Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 23h12.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Agronegócios

Notícia da edição impressa de 14/07/2017. Alterada em 13/07 às 21h24min

JBS teria mantido 'mensalinho' para fiscais

Empresa vai repassar lista dos beneficiados, afirmou Eumar Novacki

Empresa vai repassar lista dos beneficiados, afirmou Eumar Novacki


/Valter Campanato/VALTER CAMPANATO/Agência Brasil/Divulgação/JC
O Ministério da Agricultura afirma que foi informado de que uma das delações da empresa JBS aponta que a maior processadora de proteína animal do mundo teria pago um "mensalinho" a dezenas de fiscais, na esperança de reduzir os entraves no exame de sua produção. Os dados foram revelados pelo jornal Valor Econômico e confirmados, nesta quinta-feira, em Genebra, na Suíça, pelo secretário executivo do Ministério, Eumar Novacki.
Segundo Novacki, a JBS agora vai passar essa lista dos funcionários que foram beneficiados por esses pagamentos. "Sabíamos que essa lista viria. Isso faz parte de um dos anexos da delação, e tivemos acesso a ela", confirmou.
De acordo com a reportagem do jornal, o "mensalinho" chegava a R$ 20 mil por servidor e pode ter atingido 200 funcionários. "Assim que tivermos acesso à lista, tomaremos as devidas providências", afirmou Novacki. "Vamos abrir processos administrativos para apurar. A questão criminal cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público", disse. "Vamos apurar com muito rigor. Não queremos cometer injustiças, mas não vamos empurrar poeira para baixo do tapete", disse.
"Até onde entendemos, no passado, o Ministério da Agricultura pagava horas extras aos fiscais. Mas isso foi cortado. Como as empresas continuavam a abater, em tese, era a empresa que estava pagando a hora extra ao funcionário", explicou. "O problema é que isso não tem amparo legal", afirmou.
Novacki, que, nesta semana, em Genebra, já havia dito que novas revelações de propinas tinham sido feitas ao ministério, não descarta que outras empresas também estejam envolvidas. "Esse mecanismo de pagamento de hora extra parece que foi em várias empresas. Eu não sei se as demais baniram isso ou não. O caso só chegou ao nosso conhecimento depois da JBS", disse.
Segundo ele, "denúncias têm chegado diariamente". "Nós estamos apurando e compartilhando com o Ministério Público e a Polícia (Federal) denúncias de fiscais recebendo de outras plantas, mas ninguém colocou isso no papel, como a JBS. Se a questão é crônica, vamos apurar. Se ocorreu com uma empresa, pode, provavelmente, ter ocorrido com outra", disse. "Não posso deixar meu sistema entrar em colapso neste momento", defendeu. Ele garante que a segurança dos alimentos jamais foi colocada em xeque.
Novacki não descarta que a Europa vá usar esse novo caso para pressionar e ameaçar com embargos. Bruxelas já indicou que, se o processo de verificação da carne brasileira não for modificado até o final do ano, pode tomar medidas fechando os mercados.
De acordo com o secretário, uma reforma será feita no processo de inspeção federal. "Mas não é tão fácil virar a página", disse. Hoje, os fiscais, em uma unidade produtiva, são pagos pela empresa, mas respondem a um fiscal do Estado.
A Europa já disse que não vai mais tolerar tal mecanismo e que quer que todos os inspetores sejam do Estado. Para o secretário, não há como fornecer o número exigido. "Não há como contratar da noite para o dia 10 mil inspetores", disse.
O que o governo estuda, neste momento, é a criação de uma agência, bancada pelo setor privado. A entidade, porém, estaria vinculada ao governo e disponibilizaria às unidades de produção os inspetores. "Estamos ainda tentando achar um modelo que seja moderno e que garanta a segurança sanitária", disse Novacki, destacando a "resistência corporativa" dos fiscais.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia