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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de agosto de 2017. Atualizado às 23h18.

Jornal do Comércio

Expointer 2017

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Agricultura familiar

Notícia da edição impressa de 29/08/2017. Alterada em 28/08 às 23h18min

Agroindústrias florescem no campo

Terezinha deixou de fazer geleia para os amigos e transformou o hobby em um negócio lucrativo

Terezinha deixou de fazer geleia para os amigos e transformou o hobby em um negócio lucrativo


JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
Guilherme Daroit
Seja para garantir a sucessão na propriedade, para fugir da cidade ou mesmo para achar uso para a produção em momentos de dificuldade na venda, há vários motivos que levam as famílias para a agroindústria. Em comum, claro, a busca por uma melhor rentabilidade para o trabalho nas pequenas propriedades gaúchas. Segundo os cadastros da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), só no primeiro semestre deste ano foram 77 as agroindústrias inclusas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) no Estado, e algumas delas já estreiam na Expointer, no Pavilhão da Agricultura Familiar, um dos espaços mais visitados da feira.
Aberta há dois meses, mas com as licenças obtidas no meio de agosto, a Rancho das Cabras, de Taquara, debuta seus produtos na própria Expointer. Até dois anos atrás, todo o leite de cabra da propriedade da família da produtora Cláudia Almeida era entregue a uma empresa carioca, que encerrou a captação. "Tivemos que nos adequar, chegamos a vender metade das cabras que tínhamos", conta Cláudia.
Da dificuldade, porém, surgiu o recomeço: com ajuda de Emater-RS e Sindicato Rural, a família criou a agroindústria, a primeira a trabalhar exclusivamente com leite de cabra no Estado, produzindo queijos e iogurtes. Por enquanto, conta Cláudia, a ideia é vender os produtos em feiras e diretamente na porteira, até porque a cidade ainda não integra o Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar (Susaf).
No caso da Più Seleto, primeira agroindústria de Nova Pádua, o objetivo principal é garantir a permanência do filho no campo. "Temos que inovar na propriedade para isso, até porque não adianta ele ir pra cidade e não ter o que fazer", conta o produtor Gilnei Menegat, que até o início do ano apenas entregava sua produção de uva, cebola e alho para mercados e para a Ceasa. Desde fevereiro, a família une a entrega com a produção de geleias, compotas e conservas, abastecida com novas espécies plantadas especialmente para esse fim na área cultivável de 10 hectares. A marca, porém, também está sendo lançada na Expointer, pois as licenças foram obtidas recentemente.
Já a proprietária da Tebeck, de Pantano Grande, Terezinha Domareska, tinha como objetivo movimento inverso, que era voltar da cidade para o campo. Então morando em Porto Alegre, ela e o marido compraram um sítio de 10 hectares no município no Vale do Rio Pardo, onde plantaram diversas árvores frutíferas. "Quando passaram a dar frutas, comecei a fazer geleia para os amigos, e aí a Emater-RS me sugeriu, 'por que não vender?'", conta. Aberta há dois anos, a Tebeck hoje produz, além das geleias, sequilhos e conservas, que vende na cidade e em feiras. Na Expointer, 201 empreendimentos familiares expõem seus produtos no Pavilhão da Agricultura Familiar.

Relatório com sugestões para nova legislação sai até novembro

Até o final de novembro, a Subcomissão das Agroindústrias Familiares da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa entrega seu relatório com sugestões de modificação de legislações federal e estadual relativas ao setor. Relator da Subcomissão, o deputado Elton Weber pretende formular um projeto de lei neste sentido. Weber acredita em consenso aprovação pelo Plenário da Assembleia.
O prazo foi definido ontem na Casa da Assembleia Legislativa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a Expointer. A reunião foi a primeira de seis que ocorrerão para discutir a necessidade de revisão de legislações sanitárias e regras de fiscalização em estabelecimento e feiras. Relatos de produtores como Loivo Benck, do município de Vale do Sol, indicam dificuldade em atender exigências de infraestrutura, falta de consenso na interpretação da lei e carência de dinheiro nas prefeituras, o que dificulta a adesão ao Susaf, que garantiria a equivalência de sistema de inspeção, abrindo o leque de comercialização. Os testemunhos revelaram demora de até seis meses em auditorias e emissão de licenciamentos de quem busca a regularização.
Presente ao debate, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Carlos Joel da Silva, disse que a federação encaminhará propostas à subcomissão, dentre elas a revisão de exigências de infraestrutura para funcionamento de agroindústrias familiares. Ele teme que mantidas as atuais imposições, os tradicionais produtos coloniais desaparecerão do mercado e defendeu uma legislação mais propositiva do que punitiva. "A legislação não pode ser burra como hoje. Para nós, é muito claro que atende os interesses das grandes corporações. A infraestrutura não atesta a qualidade do produto, a sanidade, e é com isso que a legislação e a fiscalização precisam se preocupar."
De acordo com o secretário do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio Minetto, atualmente existem cerca de 3.000 agroindústrias cadastradas e 1.089 formalizadas, número crescente que demonstra o potencial da atividade. Segundo o coordenador Técnico da Área de Agricultura da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Márcio Nascimento, a federação também tem trabalhado para achar alternativas para driblar obstáculos. "O município depende da geração de emprego e renda dos agricultores e consequentemente das agroindústrias."
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