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Porto Alegre, quarta-feira, 19 de julho de 2017. Atualizado às 23h59.

Jornal do Comércio

Política

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Crise no Planalto

Notícia da edição impressa de 20/07/2017. Alterada em 19/07 às 21h25min

Temer instala 'misturador de voz' no seu gabinete

Além de Michel Temer, o dispositivo protegerá gabinetes ministeriais

Além de Michel Temer, o dispositivo protegerá gabinetes ministeriais


REPRODUÇÃO/YOUTUBE/JC
Para evitar que o presidente Michel Temer (PMDB) seja mais uma vez gravado, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) instalou no gabinete presidencial um dispositivo que dificulta a compreensão de áudios captados por aparelhos eletrônicos.
Chamado de "misturador de voz", o aparato, instalado há três semanas, emite sinais sonoros, não captados pelo ouvido humano, que interferem na gravação do som ambiente e sobrepõem o áudio de conversas feitas no local de despachos do presidente.
Segundo a reportagem apurou, o dispositivo também está sendo instalado em gabinetes ministeriais e se discute colocá-lo também no Palácio do Jaburu, onde o empresário Joesley Batista, da JBS, gravou conversa com o presidente. O conteúdo foi utilizado na denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva.
Procurado pela reportagem, o GSI informou que não vai se manifestar sobre a instalação do aparelho.
O aparato não é o primeiro dispositivo de segurança instalado no gabinete presidencial. Em maio, o peemedebista recebeu um telefone protegido por criptografia. Um TSG (Telefone Seguro) possui dispositivo de criptografia para comunicações telefônicas e oferece segurança no tráfego de voz e dados.
Ligações feitas entre dois aparelhos criptografados podem ser interceptadas, mas o diálogo fica ininteligível. Entretanto, quando um telefone criptografado se comunica com um sem proteção, de nada adianta a criptografia.
Daí o aconselhamento de segurança de que o presidente só pode usar telefones com criptografia nas duas pontas da ligação.
Além de Joesley, Temer foi gravado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que deixou o cargo após ser pressionado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) a viabilizar um empreendimento imobiliário no qual tinha adquirido apartamento.
Na época, o presidente disse que, como uma medida de transparência, avaliava gravar as audiências promovidas no gabinete presidencial, mas até agora não tomou providências nesse sentido.
"Estou pensando em pedir ao GSI que grave - e aí, publicamente, não é clandestinamente - as audiências do presidente. Para que todos possam dizer o que possam dizer, e que eu possa dizer aquilo que devo dizer", disse no ano passado.
 

Governo entrega cargos por votos contra a denúncia

O governo de Michel Temer (PMDB) começou nesta quarta-feira a promover as primeiras trocas de cargos para garantir votos no plenário da Câmara contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a qual o presidente cometeu crime de corrupção passiva no exercício do cargo.
O Diário Oficial da União desta quarta-feira traz uma exoneração para punir traição e, segundo a reportagem apurou, três nomeações de indicados por apoiadores de Temer. Foi publicada a exoneração de Thiago Martins Milhim do cargo de diretor do departamento de administração da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Trata-se de uma punição à deputada Renata Abreu (Podemos-SP), que votou contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, na semana passada.
Por outro lado, o PSC, partido de André Moura (SE), líder do governo no Congresso, foi agraciado com a nomeação de dois indicados para ocupar diretorias da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev): Matheus Belin e Antônio Ricardo de Oliveira Junqueira.
Auxiliares de Michel Temer informaram que também foi nomeado um indicado do deputado Alberto Fraga (DEM-DF). Roberto Postiglione de Assis Ferreira Júnior foi nomeado para o cargo de diretor de planejamento e avaliação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).
A base aliada do governo Michel Temer vinha pressionando o Palácio do Planalto desde a semana passada, logo após a aprovação do parecer favorável ao presidente Temer, para que se começasse a distribuir os cargos dos traidores aos que se mantiveram fiéis.

Defesa quer ter acesso a gravações periciadas pela

A defesa do presidente Michel Temer pediu nesta quarta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) acesso a sete gravações recuperadas pela Polícia Federal na perícia feita no áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu. As informações são da Agência Brasil.
Ao Supremo, os advogados alegam que sete gravações não foram juntadas ao inquérito contra o presidente após o trabalho pericial. Para Antônio Claudio Mariz, representante de Temer, as gravações são necessárias para compor a defesa durante a votação na Câmara dos Deputados, prevista para 2 de agosto, sobre o aval da Casa para o prosseguimento da denúncia contra o presidente no Supremo.
Em função do período de recesso na Corte, a questão foi encaminhada à presidente do STF, Cármen Lúcia.
"Requer-se à Vossa Excelência seja oficiado o Instituto Nacional de Criminalista (INC) a fim de que possa fornecer, diretamente à defesa, os sete arquivos recuperados dos gravadores, conforme informados na Tabela 07 de seu parecer, pelo meio mais expedito, como garantia à ampla defesa que se pretende praticar junto ao plenário da Câmara dos Deputados no dia 02/08", diz a defesa.

Após reuniões, DEM minimiza a crise

Um dia após ver o presidente Michel Temer tentar frear o avanço sobre rebeldes do PSB, lideranças do DEM procuraram encerrar o assunto. O primeiro gesto no sentido de virar a página foi do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que começou o dia negando que a movimentação de Temer tenha sido discutida no jantar que aconteceu na noite de terça-feira na residência oficial do deputado.
"Não existiu esta conversa. (Não houve) nenhuma conversa objetiva. (Falamos de) assuntos do passado e agenda da Casa. Apenas isso. Quem falou diferente mentiu. Pode escrever aí se quiser", disse Maia. Pouco antes de embarcar para seu estado, no final da manhã, o vice-líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), foi ao Palácio do Planalto para conversar com Temer. Saiu do encontro afirmando que houve uma "falsa crise". "Consta que o presidente não convidou parlamentares para ingressarem no partido dele e nem tentou dissuadir deputados para virem para o Democratas", disse Pauderney.

Líder do PSB adota tom pacificador

Um dia após flertar com DEM e PMDB, a líder da bancada do PSB na Câmara, deputada Tereza Cristina (MS), adotou um tom pacificador e disse acreditar em uma reaproximação com o partido. Em nota divulgada na manhã de ontem pela liderança do PSB na Casa, a líder afirmou que o encontro com o presidente Michel Temer foi apenas uma "visita de cortesia" e que o assunto foi a pauta do semestre.
"Quanto às especulações sobre a filiação de deputados socialistas a esta ou àquela legenda, enfatizamos acreditar, antes de mais nada, na retomada do diálogo com a direção executiva do PSB", diz a nota. Fora da agenda oficial, Temer participou ontem de um café no apartamento funcional de Tereza com mais quatro parlamentares para fazer o convite de filiação ao PMDB.
O encontro foi intermediado pelo deputado Danilo Forte (PSB-CE). "Ele perguntou sobre a nossa situação no partido e falou: 'O PMDB está aí também, conversem com o (senador Romero) Jucá (presidente do PMDB)", disse Tereza. Logo depois, ela e outros parlamentares seguiram para a residência de Maia, onde foram recebidos para tratar da possibilidade de migração dos dissidentes para o DEM.
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