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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de julho de 2017. Atualizado às 22h31.

Jornal do Comércio

Política

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operação lava jato

Notícia da edição impressa de 18/07/2017. Alterada em 17/07 às 21h41min

Janot achou que delação de Joesley era mentirosa

'Sopesei o interesse público', afirma o procurador-geral da República

'Sopesei o interesse público', afirma o procurador-geral da República


EVARISTO SA/EVARISTO SA/AFP/JC
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, sem citar nomes, "não ter acreditado" quando Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, mostrou as gravações que envolviam o presidente Michel Temer (PMDB). "A primeira reação nossa foi dizer que era mentira, que não podia acontecer aquilo. Depois de três anos e meio de Lava Jato, com todos os números alcançados, era inacreditável que a prática de crime continuasse de maneira aberta", afirmou o procurador-geral, que completou: "Aí nos foram apresentadas partes de uma gravação em que se comprovava envolvimento desses altos dignatários da República. Foi a primeira colaboração para cessar prática delituosa, e não delitos acontecidos no passado. E delitos gravíssimos".
As declarações foram dadas nos Estados Unidos, onde participou de evento no Woodrow Wilson Center, no qual falou sobre o uso dos acordos de colaboração premiada na promoção de Justiça e do Estado de Direito no Brasil. O procurador-geral disse ainda que "ninguém se sente feliz concedendo imunidade a criminoso, ninguém gosta disso". Janot revelou os motivos que o levaram a aliviar plenamente a situação de Joesley Batista.
Ele contou que recebeu a denúncia do empresário, atualmente residindo em Nova Iorque com a família. Joesley, segundo Janot, exigiu imunidade total em troca da munição de que dispunha contra o presidente. "Sopesei o interesse público", declarou Janot.
"A grande polêmica que se tem hoje no Brasil é a concessão de imunidades a pessoas ricas, que moram aqui em Nova Iorque, não moram no Brasil já há algum tempo", disse Janot. "Essas pessoas (Joesley e outros executivos da JBS) procuraram agentes do Ministério Público para oferecer a possibilidade de um acordo penal. E envolviam altas, altíssimas autoridades da República."
Joesley gravou conversa com Temer na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu. O diálogo mostra que o empresário contou ao presidente práticas criminosas, inclusive o pagamento de mensalinho a um procurador da República - no caso, Ângelo Goulart, que está preso - e propinas a Eduardo Cunha (PMDB) - detido na Lava Jato desde outubro de 2016 - em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados.
O chefe do Ministério Público Federal brasileiro detalhou as negociações com Joesley e os outros executivos da JBS na missão histórica que levou à denúncia criminal contra o presidente por crime de corrupção passiva. 
"Em toda a negociação, esses sujeitos diziam, 'olha, a gente não abre mão de imunidade, porque a extensão do que se entrega aqui é enorme, e nós queremos, enfim, usar os nossos meios para evitar qualquer tipo de reação, e da imunidade, então, a gente não abre mão. Todo o resto a gente negocia, agora, imunidade não tem como negociar'", disse Janot.
"Essa é a decisão que me tocou naquele momento", afirmou. "Sopesando o interesse público, conceder imunidade a criminosos, e são criminosos mesmo, praticaram vários e vários crimes, ou não, sabendo da prática do curso em crime, sem ter como fazer cessar essa prática. Sopesando o interesse público, eu disse: eu vou conceder imunidade e, depois, tento explicar, porque ninguém se sente feliz concedendo imunidade a criminoso, acho que ninguém gosta disso. Mas foi possível sopesando interesse público e da sociedade brasileira."
"Posso afirmar que uma investigação desse tamanho não chegaria onde chegou se não fosse esse poderoso instrumento da colaboração premiada, alguém de dentro nos ajuda a entender a estrutura de uma organização criminosa", completou o procurador-geral.
 
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