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Porto Alegre, sábado, 05 de agosto de 2017. Atualizado às 23h35.

Jornal do Comércio

Economia

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indústria automotiva

Notícia da edição impressa de 04/08/2017. Alterada em 05/08 às 23h38min

GM gaúcha exportará para o mundo

Autoridades e executivos da GM destacaram o impacto do investimento para a geração de valor na região

Autoridades e executivos da GM destacaram o impacto do investimento para a geração de valor na região


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
A General Motors anunciou, nesta quinta-feira, investimento de R$ 1,4 bilhão para o complexo de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde já produz os modelos Onix, carro mais vendido do mercado, e o Prisma. O montante faz parte do plano de investimentos de R$ 13 bilhões que a marca anunciou no Brasil para o período de 2014 e 2019. Segundo a GM, o aporte destinado à unidade gaúcha será gasto no desenvolvimento de uma nova família de produtos que chegarão ao mercado em 2020.
O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, disse que o investimento e os novos modelos que serão montados darão todas as condições para a fábrica de Gravataí "exportar para o mundo". Atualmente, a unidade, a maior em capacidade da GM na América do Sul e uma das mais eficientes no mundo, abastece o mercado interno e países sul-americanos. O investimento anunciado ficou próximo do R$ 1,5 bilhão que chegou a ser ventilado por fontes próximas à negociação feita com o governo gaúcho. O governador José Ivo Sartori (PMDB) e secretários de Estado participaram do ato.
Este será o terceiro ciclo de investimentos na unidade, que começou a produzir em julho de 2000 o popular Celta, já fora de linha. Em princípio, não haverá expansão da capacidade, hoje em 350 mil unidades por ano, mas que opera bem abaixo disso, devido à queda na demanda de veículos desde 2013. "Vamos usar a capacidade que existe", comentou Zarlenga, vinculando novos passos à melhora de mercado.
Não há previsão de ampliação física da planta, mas de ingresso de novos sistemistas - que são fornecedores de autopeças que operam no site em Gravataí. São 16 atualmente, e novos devem vir, graças a mudanças na lei de incentivos a fabricantes gaúchos situados fora do complexo e que fornecerem moldes e ferramentas para montagem de veículos. A modalidade foi aprovada em julho pela Assembleia Legislativa.
Sartori afirmou que o aporte da montadora é histórico no Rio Grande do Sul, e vinculou a medida a incentivos e programas para atrair investimentos. O prefeito de Gravataí, Marco Alba (PMDB), espera que o aporte movimente ainda mais a economia da cidade, que hoje tem 19% da renda de salários atrelada aos empregos do complexo. Alba lembrou que o retorno em ICMS é de R$ 100 milhões ao ano.
Sobre os ganhos no perfil da unidade, que terá nova plataforma de montagem de carros, Zarlenga observou a relação que a fábrica tem com outra planta, em Rosário, na Argentina. "Vamos ter mais unificação em segurança, emissões e combustíveis para gerar eficiência. Temos tudo que precisamos para exportar para o mundo", disse, referindo-se à unidade que surgirá após o aporte.
O presidente para o Mercosul afirmou ainda que a cifra integra plano de investimentos anunciado em 2014 para o Brasil (R$ 13 bilhões) até 2019. Houve adiamentos devido à crise. Segundo Zarlenga, parte do plano total já foi feita desde 2015, o que inclui melhorias na estrutura do Complexo Automotivo de Gravataí. "Os carros que vamos fazer aqui - ou melhor, os produtos - não terão como destino só a América do Sul", reforçou sobre a posição estratégica da unidade.
O executivo não deu número de novos empregos diretos a serem gerados na modernização. "Temos no plano, mas vamos esperar o mercado para falar", condicionou o CEO. Sobre o modelo que vai fazer companhia ao Prisma e ao Onix, Zarlenga deixou escapar apenas que seguirá "novas tendências de mercado". Especula-se que o primeiro modelo da plataforma será nos moldes SUVs e que deve ser lançado no segundo semestre de 2019.

Nova linha deve atrair mais dois sistemistas para complexo

Munhoz disse que as novas fornecedoras deverão estar na área até 2018

Munhoz disse que as novas fornecedoras deverão estar na área até 2018


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Kolling
A partir do investimento de R$ 1,4 bilhão da General Motors na montadora de Gravataí, anunciado nesta quinta-feira, o complexo automotivo pode ganhar novas empresas. Os aportes devem ser concretizados até o ano que vem, para que essas operações estejam funcionando em 2020, quando a GM planeja produzir o novo modelo na fábrica gaúcha.
 
