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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de julho de 2017. Atualizado às 22h37.

Jornal do Comércio

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Pesquisa

Notícia da edição impressa de 18/07/2017. Alterada em 17/07 às 21h00min

Estudo mapeia processos sobre tráfico de pessoas e escravidão no País

Entre 1995 e 2015 ocorreram 1.890 operações contra o trabalho escravo no Brasil

Entre 1995 e 2015 ocorreram 1.890 operações contra o trabalho escravo no Brasil


MARCELLO CASAL/ABR/JC
Uma nova pesquisa contratada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pretende identificar e analisar ações sobre práticas de submissão de pessoas à condição análoga à escravidão ou ao tráfico humano. O estudo deve ser concluído em nove meses, e é uma das seis previstas no edital da Série Justiça Pesquisa.
Iniciado em 2012, o projeto é coordenado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ e seleciona instituições públicas e privadas sem fins lucrativos para a realização de pesquisas acerca de políticas e ações relativas ao Poder Judiciário.
Em 2015, o CNJ instituiu o Fórum Nacional do Poder Judiciário para Monitoramento e Efetividade das Demandas Relacionadas à Exploração do Trabalho em Condições Análogas a de Escravo e ao Tráfico de Pessoas. O objetivo é realizar a articulação prévia para ações de combate ao trabalho escravo, envolvendo juízes e o Ministério Público.
A pesquisa deve apresentar um panorama do trabalho escravo e do tráfico de pessoas no Brasil, não se limitando somente a fornecer a quantidade de processos do tema, mas onde tramitam, seu tempo médio de duração, e o perfil das partes envolvidas. A proposta é que o estudo possa apontar as diferenças de tratamento do tema na Justiça por diversas regiões do Brasil, explorando possíveis causas para as discrepâncias encontradas. Além disso, o estudo vai englobar o desfecho ou sentença dada para casos sobre esses temas.
Conforme destaca o edital da Série Justiça Pesquisa, é possível que exista uma subnotificação de casos de trabalho escravo e tráfico de pessoas que nem sempre chegam ao Judiciário. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, entre 1995 e 2015, ocorreram no Brasil 1.890 operações contra o trabalho escravo.
Nessas operações, foram libertados 49,8 mil trabalhadores e pagos R$ 95 milhões em direitos sonegados a eles. Além disso, há as indenizações por danos morais coletivos, segundo o ministro Lélio Bentes, ex-conselheiro do CNJ. Uma delas chegou a mais de R$ 5 milhões, verba que é revertida em projetos para melhoramento das condições de vida nas localidades de origem dos trabalhadores libertos.
A etapa final da pesquisa deve abranger a identificação e crítica de situações que impedem a correta e rápida apuração desses casos pelo Judiciário. A instituição contratada deverá apresentar uma proposta de estruturação de ações para a formação continuada de magistrados que contribua para a solução dos problemas diagnosticados durante as etapas de levantamento dos dados.
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