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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de julho de 2017. Atualizado às 00h12.

Jornal do Comércio

Economia

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Política Monetária

Notícia da edição impressa de 26/07/2017. Alterada em 25/07 às 21h28min

Selic deve voltar a um dígito após quatro anos

A promessa de condução responsável da política econômica e a meta de inflação menor nos próximos anos são os argumentos da equipe econômica para defender que a queda do juro básico para o patamar de um dígito na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) será "diferente" da que foi vista nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na ocasião, após cair para um dígito, a Selic subiu logo em seguida.
A expectativa do mercado é que a Selic seja reajustada dos atuais 10,25% ao ano para 9,25%. A taxa ficou em um dígito em apenas duas ocasiões desde a adoção do regime de metas para a inflação, em 1999. Primeiro, no governo Lula, quando operou quase um ano abaixo de 10%, até junho de 2010. O segundo momento aconteceu por um ano e meio até o fim de 2013, quando o Brasil experimentou o menor juro recente: 7,25% no governo Dilma. Nos dois casos, a volta da inflação levou a uma correção de rota.
Agora, a equipe econômica argumenta que o quadro pode ser diferente. Primeiro, porque o regime de metas de inflação foi ajustado com a adoção de referências mais rígidas. Até 2018, a meta será de 4,5%. Depois, passará a 4,25% em 2019.
Outro fator que dá respaldo ao juro baixo é a política econômica. Com Michel Temer, alguns procedimentos do governo que influenciam a inflação foram alterados. A política de preços dos combustíveis, por exemplo, foi radicalmente trocada, e os valores passaram a reagir rapidamente à oscilação do mercado. Isso diminui o risco de manobras, como contenção de preços.
Mônica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia, em Washington, afirma que o Banco Central (BC) perdeu janelas importantes, logo que a nova equipe assumiu, para reduzir os juros. "Foram excessivamente conservadores, quando se olha a taxa de juros real, demorou demais para cair, o BC estava sendo mais conservador do que precisava."
Em Brasília, o juro de um dígito é recebido com especial comemoração diante da crise que ameaça Temer. Mas o cada vez mais difícil andamento das reformas é tido como ameaça, e o BC reconhece a incerteza como "fator de risco principal para a trajetória da inflação". Estimativa do site MoneYou e da Infinity Asset Management aponta que, com a Selic em 9,25% ao ano, os juros reais ficariam em 3,71% em 12 meses.
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