redes de supermercados nacionais, estão começando a migrar por alguns motivos. O principal é a dificuldade de mão de obra qualificada para a demanda que eles têm. Além disso, o que você produz em 100m² de padaria tradicional, produz com menos de 50m² com o congelado. É uma área valiosa para o supermercado. Outra questão é o padrão, para as redes é interessante ter um produto sempre igual. Para o consumidor final, não vai fazer diferença, muitas vezes até ganha em qualidade, com uma máquina que faz 45 mil pães iguais por hora, como a nossa.
Empresas & Negócios - Sempre se falava dos pequenos estabelecimentos para esse segmento...
Pretto - Quando começamos a fábrica, o Grupo Estrela entendia que iria vender pão para as padarias, mas elas não compraram a ideia, com receio da mudança. Quem abriu as portas foram os minimercados, que não tinham estrutura para ter uma padaria e viram a oportunidade de vender pão quentinho com qualidade, e foi aí que começou de fato o mercado de pão congelado. Com o tempo, foi crescendo em escala. Passaram a ser mercados de médio porte, e agora está chegando a vez dos grandes. É um caminho sem volta. Na Europa, na Ásia, estão 15 anos na nossa frente. E não é porque não tenhamos a tecnologia, mas pelo custo do transporte. Se transportar ele cru, chega com um preço ainda viável; mas, se for o pré-assado, que seria a próxima geração, não, pois o pré-assado é seis vezes maior do que o cru, e com isso o frete fica muito caro. Mas é um caminho natural. Nossa ampliação futura prevê a possibilidade de trabalhar com esse tipo de produto quando o mercado pedir.
Empresas & Negócios - Esse investimento dá resultado?
Pretto - Na Panfácil, comparando o primeiro semestre de 2017 com o primeiro de 2016, tivemos um crescimento de cerca de 60% com a nova fábrica. Bem expressivo, mas dentro do planejado, porque a fábrica antiga estava esgotada, então já havia demanda. Desde o início do ano, passamos a atuar no Sudeste. Mesmo aqui no Estado, havia regiões importantíssimas às quais não conseguíamos atender, como Caxias do Sul, Bagé, Pelotas e Rio Grande, onde agora estamos entrando. Esse mercado é relativamente conservador, porque pão é um produto estratégico para as lojas, não podem ficar mudando toda semana só por preço, então as movimentações são mais lentas.
Empresas & Negócios - Ao comprar o congelado, deixam de comprar farinha. Como isso afeta o moinho?
Pretto - Para o moinho, com o volume de pães congelados aumentando, acaba aumentando o volume de farinha. Como fornecemos para a Panfácil, o moinho se referenciou como fornecedor para outros fabricantes de pão congelado também. Já quando o cliente migra para a Panfácil, podemos perder venda direta, mas a quantidade de farinha consumida no fim é a mesma. E, com isso, agregamos valor na cadeia e fidelizamos mais o cliente, porque o mercado da farinha é diferente dos congelados, é negociado conforme o preço, não é conservador.
Empresas & Negócios - O moinho é o principal braço do grupo ainda?
Pretto - Sem dúvidas. No primeiro semestre, por exemplo, cerca de 60% do faturamento do grupo veio do moinho, a Panfácil representou em torno de 10%; e a Mesasul, em torno de 30%. Mas a Mesasul produz muitas cestas no Natal, então tem uma sazonalidade, 11 meses do ano é de um jeito, e dezembro é bem diferente. As empresas não estão saturadas, têm capacidade de produção, e investimos nelas também. A Mesasul vem crescendo bem nos últimos anos. Mas a capacidade de crescimento da Panfácil é a maior de todas, investimos entendendo que é onde temos mais espaço para crescer. Hoje, ela está atuando com 40% da capacidade, suponho que, em mais uns dois anos, a gente comece a pensar no projeto de duplicação se continuar nesse crescimento.
Empresas & Negócios - A instabilidade da produção do trigo nacional preocupa?
Pretto - O trigo nacional, via de regra, não é muito bom para fazer pão. Por característica de terroir, não por falta de tecnologia. Por isso, mesmo que dê safra boa no Brasil, é importante ter um percentual de trigo importado. Farinha de trigo é um blend, pega dois, três tipos diferentes, mói e faz o produto final. Se a safra brasileira é boa, a tendência é diminuir a quantidade do importado, mas isso faz parte do negócio de farinha. Um dos investimentos no moinho foi justamente para ampliar a capacidade de armazenagem, o que nos dá condição de ter mais quantidade de trigo em épocas em que isso é um diferencial, além de armazenar tipos diferentes. Por isso que o Moinho Estrela tem condições de atender à indústria, que chega pedindo farinha com tal característica, e nós temos laboratórios que avaliam qual o blend nós temos de fazer para produzir essa farinha. Embora pareça simples, envolve muito conhecimento técnico. O moinho também trabalha fortemente com farinhas específicas de panificação. Há muitos anos, é referência nisso e, com a fábrica de pães congelados, acabou que essa fama aumentou. E temos a linha de farinhas para o consumidor final, que é a menor, mas que, a partir deste ano, começamos a investir em propaganda, porque entendemos que tínhamos essa carência no varejo.
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