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Porto Alegre, quinta-feira, 03 de agosto de 2017. Atualizado às 00h36.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Criminalidade

Notícia da edição impressa de 03/08/2017. Alterada em 03/08 às 00h37min

Combate a roubo de carga no Rio vai até o fim de 2018

Modalidade de crime causou prejuízos de mais de R$ 6 bilhões nos últimos cinco anos

Modalidade de crime causou prejuízos de mais de R$ 6 bilhões nos últimos cinco anos


VLADIMIR PLATONOW/VLADIMIR PLATONOW/ABR/JC
As ações específicas para combater o roubo de carga no Rio de Janeiro vão integrar os governos do estado e federal, além do setor privado, num planejamento de 18 meses. Também será formado um grupo de trabalho para acompanhar e avaliar as ações, com reuniões quinzenais. O anúncio do Plano Carga Segura foi feito no Palácio Guanabara, sede do governo, após reunião em que participaram o governador Luiz Fernando Pezão e os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Torquato Jardim.
De acordo com o secretário de estado da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, Christino Áureo, mais de 70 entidades, sindicatos, federações e empresas de todos os setores participaram do planejamento. "A área do desenvolvimento econômico vem sendo afetada, obviamente, porque essas cargas representam a chegada dos produtos, o abastecimento não só da Região Metropolitana do Rio, abrange o Brasil inteiro, mas no Rio teve uma escalada recente que chamou a atenção e, por isso, o nível de resposta vai ser bastante intenso", disse.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em cinco anos, o prejuízo decorrente do roubo de carga no Brasil passa de R$ 6 bilhões. No Rio de Janeiro, a estimativa é que o preço de alguns produtos fique 20% mais caro por causa do delito, e as transportadoras chegaram a ameaçar uma paralisação caso o problema não seja resolvido. O secretário de estado de Segurança, Roberto Sá, lembrou que o roubo de carga tem crescido no estado e está relacionado também ao tráfico de drogas, como uma forma de financiamento do crime organizado.
"Solicitamos apoio da Força Nacional e fizemos um planejamento estratégico especial para esse delito na área que ele era mais significativo. Esse aporte demonstrou que ele é eficaz, mas não estaria sendo suficiente em razão da mobilidade e do deslocamento dessa mancha (criminal) para outros polos que passaram a ter também indicadores significativos. Agora, com toda essa integração, vai ser possível", disse o secretário.
Sem divulgar valores, prazos, nem estratégias de ação, Sá informou que os aportes do governo do estado e federal já foram dimensionados, tanto os recursos financeiros como o humano e material. O superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Rio de Janeiro, José Roberto Gonçalves de Lima, confirmou que o efetivo de 380 homens trabalha de forma plena. "Estamos atuando nas fronteiras desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso do Sul, fazendo o monitoramento, tendo em vista a vinda de armas e drogas para o Rio de Janeiro. Já são 10 dias que não temos tentativa de roubo de carga em rodovia." O governador Luiz Fernando Pezão disse que não haverá ocupação de locais específicos, mas que a Força Nacional ficará à disposição das operações no estado. "Vamos contar com um número significativo de homens à disposição das nossas operações. Não vão ser locais ocupados como foram antigamente no Alemão, na Maré, mas eles vãos estar à disposição."

Em São Paulo, ataque a caminhões cresce pelo 13º mês seguido

O estado de São Paulo, sob a administração de Geraldo Alckmin (PSDB), vive uma epidemia de roubo de cargas. O crescimento desse tipo de crime foi de 23% nos primeiros seis meses deste ano, em comparação a igual período do ano passado, o maior aumento registrado em um primeiro semestre desde 2004. Em número absolutos, eles saltaram de 4.398 para 5.417.
O crescimento de junho, de 19% ante o mesmo mês de 2016, é o 13º consecutivo - a maior sequência de altas desse crime desde 2009, quando o Estado registrou uma série de 18 meses. Os dados foram divulgados pelo secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho. "No mês passado, tivemos um aumento muito maior no roubo de carga (37%). Também está parecendo que começa a ter um movimento de queda. Não estou falando que está caindo o roubo. Estou falando que tem uma tendência de diminuição do aumento desse indicador."
Assim como nos meses anteriores, ele relativizou a gravidade dos casos, sob a justificativa de que a maioria envolve produtos com valores abaixo de R$ 5.000. "São roubos de ocasião", afirmou. Durante a apresentação desses dados, a reportagem questionou quais os crimes que mais preocupam a segurança pública. O roubo de carga aparece em quarto lugar no ranking de preocupações de Barbosa, atrás de homicídio, latrocínio e estupro.
Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, 13 meses seguidos de aumento não podem ser desprezados pela polícia. "Já confirma que não é um efeito sazonal. Tem sido uma constante. Em termos estatísticos, é um crescimento. E não deixa de ser uma modalidade de crime que financia PCC e afins. Não é só a droga que financia o crime", afirma.
O assessor de segurança do Setcesp (sindicato das empresas de transportes de carga), coronel Paulo Roberto de Souza, confirma que a maioria dos roubos é de pequeno valor, mas que o fenômeno não é novo. "É a característica do roubo urbano, que alguns chamam de roubo de oportunidade, de ocasião. Mas não é de tanta oportunidade assim, porque é um roubo continuado." Segundo Souza, há casos em que o mesmo comerciante registrou 70 pequenos ataques em seis meses, o que totaliza R$ 2 milhões em mercadoria roubada.
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