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Porto Alegre, sexta-feira, 25 de agosto de 2017. Atualizado às 17h08.

Jornal do Comércio

Expointer 2017

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financiamento

Notícia da edição impressa de 25/08/2017. Alterada em 25/08 às 17h09min

Crédito para agronegócio está mais caro, restrito e incerto

Lavoura de milho em sistema de plantio direto em Estrela. Divulgação Emater

Lavoura de milho em sistema de plantio direto em Estrela. Divulgação Emater


EMATER RS/DIVULGAÇÃO/JC
O crédito rural já tem pelo menos duas marcas no ciclo 2017/2018: a incerteza e as exigências maiores para concessão de financiamento. De acordo com o presidente da Comissão de Crédito Rural da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Elmar Konrad, os bancos estão mais exigentes na liberação de crédito e, em algumas situações, pedem garantias reais, como imóveis e terras, além do penhor da safra, para liberar empréstimos.
"Isso está ocorrendo porque, com a queda generalizada nas cotações, aumentam os riscos de inadimplência. Vivemos um cenário de incertezas como há muito não ocorria, creio que será uma safra crítica em termos de lucratividade, como foi a de 2005/2006", avalia Konrad.
O receio, diz Konrad, se deve aos baixos preços sem sinal de recuperação em nenhum dos nossos principais grãos produzidos no Rio Grande do Sul (arroz, soja, milho e trigo). Sequer a pecuária, também em baixa, está podendo ajudar o produtor a equilibrar um pouco as contas. Com tantas variáveis, explica o representante da Farsul, a maioria dos produtores está esperando para firmar posição na contratação de crédito e aguarda para ver se há alguma sinalização de alterações no câmbio ou nas cotações das commodities na Bolsa de Chicago.
Cenário semelhante é traçado pelo diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni. O executivo calcula que a produção agrícola como um todo demandará entre R$ 450 bilhões a R$ 480 bilhões. Hoje, mais ou menos 45% pode ser financiado pelo Plano Safra 2016/2017. Outros cerca de R$ 100 bilhões vem das LCA, as Letras de Crédito do Agronegócio (cerca de 20% do necessário) e o restante deve vir de operações Barter (pagamento pelo insumo através da entrega do grão na pós-colheita)
"O crédito está mais caro frente ao viés de redução dos juros e da queda da inflação, e piora pela ausência de sinal de valorização de commodities no radar e nem alta do dólar. E, sem um sistema eficiente de seguro agrícola, que não cobre nem 10% de toda a produção nacional, o risco do produtor no atual ciclo é enorme", alerta Cornacchioni.
A dica de Cornacchioni é estar atento aos cálculos, mais do que nunca, e cuidar especialmente dos custos, gerenciando melhorar as compras. É o que resta ao produtor, já que não é possível influenciar no câmbio, no juro e nas cotações de commodities. Ainda assim, nacionalmente, pondera a assessora técnica da comissão de política agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária, Fernanda Schwantes, o mês de julho teve aumento nas contratações, mas devido especialmente à cautela do produtor no primeiro semestre.
"Até há alta de 23% na contratação, mas por demanda reprimida. Já esperando que houve queda nas taxas, boa parte dos produtores que começariam a tomada de crédito entre março e junho resolveram esperar o novo plano safra, com expectativa de baixa nas linhas de financiamento, acompanhando a queda da Selic", explica Fernanda.
No Banco do Brasil, que tem a maior carteira de crédito rural do País, o ânimo vem da perspectiva de alta na compra de máquinas e implementos, de acordo com o superintendente estadual da instituição, Edson Bündechen. O executivo diz que há tendência de compras maiores neste segmento em até 10%
"Desde 2015, a reposição de máquinas e implementos agrícolas está represada no Estado e o produtor dá sinais de que está renovando parte do maquinário e investindo em armazenagem", estima Bündechen.
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