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Porto Alegre, terça-feira, 29 de agosto de 2017. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 30/08/2017. Alterada em 29/08 às 21h31min

Opinião econômica: Praticando o futuro

O publicitário Nizan Guanaes é dono do grupo de comunicação ABC

O publicitário Nizan Guanaes é dono do grupo de comunicação ABC


ARQUIVO/ARQUIVO/JC
Nizan Guanaes
O medo foi dado ao homem como uma informação sistêmica, um estado de alerta, um chamado à ação diante dos barulhos da floresta, da escuridão da noite, diante do que se anuncia.
Esses alertas são fundamentais para compreender tempo e espaço, mas é preciso cuidar para que o medo não paralise. Como dizia um amigo, o medo de ficar para trás deve levar as pessoas para a frente.
Com crise ou sem crise, as coisas estão mudando em altíssima velocidade. A revolução é tão grande que, se você esperar ela passar, quem vai passar é você.
Não dá para ficar olhando o futuro com medo. As pessoas falam muito do futuro e ficam praticando o passado. Como definiu Peter Drucker, "a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo".
E o futuro não é nada trivial. Ele não é binário, não é bem versus mal, certo contra errado. O futuro é complexo.
Muito terá de mudar dada a avalanche de transformações em curso: uma revolução que parece tecnológica, mas que é acima de tudo humana. A ambição e a compreensão humanas avançam na velocidade do chip, do streaming, do processamento de dados coletados em proporções infinitas.
E, se ninguém nunca conseguiu segurar a mente humana, imagine segurar a mente humana alavancada pelos softwares e gadgets disponíveis já na palma da mão e daqui a pouco dentro do nosso cérebro.
O futuro, por definição, sempre se impõe e ele pode chegar de repente. As pessoas ficam discutindo sobre as reformas, que são fundamentais. Mas quem vai implementar reformas, para o bem ou para o mal, será a tecnologia. Isso já estava acontecendo no mercado de trabalho antes da reforma do trabalho. Assim seguirá.
Uma das coisas que mais me assustam no nosso ambiente político é que ele está pensando sempre com os elementos de hoje, enquanto o futuro chega acelerado e pode posicionar todos nós antes de nós tentarmos definir nossa posição.
No último encontro global da hypada Universidade Singularity, na Califórnia, que acompanhei a distância (ah, a tecnologia), a ideia era trazer o futuro para o presente. Daí a conclusão de que, mais importante que pensar no ROI (retorno sobre o investimento, na sigla em inglês), é preciso pensar no COI, o custo de ignorar (as mudanças, o futuro) - ele pode ser letal.
O grande problema de uma crise como essa do Brasil é que ela lhe enfia no curto prazo para baixar custos, agir taticamente, sobreviver, que o resto resolvemos depois.
Mas, se, em vez de ficar só falando do futuro, começarmos a praticá-lo, podemos encontrar na tecnologia e na sua interação com mercados e consumidores caminhos para poupar tempo e esforço, simplificar a produção, melhorar os serviços. E, assim, não só superar a crise como também evitar de ser atropelado pelo próximo Uber que virá.
Nesse novo túnel do tempo, a experiência não basta. É preciso novos olhos e novas ideias. Na Singularity, teve quem definisse experiência como fracasso. Se você ficar revisitando seu passado e as coisas que já fez para projetá-las no futuro, corre grande risco de fracassar porque a mudança hoje é brutal e rápida.
Foi o que vimos nas mais recentes eleições americanas. O candidato eleito fez uma interpretação completamente revolucionária dos dados que tinha, e sua campanha publicitária, feita em cima dessa interpretação, levou a um resultado completamente inesperado por quase todos.
E Trump presidente deve ser motivo suficiente para você parar todo dia para pensar no futuro, e, sobretudo, praticá-lo.
Publicitário e fundador do Grupo ABC
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