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Porto Alegre, domingo, 30 de julho de 2017. Atualizado às 22h34.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 31/07/2017. Alterada em 30/07 às 19h33min

O fim da hipocrisia

Montserrat Martins
A hipocrisia acabou, basta ver as pessoas se xingando diariamente nas redes sociais, se ofendendo por serem ou pensarem de modos diferentes. Isso é ruim ou é bom, afinal? Em que rumo estamos caminhando, a que tudo isso vai nos levar? Uma vez cheguei a desejar que as pessoas fossem hipócritas, num local onde trabalhei, pois eram tantas ofensas sinceras que ficava difícil se concentrar. Aquilo me mostrou a utilidade da hipocrisia, pois, se as pessoas falassem pelas costas, haveria menos tumultos explícitos e constantes. A hipocrisia é necessária ao funcionamento social, mas dificulta a evolução civilizatória, já que mascara os problemas, como se eles não existissem. Sem ela, as pessoas poderiam brigar até se matar, por não saber resolver diferenças desprovidas de máscaras. Por outro lado, sem sinceridade para admitir nossos pensamentos mais maldosos e preconceituosos, nunca iríamos aprofundar nada, fazendo de conta que tudo está bem.
Naquele lugar onde desejei a hipocrisia, após as brigas extrapolarem os limites, pessoas foram transferidas de local. Mas o resultado final foi surpreendente. Anos depois, voltamos a trabalhar juntos, já num outro patamar de relacionamento: cansados de brigar sem resultado, passamos à etapa de reconhecimento das diferenças. Como uma Europa no pós-guerra, convivemos com nossas identidades distintas. Desagradáveis e até perigosos, quando a hostilidade foge ao controle, os conflitos são essenciais à evolução. Quando Donald Trump foi recebido por Angela Merkel e citou muros no seu discurso, a chanceler alemã falou em construir pontes em vez de muros. Os alemães tiveram de exorcizar os próprios fantasmas do nazismo e sabem reconhecer os germes dele no discurso do Trump. Os norte-americanos, que ainda não tiveram seu Hitler ou Stalin, têm agora seu líder mais belicoso e que está dividindo o país com sua mania de superioridade explícita, o que já foi mais implícito na cultura norte-americana. Seja no Brasil ou nos Estados Unidos, os piores debates são necessários para um aprendizado coletivo, para uma evolução cultural.
Psiquiatra
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