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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de julho de 2017. Atualizado às 22h09.

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teatro

Notícia da edição impressa de 21/07/2017. Alterada em 20/07 às 16h44min

Peça Dorotéia estreia em Porto Alegre com Rosamaria Murtinho e Leticia Spiller

Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller em cena de Dorotéia

Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller em cena de Dorotéia


CAROL BEIRIZ/CAROL BEIRIZ/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Rosamaria Murtinho, de 81 anos, comemora 60 anos de carreira no palco como protagonista da peça Dorotéia, de Nelson Rodrigues. Depois de estrear no Rio de Janeiro em 2016, Dorotéia chega a Porto Alegre nesta sexta-feira e sábado, às 21h, e domingo, às 18h, no Theatro São Pedro. Rosamaria compartilha o palco com Letícia Spiller e mais 10 atores.
A atriz tomou a iniciativa de ligar para o encenador Jorge Farjalla após assistir ao espetáculo Paraíso Agora ou Prata Palomares, dirigido pelo mesmo. "Adorei o seu trabalho e gostaria de ser dirigida por você. Espero que você me desconstrua em cena", disse ela, que comenta ser lembrada pelo público pelos "papéis de grã-fina com o nariz arrebitado", apesar de seu primeiro sucesso ter sido na novela A moça que veio de longe (1964), de Ivani Ribeiro, em que fazia uma empregada doméstica.
A peça - que o próprio Nelson Rodrigues incluiu em seu ciclo do "teatro desagradável" - mostra como o profano e o sagrado caminham juntos. Escrita em 1949, Dorotéia estreou no ano seguinte. A matriarca da família, Dona Flávia (Rosamaria) recebe Dorotéia (Letícia Spiller), ex-prostituta que largou a profissão após a morte do filho e vai buscar abrigo na casa de suas primas, onde vivem também Maura (Alexia Deschamps) e Carmelita (Jaqueline Farias), em um espaço sem quartos e, nos quais, há 20 anos não entram homens.
Por perceber o arrependimento de Dorotéia, Dona Flávia permite que a mesma fique, contanto que ela aceite as condições de viver naquela casa. Em troca de abrigo, Dorotéia aceita se tornar tão feia e puritana como as primas. O texto é uma ode à beleza da mulher, em que a personagem título segue em busca da destruição de sua própria beleza para se igualar à feiura das primas.
"Resolvi comemorar esses 60 anos com um texto de força do melhor dramaturgo brasileiro. Antes mesmo de Ionesco, Nelson Rodrigues já fazia teatro do absurdo colocando em cena objetos cujo significado é extremamente importante para a dramaturgia. Nesta peça, por exemplo, contracenamos com uma bota", conta Rosamaria, em sua primeira interpretação de um trabalho do Nelson Rodrigues.
Ao contrário do texto original, a versão de Farjalla inclui um coro masculino, que permeia a encenação executando, ao vivo, os sons e a trilha do espetáculo.
A carreira de Rosamaria inclui diversos pontos emblemáticos do teatro brasileiro, como sua passagem pelo Teatro Oficina (A engrenagem, baseada na obra de Jean-Paul Sartre), a encenação de Vejo um vulto na janela, me acudam que eu sou donzela, de Leilah Assumpção, e a série de peças escritas por Maria Adelaide Amaral, como Ô abre alas.
Ela também destaca os trabalhos que realizou com Maria Inez Barros de Almeida e Maria Della Costa, além dos espetáculos que ocorreram no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), como Rua São Luiz, 27, 8º Andar. Os ingressos para as apresentações custam de R$ 25,00 a R$ 100,00.
Dorotéia
No Theatro São Pedro (praça Marechal Deodoro s/nº), sexta-feira e sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Ingressos entre R$ 25,00 e R$ 100,00.
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