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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de julho de 2017. Atualizado às 11h18.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 12/07/2017. Alterada em 11/07 às 21h21min

Opinião econômica: Deflação + Recessão = Juros Altos

Steinbruch tem fama de desistir de negócios na última hora

Steinbruch tem fama de desistir de negócios na última hora


/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Há um desencanto geral com a política no Brasil. A crise é tão profunda que muitas pessoas já se convenceram de que não poderemos contar com estabilidade política pelo menos até o início de 2019.
Nessas condições, ganha força a ideia de que a economia deve se desconectar ao máximo da política. O próprio mercado financeiro dá mostras de que as bombásticas notícias na área política, envolvendo corrupção, já não têm tanto impacto nas cotações. No caso que envolveu a delação da JBS, por exemplo, houve pouca flutuação da bolsa e do dólar.
Isso é positivo para o País neste momento. Em artigo anterior, já defendi aqui, a ideia de que, mesmo na conjuntura atual de absoluta incerteza política, é possível fazer algo para atenuar a terrível recessão que colocou 14 milhões de pessoas no desemprego.
Mantenho essa ideia, mas concordo que as coisas não são tão simples. É necessário, por exemplo, sensibilidade dos parlamentares para colocar os interesses do País à frente de seus interesses pessoais. As reformas da legislação trabalhista e da Previdência precisam ser concluídas, seja quem for o presidente da República, seja qual for o partido no poder.
Como disse o ex-ministro Antonio Delfim Netto, a reforma da Previdência não é uma questão política, é aritmética. Se não for feita, vão faltar recursos para pagar a aposentadoria das pessoas. Negar a reforma seria como negar que 2 mais 2 são 4. A trabalhista também é essencial, porque moderniza as relações entre empregados e empregadores, o que deve ampliar e proteger os empregos formais.
A verdade é que o País não pode esperar até janeiro de 2019 para começar a pensar em crescimento econômico. Então, além das reformas, que dependem do bom-senso dos políticos, precisa de medidas de política econômica, dependentes do bom-senso da equipe econômica. Bom-senso para usar os recursos públicos disponíveis para financiar investimentos básicos em infraestrutura, grandes geradores de empregos. E bom-senso para entender que a redução dos custos do crédito no País tem urgência urgentíssima.
Quando a condução econômica brasileira atual for estudada nas escolas, daqui a algumas décadas, certamente vai virar um exemplo dos mais clamorosos erros da história. O País está em deflação (-0,23% em junho) e vive uma recessão profunda, que derruba as receitas do governo e aumenta perigosamente o déficit público. Apesar disso, a taxa básica de juros é a mais alta do mundo. O óbvio ululante, para usar a expressão criada por Nelson Rodrigues, é que o déficit só deve diminuir quando a economia voltar a crescer, porque haverá recuperação das receitas. E esse crescimento depende, substancialmente, da queda dos juros.
Isso tudo, portanto, nada tem a ver com política. São atitudes que podem ser tomadas seja qual for o presidente ou o partido no poder. Dependem do bom-senso para oferecer oxigênio aos cidadãos e às empresas. Os cidadãos precisam de empregos para se sentir seguros e retomar o consumo, empregos que só podem vir pelo setor da infraestrutura. As empresas precisam de crédito com juros honestos para reescalonar suas dívidas e voltar a investir. E uma coisa está ligada à outra.
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa
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