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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de julho de 2017. Atualizado às 23h09.

Jornal do Comércio

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Educação

Notícia da edição impressa de 21/07/2017. Alterada em 20/07 às 22h02min

Combate à crise ética passa pelo debate, diz Barros Filho

Segundo o docente, sociedade está muito longe de se tornar melhor

Segundo o docente, sociedade está muito longe de se tornar melhor


FREDY VIEIRA/FREDY VIEIRA/JC
Isabella Sander
A sociedade brasileira vive uma crise ética sem precedentes. Para combatê-la, o conhecido jornalista e professor universitário Clóvis de Barros Filho sugere um debate envolvendo a todos como solução. Livre docente da Universidade de São Paulo (USP), Barros Filho atualmente ministra palestras sobre ética em todo o Brasil. Nesta quinta-feira, foi palestrante no 14º Congresso do Ensino Privado Gaúcho, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs).
O professor iniciou sua explanação abrangendo a questão da moral, referindo-se ao experimento sugerido por Platão - o que você faria se fosse invisível? "Na moral, mesmo invisível, você não fica com o que é seu, porque, mesmo invisível, você ainda tem, em última instância, um controle: você próprio", destaca.
Barros Filho propõe que se imagine uma sociedade na qual todos se respeitam, não por medo, mas sim por moral. Nessa sociedade, não seriam necessários equipamentos como quebra-molas ou câmeras de segurança, e as pessoas, no lugar de trabalharem vigiando umas às outras, ocupariam seu tempo refletindo sobre como tornar a sociedade melhor. "Essa sociedade está muito distante. Na verdade, estamos mais longe dessa sociedade do que já estivemos. Vivemos uma desmoralização da moral. Estamos frágeis e mal formados", observa.
Em um curto espaço de tempo de uma geração para outra, por exemplo, estabelecimentos deixaram de aceitar pagamento fiado e, hoje, olham com desconfiança para seus clientes, conferindo a veracidade da cédula oferecida e fazendo longos cadastros. A disponibilização constante de instrumentos de controle, conforme o palestrante, destrói o senso moral, vinculando artefatos conservadores a limites de conduta. "Fabricamos um coletivo que despreza a moral, destruindo a lucidez que uma moral bem formada produziria", critica.
Sob a ótica de Barros Filho, a ética é a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência humana. "Quando se mora com alguém, você deixa de fazer algumas coisas para não interferir na felicidade do outro. Havendo convivência, não dá para fazer o que se quer e ter prazer o tempo todo. Isso se aplica tanto a um casal compartilhando um apartamento quanto à sociedade compartilhando o planeta Terra", define.

'A ética é a vitória da convivência sobre a canalhice', afirma o docente

"A ética é a vitória da convivência sobre a canalhice", define Barros Filho. Para ele, uma sociedade que permite que o canalha vença - seja o canalha vil, que usa seu cargo público para enriquecer de forma ilícita, seja o canalha ingênuo, que comete pequenas ações antiéticas para se beneficiar mesmo prejudicando o outro - é uma sociedade doente.
Para os educadores que lotavam a plateia, Barros Filho alertou que é preciso promover um debate que abranja o ineditismo da realidade atual. "O Facebook, por exemplo, tem muita coisa boa, mas pode ser nefasto e promover o bullying virtual. A maneira certa de lidar com isso depende de nós, porque nenhum filósofo grego falou sobre Facebook. A ética é, mais do que uma tabela, um debate de todos nós", ressalta. Na hora de falar sobre ética, é preciso não só de respeitadores das normas, mas também de participantes da discussão.
Para saber se as escolhas foram bem feitas, o palestrante sugere refletir sobre a sua própria vida. "Quando você está em uma situação boa, quer que ela dure mais. Quando a vida é boa e feliz, você lamenta a possibilidade de que acabe. A vontade que dure um pouco mais é o sintoma de uma vida feliz", resume. No ensino, isso também se aplica, segundo Barros Filho - aprende-se com prazer, a vontade é de nunca mais parar de aprender.

Congresso do Ensino Privado incentiva ousadia para mudar

Com palestras e atividades até esta sexta-feira, o 14º Congresso do Ensino Privado Gaúcho busca trazer a reflexão aos professores sobre a ousadia para mudar. "Constatamos que se estuda muito, se participa de congressos, mas não se muda. Por quê? Qual a dificuldade?", questiona o 2º vice-presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS), Oswaldo Dalpiaz. Para o sindicalista, falta ousadia para iniciar o processo de mudança em cada indivíduo.
A fim de despertar o processo de mudança, foram organizadas discussões, na quarta-feira, sobre as dificuldades internas para mudar, e, na quinta-feira, foram trazidos os cenários atuais. "Se você sabe para onde tem que ir, é mais fácil mudar. Se não sabe, é difícil até querer a mudança", observa Dalpiaz.
Nesta sexta-feira, o desafio será falar sobre o que é preciso fazer para acontecer a mudança. "Hoje, temos um cenário no qual a escola sente necessidade de avançar, mas lhe falta meios, os alunos pensam diferente de antigamente, é preciso entendê-los, entender a nova metodologia e como faremos para chegarmos à mudança que queremos."
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