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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 00h01.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 21/06/2017. Alterada em 20/06 às 20h15min

Quando aumenta o frio, faltam leitos hospitalares

Assis Brasil dizia, há 100 anos, que "o Rio Grande do Sul não tem habitantes, mas sobreviventes do clima". Referia-se à instabilidade térmica, uma das principais características que castigam gaúchos todos os anos. No inverno, que está recém-iniciando, temos os choques térmicos, quando as temperaturas têm variações fortes em apenas algumas horas.
Com isso, especialmente crianças e idosos sofrem as agruras dos resfriados e, agora, das gripes, das viroses, que a cada ano voltam com novos nomes e identificações científicas, porém com efeitos piores do que aqueles verificados em anos anteriores.
Sempre foi assim e a tendência da natureza é que assim permaneça ou, o pior, que variações climáticas continuem se alternando sem que se possa ter uma barreira de proteção.
Campanhas de vacinação para amenizar efeitos das gripes têm sido realizadas anualmente, mas, segundo alguns médicos, as vacinas atenuam certos tipos de viroses, porém não impedem que elas ataquem, especialmente grupos mais vulneráveis, começando pelos já citados, idosos e crianças, entre outros, que, aliás, tiveram preferência nas campanhas feitas desde algumas semanas.
Também de maneira corriqueira, o avanço de gripes e doenças ligadas ao frio intenso traz à tona a falta de leitos, principalmente nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), onde se salientam as UTIs Pediátricas. O Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas está com três vezes mais internações do que a capacidade da UTI.
Com mais de 1,4 milhão de habitantes, Porto Alegre não tem, não na medida necessária, uma rede hospitalar que garanta tratamentos aos surtos gripais, às viroses que ocorrem todos os invernos, ou até mesmo antes, no outono, pela citada variação brusca das temperaturas.
E não se pode negar que temos, sim, uma boa rede hospitalar. Ironicamente, há um hospital equipado, mas quase sem utilização, por falta de verbas, que é o Parque Belém. Felizmente, para reforçar o atendimento nos meses de inverno e desafogar os pronto-atendimentos, a prefeitura de Porto Alegre e o Hospital Vila Nova entregaram 33 leitos de retaguarda, ou seja, de média complexidade, anunciou o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), em boa hora.
O problema da saúde financeira no poder público é crônico, epidemia que vem de anos e contra a qual nenhum governo conseguiu ministrar doses maciças de antibióticos eficazes para manter vivo o organismo administrativo-hospitalar da cidade.
Uma solução viável, há anos, foi a criação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, a CPMF. Os recursos seriam direcionados para a saúde. Lastimavelmente, ocorreu o que é comum na administração pública, pois os valores acabaram na vala comum das despesas as mais diversas, e a oposição à cobrança da CPMF aumentou, até a sua extinção.
Hoje, com 14 milhões de desempregados, consumo em queda, puxando para baixo a inflação e os juros, a arrecadação seria bem menor do que aquela obtida há anos.
Enfim, a saúde está mal, com as doenças respiratórias à frente. Os profissionais do setor e os hospitais, públicos e particulares, fazem o que podem, mas com o frio intenso e a variação térmica, não há como evitar a superlotação e, em decorrência, um atendimento, às vezes, até improvisado, o que não é o ideal.
 
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