Porto Alegre, terça-feira, 22 de agosto de 2017. Atualizado às 23h52.

Jornal do Comércio

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MERCADO

Notícia da edição impressa de 23/08/2017. Alterada em 22/08 às 23h55min

Setor supermercadista encerra semestre em alta

Para Stein, setor adaptou-se rapidamente à nova realidade econômica

Para Stein, setor adaptou-se rapidamente à nova realidade econômica


CASSIUS SOUZA/DIVULGAÇÃO/JC
As vendas do setor supermercadista registraram alta de 0,95% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Com o resultado positivo, a projeção de crescimento real (já descontada a inflação) passa de 1,3% para 1,5% este ano. A expectativa da queda de juros e da inflação contribuem para o cenário mais otimista.
Para o vice-presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) e diretor executivo do Supermercado Lanz, Ezequiel Stein, o crescimento de 0,95% é praticamente irrisório, se comparado com os índices dos últimos anos. No entanto, diante da crise econômica, o resultado pode ser considerado um "feito histórico". "Não tenho dúvida de que este crescimento deve-se ao dinamismo do varejo. O setor supermercadista consegue fazer uma rápida leitura das necessidades dos clientes. Nosso setor adaptou-se rapidamente à nova realidade econômica", afirma ele.
Stein explica que a queda da renda média das famílias obrigou o setor a trabalhar com margens menores, girar mais rapidamente os estoques e apostar em ofertas de bens de primeira necessidade, como itens da cesta básica. Conforme os últimos dados divulgados pela Abras, em junho, as vendas do setor em valores reais - deflacionadas pelo IPCA/IBGE - apresentaram alta de 0,59% na comparação com maio e alta de 2,71% em relação ao mesmo mês do ano de 2016. Em valores nominais, as vendas dos supermercados apresentaram alta de 0,36% em relação ao mês de maio e, quando comparadas a junho do ano anterior, alta de 5,82%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 5,26%.
Embora o setor esteja reagindo à crise, os empresários do autosserviço estão menos otimistas em relação ao cenário macroeconômico, de acordo com o Índice de Confiança do Supermercadista, elaborado pela Abras em parceria com a GfK. O resultado apresentado na última pesquisa, realizada em junho, aponta 48,4 pontos (em uma escala de 0 a 100), menor perspectiva desde junho de 2016 (que registrou 50,1 pontos).
Quando perguntados sobre as expectativas para os próximos seis meses, considerando a situação econômica e de negócios do País e no mundo, os empresários foram mais otimistas: 46% dos entrevistados acreditam que suas empresas estarão melhores na comparação com o momento atual.

Gaúchos cresceram 9,7% em 2016

Os supermercados gaúchos registraram um faturamento bruto de R$ 28,7 bilhões no ano passado, um crescimento nominal de 9,7% em relação a 2015. Deflacionado pelo IPCA/ IBGE no período, o número mostra um avanço real de 3,4% para o setor, segundo a pesquisa que apurou os vencedores do Ranking Agas 2016, em um estudo que envolveu as 252 maiores companhias e seus desempenhos financeiros, com faturamentos anuais entre R$ 360 mil e R$ 5,5 bilhões. Juntas, todas as empresas do autosserviço faturaram R$ 28,7 bilhões em 2016, chegando a uma participação nacional em vendas equivalente a 8,4%, o terceiro maior índice do País. O setor representa 6,9% do PIB do Estado.

Colaborador capacitado, cliente mais satisfeito

Rede Imec investiu na qualificação de pessoal e buscou consultoria externa para enfrentar a crise
Rede Imec investiu na qualificação de pessoal e buscou consultoria externa para enfrentar a crise
ARQUIVO/REDE IMEC/DIVULGAÇÃO/JC
A Rede Imec, de Lajeado, investiu na capacitação de pessoal e buscou uma consultoria externa para enfrentar a crise e ir na contramão dos resultados registrados pelo setor nos dois últimos anos. O esforço tem dado certo. A empresa, que conta com 17 lojas de supermercados e quatro atacados nas regiões dos vales do Rio Pardo, Taquari e Serra, cresceu acima de 10% ao ano em 2015 e 2016.
Para 2017, a expectativa é de estabilidade e de repetir a performance do ano anterior. "Registramos um crescimento consistente com apostas em ações de gestão e marketing. Trabalhamos com o cliente a questão do preço, mas também nos posicionamos como uma rede que oferece boa infraestrutura e atendimento", explica o diretor Leonardo Taufer.
Um fator a ser comemorado pelo executivo é a redução da rotatividade dentro da empresa, um dos maiores problemas enfrentados pelos supermercadistas. Funções diretamente ligadas ao cliente final, como caixas, repositores e atendentes de perecíveis mudam muito nas lojas e a cada nova contratação é preciso repetir o treinamento, o que leva tempo e gera desgaste na equipe. Para virar esse jogo e, consequentemente, oferecer um melhor atendimento ao consumidor, a Rede Imec investiu em cursos de capacitação para os colaboradores.
"Fizemos grandes esforços para fazer com que as pessoas que ficassem conosco pudessem ser melhor capacitadas e implementamos alguns programas de atendimento. Também buscamos parcerias com consultorias externas para alinhar os valores da empresa", comenta Taufer. Até 2014, a rotatividade de pessoal girava em torno de 9% ao mês. Hoje, está em no máximo 4%.
Estar atento às necessidades e movimentos do cliente também é essencial para o negócio dar certo. Taufer conta que o consumidor está ávido por ofertas e concentrando as suas compras no início do mês, quando recebe o salário. O rancho de antigamente - nos períodos de hiperinflação - não voltou, mas já se percebe a tendência de compras maiores. "A restrição ao crédito e emprego está fazendo com que o consumidor faça a maior parte das suas compras na primeira quinzena do mês. Isso faz com que todo varejo se movimente para capturar esse dinheiro que está no mercado. Tínhamos uma estabilidade de vendas durante o mês, mas agora isso mudou em função desse cenário mais acirrado da concorrência", afirma o diretor.

Pequenos apostam no atendimento personalizado

Com lojas em Igrejinha e Três Coroas, no Vale do Paranhana, o diretor executivo do Supermercado Lanz, Ezequiel Stein, diz que o atendimento personalizado é uma das principais ferramentas para competir com as grandes redes. Ter o conhecimento das culturas locais e ser participativo na comunidade também são fatores importantes. "Mas só isso não basta. Se não tivermos os setores de hortifruti, padaria e açougue bem trabalhados, ficaremos para trás", completa.
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