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Porto Alegre, sexta-feira, 21 de julho de 2017. Atualizado às 09h10.

Jornal do Comércio

Economia

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Investimentos

Alterada em 21/07 às 09h12min

Biolab vai investir R$ 450 milhões em nova fábrica de medicamentos em Minas Gerais

O laboratório terá capacidade para produzir 200 milhões de unidades de medicamentos por ano

O laboratório terá capacidade para produzir 200 milhões de unidades de medicamentos por ano


FRED TANNEAU/AFP/JC
A farmacêutica nacional Biolab anunciou na quinta-feira (20) investimentos de R$ 450 milhões para construir uma nova fábrica. O laboratório vai ser erguido em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, e terá capacidade para produzir 200 milhões de unidades de medicamentos por ano.
Uma das maiores farmacêuticas de capital nacional, com faturamento de R$ 1,25 bilhão em 2016, de acordo com a consultoria IMS Health, a nova unidade será projetada para atender também o mercado externo. Do total a ser investido, 40% serão bancados com recursos próprios do grupo. O restante será captado no mercado.
Em entrevista, Cleiton Castro Marques, sócio e presidente do grupo, afirmou que a Biolab já estava planejando esse movimento de expansão há algum tempo. A atual crise econômica e política pela qual o País passa não afetou os planos da companhia. "O setor farmacêutico como um todo sofreu forte retração com a crise, mas mesmo assim deverá crescer 8% este ano. A expectativa é de que as vendas Biolab aumentem entre 8% e 10% este ano."
As operações do novo complexo industrial devem começar a partir de 2020, ainda de forma parcial. O grupo, que tem três unidades produtivas, todas no Estado de São Paulo, ganhou incentivos fiscais do governo mineiro para construir sua nova unidade no Estado.
Entre 2009 e 2012, o setor farmacêutico viveu um boom de investimentos, com a construção de novas unidades e também com movimentos de fusões e aquisições, sobretudo de multinacionais que buscavam laboratórios produtores de medicamentos genéricos.
Esse movimento começou a se arrefecer nos últimos anos por conta da crise. "As multinacionais tiraram o pé do acelerador, mas não estão deixando de investir no País", afirmou Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma (Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de São Paulo).
Ele lamenta, contudo, que o Estado de São Paulo esteja perdendo investimentos do setor para outros Estados. "O governo do Estado de São Paulo tem de olhar com atenção os incentivos que estão sendo concedidos pelos Estados vizinhos. São Paulo tem perdido investimento por conta da guerra fiscal."
Líder em medicamentos de prescrição voltados para cardiologia e atuação em pediatria, ginecologia e ortopedia, a Biolab também está se preparando para expandir sua atuação no segmento veterinário. Atualmente essa divisão de negócio representa 1% da receita total do grupo, mas deverá ter relevância maior nos próximos três anos.
O mercado veterinário voltado para animais de pequeno porte tem crescido no Brasil e esta será a aposta do grupo, segundo Marques. "O segmento de animais de grande porte tem margens menores e é mais competitivo." A Biolab, assim, segue o mesmo caminho de outros grupos, como as nacionais Eurofarma e a União Química.
Na contramão de parte do setor farmacêutico, que tem olhado com atenção o segmento de dermocosméticos, a Biolab não quer ampliar sua atuação nesse setor. Interessa a Marques atuar em dermatologia, mas para medicamentos prescritos.
A Biolab tem 276 pedidos de patentes em várias áreas da saúde, inclusive em inovação radical. Não interessa ao grupo farmacêutico entrar no segmento de medicamentos genéricos (cópias de remédios que perderam a patente). "Nosso foco será em inovação", disse o empresário.
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