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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 00h07.

Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

Notícia da edição impressa de 21/06/2017. Alterada em 20/06 às 22h50min

Funaro acusa Temer e diz ter pago comissão a Moreira

Orientação do presidente resultou em operações a empresas privadas

Orientação do presidente resultou em operações a empresas privadas


KIRILL KUDRYAVSTSEV/KIRILL KUDRYAVSTSEV/AFP/JC
O corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro afirmou à Polícia Federal que o presidente Michel Temer (PMDB) fez "orientação/pedido" para que fossem feitas duas "operações" de crédito junto ao Fundo de Investimentos do FGTS para duas empresas privadas. Segundo ele, as operações geraram "comissões expressivas, no montante aproximado de R$ 20 milhões". O dinheiro, disse Funaro, foi destinado principalmente à "campanha para Presidência da República no ano de 2014" e à campanha do ex-deputado federal Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo em 2012, pelo PMDB.
As empresas beneficiadas teriam sido a BR Vias, da família Constantino, dona da aérea Gol, e a LLX, que hoje se chama Prumo Logística e tem como sócio Eike Batista. As declarações de Funaro, prestadas no último dia 14, foram anexadas aos autos da Operação Patmos, que investiga Temer, e tornadas públicas ontem. Funaro também afirmou ter ouvido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que havia "conhecimento do presidente Michel Temer a respeito da propina sobre o contrato (para construção) das plataformas entre a Petrobras Internacional e o grupo Odebrecht".
Funaro, que está preso no complexo penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, e estaria negociando delação, afirmou que pagou "comissão" ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência e um dos principais aliados do presidente Temer, Moreira Franco (PMDB). O dinheiro, disse, estava relacionado à liberação de recursos do FI-FGTS em 2009, para a empresa Cibe. Nessa época, Moreira Franco ocupava a vice-presidência de fundos de governo e Loterias da Caixa, gestora do Fundo de Investimento.
A empresa Cibe, segundo Funaro, era uma sociedade entre o grupo Equipav e Bertin, as quais "solicitaram ajuda" do corretor, pois "a solicitação da linha de crédito não estava caminhando". "O declarante (Funaro) pagou comissão desta operação a Eduardo Cunha e a Moreira Franco; os pagamentos foram feitos em espécie, não se recordando dos valores neste momento, mas que posteriormente irá apresentá-los", disse Funaro, segundo a transcrição do depoimento.
O corretor afirmou também ter pago, em espécie, um total de R$ 20 milhões ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) por "operações" na Caixa. Os recursos, segundo o corretor, eram "comissões" por liberações de crédito a empresas do grupo J&F. Segundo Funaro, foi ele quem apresentou Geddel ao empresário Joesley Batista. O peemedebista era então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, e o grupo J&F, holding que controla a JBS, segundo Funaro, tinha interesse em obter linhas de créditos junto a esta instituição.
O corretor afirmou que trabalhou na arrecadação de fundos das campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014 e que estima que tenha arrecadado cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e partidos coligados.
 
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