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Porto Alegre, quinta-feira, 03 de agosto de 2017. Atualizado às 00h50.

Jornal do Comércio

Panorama

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ESTREIA

Notícia da edição impressa de 03/08/2017. Alterada em 02/08 às 17h25min

O filme da minha vida estreia hoje no cinema

O filme da minha vida tem Johnny Massaro no papel principal

O filme da minha vida tem Johnny Massaro no papel principal


VITRINE FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
O escritor chileno Antonio Skármeta já teve seus trabalhos adaptados para o cinema em diferentes partes do mundo. A lista de versões inclui O carteiro e o poeta, produção internacional com direção de Michael Radford; No, que rendeu ao também chileno Pablo Larraín uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro; e A dançarina e o ladrão, longa do espanhol Fernando Trueba protagonizado pelo argentino Ricardo Darín. Agora é vez de os brasileiros entrarem para esse rol: O filme da minha vida, de Selton Mello, leva o enredo do romance Um pai de cinema à serra gaúcha e pode ser conferido nas salas do País a partir de hoje.
Aclamado por público e crítica com O palhaço, segundo longa-metragem que dirigiu, Mello foi pego de surpresa por um bilhete de Skármeta. O próprio escritor ofereceu os direitos do livro para adaptação - e queria ver sua obra transposta para a realidade brasileira, em som e imagem. No original, a história se passa nas serras chilenas, nos anos 1950. Já o roteiro do longa imagina a história no Rio Grande do Sul, na década seguinte.
O personagem principal é o jovem professor Tony Terranova (Johnny Massaro). Quando ele retorna para a cidade natal após completar seus estudos, precisa adequar-se a uma nova realidade: seu pai (o francês Vincent Cassel, de Cisne negro) recém foi embora. Em meio ao começo da vida adulta, ele precisa tornar-se protagonista de sua própria jornada e enfrentar algumas verdades que vêm à tona.
Completam o elenco nomes como Bruna Linzmeyer, Ondina Clais e Bia Arantes. Diferentemente do seu filme anterior, dessa vez Selton Mello não é estrela maior do longa-metragem, embora também esteja em cena. Ele interpreta Paco, um amigo da família do rapaz.
Após a exibição do filme, é difícil imaginar um outro Tony Terranova senão Massaro. O olhar terno do ator passa a essência do que o roteiro deseja discutir: nostalgia, apego a memórias e o - muitas vezes difícil - passo adiante rumo à aceitação das mudanças. O filme da minha vida reflete sobre amadurecimento, mas com um tratamento romântico para valorizar o que já passou. São vários os momentos em que o roteiro, escrito por Mello e Marcelo Vindicato, promove comparações entre o presente e o passado através de objetos, mas ele nunca sugere substituições imediatas.
Embora um tanto devagar na introdução da trama, o longa-metragem encontra meios para mostrar a ingenuidade do protagonista se desfazendo aos poucos. Mas mais que isso, acerta no tom e na verossimilhança ao retratar os personagens cometendo erros por motivos genuinamente compreensíveis. Cada um possui suas fraquezas, e essa contextualização tem o poder de abrandar algumas coisas - embora não o bastante para desfazer as consequências delas.
Ainda no começo de sua carreira de cineasta, Selton Mello não repetiu o diretor de fotografia em seus filmes. Dessa vez, o escolhido foi Walter Carvalho, de Central do Brasil e outros vários títulos. O resultado traz algumas das mais belas imagens do cinema brasileiro no ano, com jogos de luz que emprestam um clima quase onírico à produção.
Não será surpresa se, assim como aconteceu com O palhaço, o novo filme do diretor também seja selecionado para representar o Brasil na lista de postulantes ao Oscar de longa-metragem estrangeiro. Alguns dos mesmos ingredientes estão ali - especialmente o apreço à sensibilidade e à leveza sem cair na tolice. Resta saber se o público vai abraçá-lo da mesma forma: o longa de 2011 levou 1,5 milhão de espectadores às salas de cinema.
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