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Porto Alegre, quarta-feira, 19 de julho de 2017. Atualizado às 21h34.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Opinião

Notícia da edição impressa de 20/07/2017. Alterada em 19/07 às 19h23min

E depois da crise? Como seremos afetados no meio logístico?

Marco Antonio Oliveira Neves
Se nada de surpreendente acontecer nos próximos meses, o Brasil deverá iniciar um novo ciclo positivo, na tentativa de superar as agruras provocadas pela mais nefasta crise econômica de nossa história.
Indicadores macro e microeconômicos como inflação, otimismo de consumidores e empresários, venda de automóveis e caminhões, comercialização de imóveis, encomendas de maquinários etc., apresentaram melhorias significativas nos últimos dias, sinalizando, provavelmente, um ponto de inflexão nessa curva, até então descendente (seria melhor dizer, ladeira abaixo).
Ainda não podemos afirmar que é uma tendência firme, mas pelo menos, pode ser encarada como uma luz no final do túnel. Se tudo continuar caminhando bem, nos próximos meses (vale a pena reiterar, se nada de novo acontecer), uma "onda" de otimismo deverá, inicialmente, atingir os mais diversos setores produtivos no País, começando pela área de vendas, e se espalhar, aos poucos sobre toda a empresa, atingindo a produção (ou operação) e depois, logo em seguida, os demais departamentos de apoio, dentre os quais, a logística, contaminando toda a cadeia que orbita ao redor da sua e das demais empresas que dela fazem parte.
Nas transportadoras e nos operadores logísticos não será diferente. Em uma maior ou menor escala, e isso vai depender dos segmentos de atuação de cada um, as empresas se depararão com o aumento da demanda, que impactará diretamente na sua produtividade operacional e em seus custos, melhorando inclusive um dos pontos mais afetados com essa crise econômica, o fluxo de caixa.
A recuperação deverá ser lenta; levaremos alguns bons anos para retomarmos o patamar pré-crise, por isso, o cuidado deverá ser redobrado, em especial na gestão dos custos fixos e nos novos investimentos.
Acredito que tenhamos aprendido muito com essa situação toda. Ela ficou marcada na memória das empresas, de seus executivos e colaboradores. Marcou também quem, direta ou indiretamente depende dessa renda. O descuido propiciado pelo período de extrema bonança, será substituído pela parcimônia e pela aversão ao risco; estamos todos mais desconfiados e cuidadosos com tudo. Passamos a valorizar mais o nosso dinheiro, obtido às custas de muita tensão, suor e sacrifício.
Não espere, portanto, que as empresas, sejam elas embarcadoras ou prestadores de serviços logísticos, reajam de forma "elástica" ao novo cenário. Não é porque a sua venda vai aumentar em 20% que concederão a você uma brecha para reforçar a equipe e a sua infraestrutura física em outros 10%, 15% ou 20%.
Não espere que os bons ventos soprados mudem a percepção que os embarcadores têm pelas tarifas de frete; os BIDs continuarão proliferando por todos os lados, pressionando transportadoras e operadores logísticos.
A princípio, não haverá trégua; continuarão exigindo de você que faça mais com menos, o que é conhecido por produtividade. Os holofotes continuarão voltados para o controle dos custos e do desempenho de uma forma geral.
Você sobreviveu à crise e agora precisará estar pronto para lidar com novos desafios, e com um novo cenário, cada vez menos flexível e menos tolerante, onde você precisará estar com os pés bem firmes no chão, e com o olhar atento a tudo. Sabemos que uma nova crise virá, só não sabemos quando, e você mais uma vez, será testado, como empresa, profissional e ser humano.
Busque capacitar a si próprio e aos seus colaboradores. Esse será o melhor remédio, e o mais barato! Sucesso!
Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Após leniência e com dívida de R$ 3,4 bi, UTC pede recuperação

Companhia já vinha em dificuldades quanto foi envolvida na Lava Jato

Companhia já vinha em dificuldades quanto foi envolvida na Lava Jato


UTC ENGENHARIA/UTC ENGENHARIA/DIVULGAÇÃO/JC
Com uma dívida de R$ 3,4 bilhões, a UTC Participações - um dos grupos de infraestrutura que estiveram na disputa por grandes projetos de concessão no País nos últimos anos - entrou, na semana passada, com pedido de recuperação judicial para suas 14 empresas. O grupo, investigado na Lava Jato, protocolou o pedido de recuperação uma semana após fechar acordo de leniência com o governo federal e se comprometer a pagar multa de R$ 574 milhões.
A UTC é a sexta companhia de infraestrutura do País envolvida na Lava Jato a entrar em recuperação. Dos débitos da UTC, cerca de 50% correspondem a debêntures (títulos de dívida) detidas por bancos. O Bradesco é o maior credor, com aproximadamente 15% da dívida total, seguido por Santander, Banco do Brasil e Itaú. Apesar de as dívidas com os bancos não estarem atrasadas, a UTC teria débitos vencidos com fornecedores.
Ainda na dívida do grupo, foram contabilizados os R$ 574 milhões referentes ao acordo de leniência. Esse valor, porém, não será reestruturado, porque já foi acertado que a UTC terá 22 anos para pagá-lo, disse uma fonte. Entre os motivos que a companhia cita como responsáveis por a terem levado à recuperação judicial está o alto nível de endividamento e a crise econômica.
O envolvimento da UTC na Operação Lava Jato aumentou as dificuldades enfrentadas pela companhia, que ficou proibida de participar de novas concorrências públicas nos últimos anos. Apesar dos escândalos de corrupção envolvendo a UTC - o dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, foi condenado em junho pelos crimes de corrupção ativa e participação em organização criminosa por ter pago propina no esquema de corrupção na Petrobras -, a companhia esperava poder continuar prestando serviços à estatal.
A Petrobras, no entanto, bloqueou a UTC em dezembro de 2014, inviabilizando a assinatura de aditivos a contratos de manutenção de plataformas marítimas em Macaé (RJ) e reduzindo a possibilidade de novas receitas. A briga entre as duas empresas ainda resultou na demissão de 4 mil funcionários da empreiteira na semana passada, quando a estatal reteve o pagamento da manutenção de 12 plataformas na Bacia de Campos, no valor de R$ 21 milhões. A retenção desse pagamento é citada no pedido de recuperação.
Fontes afirmaram que os principais ativos que a UTC poderia colocar à venda para pagar sua dívida seriam as participações no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), e a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, ainda em construção. Da linha de metrô paulista, a companhia detém 13,1%; enquanto no aeroporto, sua participação é de 22,95%. Em Viracopos, a UTC é sócia da Triunfo Participações, que tenta vender sua fatia no aeroporto para pagar dívidas e também tentar se livrar de uma recuperação judicial.
O trabalho de reestruturação da dívida da UTC havia sido iniciado em 2015 pelo escritório RK Partners, que já liderou reestruturações como a da construtora PDG e a do Grupo X, de Eike Batista. A RK havia negociado um alongamento da dívida da UTC, mas a empresa não conseguiu honrar os compromissos assumidos. A reestruturação do grupo acabou indo parar, há um mês, no escritório Starboard Partners. Na área jurídica, a UTC é acompanhada pelo escritório Leite, Tosto e Barros Advogados.

Teto para multas por cartel divide conselho do Cade

No momento em que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) se prepara para julgar cartéis da Lava Jato, um projeto de lei que prevê teto para as multas deflagrou um contra-ataque de conselheiros do órgão e membros da equipe econômica. O Cade negocia hoje cerca de 30 acordos de leniência com empresas que confessaram participação em esquemas de fraudes a licitações.
O projeto de lei que tramita na Câmara estabelece que as multas para empresas que façam parte de cartéis não ultrapassem 20% do faturamento no ano anterior à abertura do processo pelo Cade. A criação do teto provocou um racha entre os conselheiros do órgão e levou integrantes da equipe econômica a apoiarem um projeto de lei paralelo no Senado, considerado mais duro para as empresas.
O debate surgiu de uma brecha na lei atual, que é considerada ambígua e tem levado o tribunal a definir multas com elevada dose de subjetividade, segundo conselheiros. Para eles, nem sempre a empresa acaba pagando uma multa equivalente ao ganho obtido com o cartel, o que estimula novas infrações.
Um exemplo recente foi o cartel de distribuidoras de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) no Pará, julgado em dezembro de 2016. O ganho das empresas calculado pelo relator no Cade foi de cerca de R$ 48 milhões, e o valor foi sugerido como multa. Porém, o conselho decidiu reduzi-la para cerca de R$ 38 milhões.
"A ideia (com o projeto da Câmara) é dar mais segurança jurídica para as empresas e acabar com a dúvida de que as multas poderão superar 20% do faturamento", disse o consultor legislativo Cesar Mattos, ex-conselheiro do Cade.
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