Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 31 de julho de 2017. Atualizado às 22h30.

Jornal do Comércio

Internacional

COMENTAR | CORRIGIR

Venezuela

Notícia da edição impressa de 01/08/2017. Alterada em 31/07 às 20h49min

Parlamento da Venezuela comemora 'derrota' do governo em votação sobre Constituinte

Julio Borges (c) disse que governo 'débil' inventou 8 milhões de votos

Julio Borges (c) disse que governo 'débil' inventou 8 milhões de votos


FEDERICO PARRA/FEDERICO PARRA/AFP/JC
O Parlamento da Venezuela, de maioria opositora, comemorou ontem o que considerou como uma derrota do governo de Nicolás Maduro nas eleições da Assembleia Nacional Constituinte realizadas no domingo. Segundo o Legislativo, os resultados foram inventados. "A realidade política é que o povo venezuelano derrotou o governo de maneira contundente", disse o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges. Para ele, a derrota deve dar "mais força e determinação" aos venezuelanos para "continuar na luta".
Borges deu as declarações a jornalistas na sede do Palácio Legislativo, onde os opositores chegaram cedo para resguardar o recinto, perante a possibilidade de que fosse tomado pelo oficialismo para instalar a Constituinte. Logo após a chegada dos parlamentares, um grupo de coletivos ligados ao governo rodeou o Parlamento e impediu a entrada de fotógrafos e de outros jornalistas.
Borges disse que "este passo final" do governo de ter avançado com a Constituinte para mudar a Carta Magna, apesar da rejeição da oposição e do chavismo crítico, mostra que se trata de "um governo tão desesperado, tão débil que tem que inventar 8 milhões de votos que não existem".
Já o deputado Henry Ramos Allup disse esperar que "não pretendam dissolver um poder eleito legitimamente", como é a Assembleia Nacional. No entanto, poucos minutos após o anúncio dos resultados, Maduro assegurou que o Parlamento devia ser "revisado", e a imunidade de alguns deputados, suspensa.
A Constituinte foi votada no domingo em meio a grandes protestos, reprimidos pelas forças de segurança, deixando um saldo de pelo menos 10 mortos, segundo dados do Ministério Público. A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a violência e as mortes durante a eleição na Venezuela. Em comunicado publicado, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pediu que se abram "investigações independentes" para determinar as circunstâncias das mortes. O apelo foi feito dias depois de a Organização dos Estados Americanos (OEA) indicar que está coletando material para denunciar a Venezuela por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional.
"Lamentamos que pelo menos 10 pessoas tenham morrido na Venezuela no fim de semana, enquanto ocorriam protestos sobre a eleição para a Assembleia Constituinte", declarou Elizabeth Throssell, porta-voz das Nações Unidas para Direitos Humanos. "Pedimos investigações imediatas, efetivas e independentes, e pedimos que o governo coopere plenamente com essas investigações", insistiu.
Também ontem, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra o governo venezuelano. "As eleições ilegítimas de domingo confirmam que Maduro é um ditador que ignora a vontade do povo venezuelano", disse o secretário do Tesouro, Steven T. Mnuchin.

Maduro diz que Constituinte começa a operar em uma semana

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou ontem que a nova Assembleia Constituinte do país começará a operar dentro de uma semana. Maduro disse que usaria os poderes da Assembleia para impedir que os candidatos da oposição vencessem as eleições governamentais em dezembro, a menos que haja uma coordenação entre situação e oposição para negociar o fim das hostilidades que geraram quatro meses de protestos e ao menos 125 mortos e quase 2 mil feridos.
Mais de 8 milhões de venezuelanos votaram no domingo segundo o órgão eleitoral do país. O número representa 41,53% do total de eleitores do país e é muito mais do que foi estimado pela coalizão opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática), que previa apenas 2,48 milhões de pessoas votando, 12% dos 19,8 milhões dos eleitores.
"Em extraordinária participação, 41,53% dos eleitores votaram", anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. O presidente Nicolás Maduro comemorou a marca em discurso na Praça Bolívar, no centro de Caracas. "Teremos Assembleia Constituinte. Essa é a maior votação da revolução bolivariana em toda sua história eleitoral", disse. O líder da oposição, Henrique Capriles, pediu aos venezuelanos que continuem a protestar contra a Assembleia, com os críticos temendo que Maduro ganhe ainda mais poder após a votação.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia