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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de agosto de 2017. Atualizado às 22h57.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 22/08/2017. Alterada em 21/08 às 19h41min

O mercado da política brasileira

Luiz Eduardo Garcia da Silva
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) era pejorativamente chamado de "partido do sim" em contraposição à Arena, "o partido do sim, senhor", durante a ditadura militar. Com o retorno do pluripartidarismo, tornou-se obrigatória a utilização da palavra "partido" nas agremiações eleitorais. Esta mudança marcou o fim do antigo MDB. Agora, o PMDB quer voltar a usar o antigo nome em uma estratégia para "ganhar as ruas". Por um lado, é significativa a estratégia dos partidos tradicionais em se desvincularem de suas imagens atuais. Isso demonstra que, em alguma medida, já identificaram a necessidade de que algo precisa ser alterado no cenário político. Contudo, não adianta mudar a embalagem se o produto continua ruim.
A analogia do sistema político brasileiro com o mercado é adequada. Há tempos, os partidos políticos tratam o eleitor como um mero consumidor que, ao invés de utilizar a moeda, usa o voto para efetivar suas transações. Todavia, no caso do sistema político brasileiro há a possibilidade de as legendas controlarem o mercado prescindindo da existência dos consumidores. Algumas das propostas de reforma política garantem acesso a recursos financeiros e institucionais aos partidos sem que estes tenham de prestar contas aos cidadãos. Dentre elas, destacam-se a adoção do voto distrital, que fortalece os caciques políticos, e a criação do fundo eleitoral que, a despeito da existência do fundo partidário, confere às cúpulas partidárias vultuosas quantias às suas respectivas campanhas. Enfim, a premência de uma reforma política e partidária contrastam com aquelas que são por ora ofertadas. Enquanto isso, observamos passivamente as prateleiras serem preenchidas com pacotes recauchutados contendo produtos vencidos há muito tempo.
Doutorando em Ciência Política (Ufrgs)
 
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