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Porto Alegre, terça-feira, 08 de agosto de 2017. Atualizado às 23h43.

Jornal do Comércio

Política

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operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 09/08/2017. Alterada em 08/08 às 21h16min

Temer pede a suspeição de Rodrigo Janot

 Antônio Claudio Mariz de Oliveira

Antônio Claudio Mariz de Oliveira


WILSON DIAS/ABR/JC
O presidente Michel Temer (PMDB) pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspeição - e impedimento - de seu algoz, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Por meio de seu advogado, o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, o presidente alega que "já se tornou público e notório que a atuação do procurador-geral da República, em casos envolvendo o presidente da República, vem extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa".
"Não estamos, evidentemente, diante de mera atuação institucional", afirma Mariz, em 23 páginas endereçadas ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato e do caso JBS no STF.
No caso JBS, Janot denunciou Temer por corrupção passiva - a denúncia foi barrada na Câmara. O procurador atribui ao presidente o papel de chefe de organização criminosa. Temer pede o impedimento de Janot.
"Todas as razões já explanadas demonstram que a atuação do sr. procurador extrapola a normal conduta de um membro do Ministério Público. Restou nítido o seu inusitado e incomum interesse na acusação contra o presidente e na sua condenação em eventual ação penal (artigos 145, IV, e 148, I, do Código de Processo Civil)."
"Por todo o exposto, nos termos do artigo 104 do Código de Processo Penal, argui-se a suspeição do dr. Rodrigo Janot Monteiro de Barros, para que, depois de ouvido, esteja impedido de atuar no presente procedimento, devendo ser substituído, extraordinariamente, pelo seu substituto legal, isento e insuspeito."
A defesa de Temer afirma que Janot mantém um "obstinado empenho no encontro de elementos incriminadores do presidente, claramente excessivo e fora dos padrões adequados e normais, bem como as suas declarações alegóricas e inadequadas, mostram o seu comprometimento com a responsabilização penal do presidente".
Mariz invoca o artigo 254 do Código de Processo Penal, que fala da "inimizade". "A utilização, em escritos, pronunciamentos e entrevistas de uma retórica ficcional, afastada de concretos elementos de convicção mostra, juntamente com os fatos e as circunstâncias mencionados na presente exceção, que o senhor procurador-geral da República nutre um sentimento adverso ao presidente da República, como aquele que caracteriza uma evidente inimizade."
À reportagem, Mariz fez referência a uma declaração polêmica de Janot, que, indagado sobre o que vai fazer até o fim de seu mandato (15 de setembro), respondeu: "Enquanto tiver bambu, vai ter flecha".
"São questões pertinentes, basicamente, à conduta dele, que tem sido uma conduta que extrapola limites das funções de um procurador. O empenho dele em acusar o presidente a ponto de dar inúmeras entrevistas, usando expressões inapropriadas como foi a do bambu, demonstram esse ardor acusatório (de Janot). Inclusive, o protagonismo, o número excessivo de entrevistas, o número excessivo de palestras, aparições públicas, não estão bem de acordo com a postura comedida que se espera de um representante do Ministério Público Federal."
 
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