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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de julho de 2017. Atualizado às 21h58.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Combustível

Notícia da edição impressa de 27/07/2017. Alterada em 26/07 às 19h16min

Para ANTC alta do imposto encarece o frete em até 4%

Abcam prevê a redução do volume das mercadorias transportadas

Abcam prevê a redução do volume das mercadorias transportadas


EMILIO COSTA/EMILIO COSTA/JC
O aumento do imposto sobre combustível poderá gerar um aumento de até 4% no preço do frete, segundo estimativa da Agência Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), entidade que atua no ramo de consultoria em agenciamento de cargas. Segundo análise da entidade, o reajuste poderá encarecer principalmente produtos com menor valor agregado. Além disso, os produtos ficarão mais caros no Norte e Nordeste, regiões mais distantes dos polos produtores no Sul e Sudeste.
"O quanto do frete será repassado ao produto vai depender do peso do frete no produto. Tem produto que não representa nada. Mas têm situações piores, nas quais o frete pesa, quando o valor do produto é baixo, como na cesta básica com arroz, feijão, farinha. O preço do frete nesses produtos é alto", disse o assessor técnico da ANTC Lauro Valdívia. "As distâncias maiores também são mais impactadas pelo frete."
O transporte terrestre predomina no Brasil, com 60% das mercadorias sendo transportadas por caminhões no País. Nas cidades, essa porcentagem aumenta para 95%, segundo a ANTC. De acordo com a entidade, o combustível representa 40% do custo de um frete e o aumento geralmente é repassado para o preço do transporte.
"O transportador não tem como não repassar esses 4%. Está sem margem nenhuma. O frete cai desde 2014. Mesmo na época boa, a margem (de lucro) era de 5%, fica difícil segurar", disse. Além do mercado interno, o aumento poderá ter impacto também no mercado externo.
Os caminhões que transportam carga para a exportação são maiores e o combustível ultrapassa a média de 40% no custo do frete. Nas cidades, a percentagem cai, e o combustível de pequenos caminhões chega a representar 10% do custo.
Com dificuldades em recuperar a arrecadação, o governo aumentou tributos para arrecadar R$ 10,4 bilhões e cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 139 bilhões. O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol subiu para compensar as dificuldades fiscais.
A alíquota aumentou de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passou de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentará para R$ 0,1964. A medida entrou em vigor na semana passada por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União.
Para o porta-voz da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), Bolívar Lopes, o aumento resultará em uma reação em cadeia. "A Abcam reconhece as dificuldades que o País atravessa. No entanto, o aumento de combustíveis nesse momento levará a encarecimento de muitos produtos para o consumidor final. O transportador também é consumidor final, para o caminhoneiro vai aumentar diesel, pneus, manutenção do veículo e outros insumos", disse.
Segundo ele, o preço dos fretes, que já estavam abaixo dos custos atuais, ainda deve demorar um pouco para ser reajustado, uma vez que os transportadores não querem perder clientes. "Em certas situações haverá um impacto imediato. Em outras, esse impacto será a médio e longo prazo. Nesse momento, as negociações (entre caminhoneiros e clientes) vão ser muito importantes. Os contratos em andamento serão vistos com cautela."
Um dos impactos, quando o preço começar a ser repassado, de acordo com Lopes, será a redução do volume de mercadoria transportada. "O setor recebeu esse aumento com preocupação. Vínhamos pleiteando a desoneração do diesel justamente para equilibrar o valor do frete, que está abaixo da realidade."

Estudo expõe risco da troca do etanol por gasolina em São Paulo

Que o etanol é um combustível menos poluente, uma vez que o gás carbônico emitido na sua queima é reabsorvido no crescimento da cana-de-açúcar, todo mundo já sabe. Mas um estudo calculou agora quanto a troca de gasolina por etanol pode ser bom negócio para a saúde - ou como o combustível fóssil pode ser prejudicial.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Northwestern (EUA) e da Universidade Nacional de Cingapura observaram um aumento de 30% na concentração de partículas ultrafinas, de menos de 50 nanômetros de diâmetro (1 nanômetro = 1 bilionésimo de metro) em São Paulo quando altos preços do etanol levaram 2 milhões de motoristas a substituir o combustível por gasolina.
Os pesquisadores observaram que, quando os preços do etanol voltaram a cair, a concentração das nanopartículas também diminuiu. Medidas por esse tipo de partícula não costumam ser feitas por agências ambientais, que em geral observam gases, como monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio, ou material particulado, já conhecidos pelos seus malefícios à saúde. Nanopartículas, porém, justamente por seu diminuto tamanho, podem ser bastante prejudiciais.
"De todos os poluentes na atmosfera, como ozônio, CO, NOx, SO2, as partículas são as que têm efeito mais danoso à saúde, pois têm acesso direto aos alvéolos pulmonares. Por isso, quando respiramos essas partículas elas têm forte efeito na saúde", explicou o físico Paulo Artaxo, da USP, um dos autores do trabalho publicado na revista Nature Communications. "Descobrimos que o etanol queimado emite 30% menos nanopartículas que a queima de gasolina, em condições reais da atmosfera de São Paulo. Isso faz com a queima de etanol seja bem menos danosa à saúde que a queima da mesma quantidade de gasolina", diz.
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