O vice-presidente da GM Mercosul, Marcos Munhoz, prevê que dois novos sistemistas se integrem à planta de Gravataí. "Hoje temos 16 sistemistas, a gente espera atrair dois novos", revelou o executivo à reportagem. Os fornecedores a serem integrados ao site viriam especialmente para atender às necessidades de fabricação do carro que será produzido nos próximos anos em solo gaúcho. "Esses sistemistas seriam específicos para o produto novo. Os atuais continuam (fornecendo) para o Onix e o Prisma", explica Munhoz.
 
Existem áreas disponíveis para que outras empresas se integrem ao complexo em Gravataí. A instalação pode ser feita, inclusive, no local que sediou a cerimônia desta quinta-feira. "Esse prédio aqui está vazio. A gente espera que esteja cheio no ano que vem", afirmou Munhoz.
 
Em seu discurso durante a solenidade, antes da assinatura do documento que oficializou o plano de investimentos de R$ 1,4 bilhão no complexo automotivo, Munhoz fez um breve histórico da General Motors em Gravataí e destacou o modelo de sistemistas como revolucionário e fundamental para que a planta seja das mais modernas do mundo.
 
"Arara Azul era o codinome do projeto há 21 ou 22 anos, quando foi criado um grupo para fazer a fábrica mais moderna da GM. A gente queria um nome que representasse uma coisa brasileira, forte, e um novo voo. E decidimos não mais termos fornecedores", contou Munhoz.
 
A decisão de instalar a planta se deu 20 anos atrás e o início das operações foi em 20 de julho de 2000. O complexo foi inovador, na concepção do vice-presidente da GM Mercosul. "Em uma fábrica tradicional de automóveis, os fornecedores entregam as peças e nós fazemos a montagem dos veículos. Passamos a desenvolver esse complexo, com um conjunto de 16 empresas, na época", conta.
 
Munhoz lembra que decidiram chamá-las de sistemistas porque "fornecem um sistema completo para um automóvel. Por exemplo, nosso painel de instrumento é totalmente produzido por um sistemista e não mais um fornecedor". E o sistemista, por sua vez, se abastece de outros fornecedores. "Alguns dentro do complexo, outros fora. Mas esse é o conjunto, o sistema que vai para a linha de montagem, algo extremamente revolucionário. E, assim, o Arara Azul passou a se chamar Complexo Industrial de Gravataí", finalizou Munhoz.
 
O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga fez coro ao entendimento de que é uma inovação ter o modelo de sistemistas. "Essa ideia de ter uma planta com os fornecedores faz muito sentido. Pode ampliar, pode manter... Estamos trabalhando com isso", observou.
 
O governador José Ivo Sartori comentou as mudanças na política de incentivo fiscal do Estado, aprovadas neste ano na Assembleia Legislativa, para atender à indústria automotiva. "A realidade muda, a produção muda, a tecnologia muda, a competição é diferente e o Estado tem que ter agilidade. A mudança maior no Fundopem (programa Fundo Operação Empresa) é que agora ele cria condições para todo o setor automotivo, não especificamente para a GM, mas todos aqueles que trabalham ao redor também, porque estão dentro do setor automotivo."

Novos empregos não são confirmados no complexo

Hoje, são 2,5 mil funcionários diretos na unidade, que opera em dois turnos de trabalho desde o final de 2015. No auge de vendas de carros no País, a GM funcionou com três turnos e chegou a 4 mil empregos diretos. "Se voltasse o terceiro turno, seriam 1,5 mil vagas a mais só na GM", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari, com base na operação plena anterior. "Se não gerar mais postos, rompe expectativas. Daí não valeu de nada, só o mercado se beneficia", resume Ascari.
 
O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, assegurou que as contratações dependerão do aquecimento do consumo. Ele cita que março deste ano foi o primeiro mês em 27 de crescimento da indústria automotiva. "Já são cinco meses de crescimento, o que não se via há quatro anos", destacou o executivo. "O crescimento neste ano deve chegar perto de 10%, e esperamos um grande momento em 2018."
 
A cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre, Julia Harlan, que está desde 27 de junho com a estrutura operando em Porto Alegre, foi a única mulher no palco de autoridades e executivos da GM, e fez questão de comentar que "a parceria entre Rio Grande do Sul e General Motors é um exemplo de que podemos trabalhar juntos em desenvolvimento". "Este tipo de investimento amplia a relação. O consulado está aqui para intensificar esta relação entre EUA e gaúchos", declarou Julia, apontando potenciais de negócios em tecnologia, educação e inovação.
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