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Porto Alegre, terça-feira, 29 de agosto de 2017. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 30/08/2017. Alterada em 29/08 às 20h38min

Mineração ameaça o futuro de reserva na Amazônia

Tendo em vista a grita geral contra o decreto que abria o caminho para a mineração pela iniciativa privada em uma imensa reserva de cobre na Amazônia, o governo federal tratou de editar um segundo decreto, com normas rígidas para as empresas que venham a trabalhar na região. Realmente, a Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca) é área com alto potencial de ouro e outros metais preciosos que fica entre o Pará e o Amapá, com 46.450 quilômetros quadrados.
Para se ter ideia do gigantismo do Brasil e da reserva, ela é pouco maior que a Dinamarca. Criada em 1984, determinava que somente a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública pertencente ao Ministério de Minas e Energia, podia fazer pesquisa geológica para avaliar as ocorrências de minérios na área.
Com o anúncio de liberação, a expectativa é de que grandes empresas, principalmene internacionais, se interessem em explorar o potencial da região. Os ambientalistas e especialistas se apressaram em criticar a medida, por colocar em risco duas reservas indígenas, um parque nacional, uma floresta nacional e uma estadual e quatro reservas ecológicas que compõem a área total da Renca.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Possui riquíssima biodiversidade, com a presença de milhares de espécies animais e vegetais. São condições quase únicas que não podem ser desprezadas em nome de uma exploração predatória. Além disso, a floresta possui grande influência no clima de várias regiões do Brasil, o que talvez seja mais importante nesses tempos de aquecimento global.
Em função do crescimento das áreas de plantio, criação de gado e exploração de madeira, a região já vem enfrentando desmatamento considerável nas últimas décadas. E garimpeiros avulsos e clandestinos fazem a retirada e a venda até mesmo para o exterior da riqueza que existe por lá. E sem gerar empregos ou qualquer tipo de tributação para os estados do Pará e Amapá. Para os que são contrários à decisão, liberada a área para a exploração, o próximo passo seria leiloar a região.
Com o segundo decreto, o governo federal afirmou que todas as áreas de proteção serão mantidas, já que a legislação não permite a exploração nesses locais. Mas o perigo está na experiência, segundo a qual a mineração é a porta de entrada para outros interesses, como abrir rodovias e atrair madeireiros.
A abertura à exploração faz parte do Programa de Revitalização da Indústria Mineral Brasileira, o que inclui a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM). Os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente garantiram que a extinção da Renca permitirá que a região bloqueada venha a ser beneficiada pela exploração mineral organizada e que vai atrair novos investimentos, com geração de riquezas e empregos para o País. Os ministros afirmaram que a medida poderá auxiliar no combate aos garimpos ilegais.
Mas a indagação dos que protestam contra a abertura da reserva é por que um investidor vai comprar uma área de concessão onde grande parte não pode ser explorada? Os artistas se aliaram aos ambientalistas nas manifetações.
Mas especialistas em meio ambiente e biodiversidade lembram que, de qualquer forma, investimentos empresariais na região levarão, pelo menos, dois anos para serem concretizados. Nesse espaço de tempo, o que eles esperam é que haja pesquisa sobre o que poderá ser explorado e de que maneira. Enfim, o desejo é que o ambiente e os interesses do País sejam preservados.
 
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