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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de agosto de 2017. Atualizado às 22h37.

Jornal do Comércio

Internacional

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América do sul

Notícia da edição impressa de 15/08/2017. Alterada em 14/08 às 20h16min

Eleições primárias mostram divisão na Argentina

Reviravolta na província de Buenos Aires dá sobrevida a Cristina Kirchner

Reviravolta na província de Buenos Aires dá sobrevida a Cristina Kirchner


DANIEL VIDES/DANIEL VIDES/AFP/JC
O dia seguinte à eleição primária argentina foi totalmente o contrário das semanas que a precederam. Buenos Aires amanheceu confusa com as notícias da madrugada, e a votação era o assunto nas ruas, bares e programas televisivos. Contrastava com o ambiente de antes, em que havia uma apatia no ar por conta de uma sensação de que essa votação decidiria pouca coisa - trata-se de uma prévia em que os partidos deveriam eleger internamente seus representantes, mas que virou uma enquete oficial, uma vez que as principais siglas tinham apenas um candidato.
Tudo começou quando o governo do presidente Mauricio Macri decidiu armar uma grande festa antes de seu triunfo estar de fato consolidado. No bunker de sua aliança - o Cambiemos -, aliados festejaram uma vitória que se confirmou em várias partes da Argentina, e que, se for repetida na eleição de 22 de outubro, colocará o Cambiemos como principal força política do país - com maioria na Câmara e aumento do tamanho no Senado.
A comemoração teve outras razões. O governo também foi vitorioso em um número maior de províncias - Santa Fe, Córdoba, Mendoza, Corrientes, Entre Ríos, Jujuy, La Pampa, Neuquén, San Luis, Santa Cruz e na cidade de Buenos Aires (que tem status de província).
Enquanto isso, o peronismo encolheu em várias províncias-chave, embora tenha vencido em regiões mais humildes, como Catamarca, Chaco, Chubut, Formosa, La Rioja, Misiones, Río Negro, Salta, San Juan, Santiago del Estero e Tierra del Fuego.
A ducha de água fria, porém, foi a votação na província de Buenos Aires. No começo da apuração, o candidato governista, Esteban Bullrich, aparecia com seis pontos de dianteira com relação à ex-presidente Cristina Kirchner. No bunker do Cambiemos, se celebrou essa distância como definitiva. Bullrich discursou como vitorioso, e Macri deu um entusiasmado discurso considerando seu êxito um sinal de que a "mudança pela qual os argentinos votaram em 2015 está consolidada". 
Houve dança dos candidatos e do presidente no palco, chuva de papel picado e gritos da militância de "não vão voltar, não vão voltar", referindo-se aos kirchneristas.
Muitos argentinos foram dormir com essa notícia, e acordaram surpresos. Afinal, depois da meia-noite, as luzes do bunker do Cambiemos foram apagadas, e no de Cristina, no estádio Arsenal, em Sarandí, jornalistas e militantes também foram indo embora. Até que começaram a se fazer públicos os resultados dos municípios mais populosos da província, como La Matanza e Avellaneda. A distância entre Bullrich e Cristina começou a diminuir com intensa rapidez. A militância reapareceu no Arsenal, começou a dançar e a cantar "vamos voltar, vamos voltar".
Às 3h30min, já com um empate técnico, e quase literal, Cristina apareceu para discursar. A ex-presidente acusou o governo de ter manipulado o "timing" da divulgação dos resultados, deixando as mesas de locais de tradição peronista para depois. Os delegados kirchneristas pediram a recontagem dos votos.
Na manhã de ontem, por fim, com 95,68% dos votos apurados, a diferença entre Bullrich e Cristina era mínima. O candidato governista estava na frente, mas com 34,19% contra 34,11% da ex-presidente.
O secretário de assuntos políticos e institucionais do Ministério do Interior - que organiza o pleito -, Adrián Pérez, afirmou que a contagem pararia aí e que seria feita uma recontagem, por considerar que houve um "empate" e que havia dúvidas no modo como estavam sendo contabilizados os votos das 1.537 mesas que faltavam. A sensação era de que Macri, apesar de ter saído ganhador em todo o país, tinha comemorado cedo demais, e de que Cristina não está morta.
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